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Crise financeira provoca 'ondas' de demissões no ES

18/11/2008 - 19h03 (Letícia Cardoso - Redação Gazeta Rádios e Internet)

Classificada de 'marolinha' pelo presidente Lula, a crise financeira mundial já começa a se mostrar como um mar revolto no mercado capixaba. Os efeitos negativos já aportaram na economia do Espírito Santo. Há duas semanas, a Dacasa, maior financeira do Estado, demitiu cerca de 20% dos funcionários. Agora, o desemprego atinge outros 600 trabalhadores de empresas do setor metalmecânico.

Os postos de trabalho no Estado vêm sofrendo baixas desde que a turbulência começou nos Estados Unidos, em setembro. O motivo dessa desmobilização é a redução de produção já anunciada pela Vale, pela ArcelorMittal Tubarão e pela Aracruz Celulose, além da situação financeira complicada por que passa a produtora de celulose. Na Vale, 12 funcionários diretos, entre maquinistas, técnicos e manobristas, foram demitidos nas duas últimas semanas.

O presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), Fausto Frizzera, classificou a redução de efetivo como "monstruosa" e disse que mais demissões virão. "O nosso setor vive de prestação de serviços, e todas as grandes plantas estão diminuindo o ritmo das atividades. Algumas das expansões programadas ainda não estão garantidas, por isso, estamos reduzindo nosso efetivo monstruosamente".

Na próxima sexta-feira (21), diretores do departamento de recursos humanos da Vale estarão no Estado discutindo com o Sindicato dos Ferroviários (Sindifer) as medidas que a multinacional está adotando quanto ao quadro de pessoal, após anunciar redução na produção por causa da crise mundial. Na última semana, o sindicato recebeu informações de que mais de 200 funcionários foram demitidos no Estado.

O presidente do Sindfer, João Batista Cavaglieri, membro do Conselho Administrativo da Vale, afirmou que o Sindicato ainda não homologou nenhuma demissão após a Companhia declarar redução na produção. Todavia, nas últimas duas semanas, a Vale demitiu 12 funcionários. O Sindicato alerta que essas demissões podem não estar ligadas a crise financeira, mas que o momento vivido pelos funcionários é preocupante.

"O número de pessoas demitidas, ou que ainda serão nós vamos conhecer após essa reunião com o Recursos Humanos. Nós queremos saber da Vale, de uma forma oficial, o que está acontecendo. A nossa finalidade é levar para os trabalhadores uma informação que os deixem tranqüilos. Toda as informações sobre demissões é muito perigosa para eles. Isso gera uma insegurança no trabalho e na família. Queremos que a Vale esclareça o que tem de concreto nisso", declarou João Batista.

E, ao que parece, o pior da crise ainda está por vir. Além da perda dos postos de trabalho, os novos profissionais que ingressam no mercado diariamente a procura de emprego deverão permanecer sem uma colocação De acordo com o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico, Fausto Frizzera, a situação ficará ainda mais difícil para empresas e trabalhadores no próximo ano.

"Estávamos preparados, qualificando mão-de-obra, fazendo campanha para que as pessoas entrassem em um curso técnico e, no auge de tudo isso, começa a crise. Foi um tiro contra a evolução do setor e, em 2009, deve ser ainda pior. Num primeiro momento, cerca de 600 perderam o emprego, inclusive engenheiros. Muitas empresas estão sem carteira de serviços. Outro problema é a falta de capital de giro, além do aumento das taxas de juros", acrescentou.

Adequações

Apesar do cenário nebuloso, o presidente do CDMEC procura manter o otimismo e tranqüilizar os trabalhadores. "Estamos cortando gastos e tentando diversificar as atividades e os clientes. Estamos cortando na própria carne para suportar a crise e manter nossas equipes. A situação é grave, mas estamos trabalhando muito para reduzir os custos e respirar um pouco", ressaltou.

Diante da crise financeira, as empresas reduziram gastos com energia, com gasolina e com deslocamentos. Viagens que antes eram feitas de avião agora são de ônibus, e até o tradicional cafezinho está sendo racionado.
A direção da Vale, empresa que antecipou a parada de duas de suas sete usinas de pelotização no Estado, informou que as medidas adotadas até agora são adequações da empresa à situação mundial.

A crise reduziu a produção de aço, cuja produção depende do minério de ferro, o que provocou mudança nos planos da empresa e a adequação dos projetos e gastos.

O presidente do Sindicato salienta que a situação mais preocupante refere-se a demissões em funções nas quais apenas a Vale demanda no Estado como maquinista e controlador de tráfego Ferroviário. O Sindicato anunciará medidas a serem adotadas após saber do departamento de Recursos Humanos da multinacional os projetos da empresa quanto a política de pessoal.


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