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19/11/2008
  
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Montadoras dizem estar à beira de um desastre

19/11/2008 - 09h43 ( - G1)

A crise americana se agrava. A indústria automobilística, símbolo da riqueza de outras eras, está por um fio. O Congresso estuda um empréstimo de US$ 25 bilhões para salvar as três maiores montadoras, mas ninguém garante que vai sair. Só faltou o chapéu na mão. Os presidentes das três grandes montadoras e do sindicato dos trabalhadores se uniram para suplicar ao Congresso americano.


"Sem um apoio financeiro imediato, a Chrysler não terá dinheiro suficiente para manter suas operações", alertou o presidente da empresa. "Precisamos salvar a indústria americana de um colapso catastrófico", afirmou o presidente da General Motors. A GM, a Ford e a Chrysler ajudaram a construir o capitalismo americano. A Ford, por exemplo, inventou a linha de montagem e ajudou a formar a classe média operária, ao aumentar o salário dos funcionários, para que eles também pudessem comprar carros.

Acostumadas a fabricar carrões, as três não se adaptaram ao petróleo caro, às exigências ambientais e à eficiência japonesa. Dez anos atrás, tinham 70% do mercado americano de automóveis, hoje têm 47%.

Para muitos analistas, elas sucumbiram à incompetência dos diretores e ao excesso de benefícios dos funcionários. Milhares de operários de fábricas fechadas continuam na folha de pagamento sem trabalhar. A GM, por exemplo, para cada funcionário na ativa, sustenta dois aposentados.

O fechamento de qualquer uma delas pode ser dramático: as montadoras são responsáveis por quase três milhões de empregos diretos e indiretos. Apesar disso, muitos acham que o dinheiro público não vai salvá-las.

Um especialista da universidade de Michigan disse aos senadores: "Se vocês derem o dinheiro, semana que vem eles voltam pedindo mais".

O secretário do tesouro, Henry Paulson, é contra o uso do dinheiro do pacote de ajuda aos bancos para salvar as montadoras. "O objetivo é estabilizar o sistema financeiro. A indústria automobilística está fora desse propósito".

O que os presidentes das três grandes montadoras conseguiram do Congresso até agora foi um puxão de orelha. "Vocês têm visão curta e nenhuma imaginação", acusou o senador Chris Dodd, presidente do comitê que analisa o pedido de socorro. Ele completou: "As montadoras fecharam os olhos para as oportunidades, promoveram a ineficiência, os carros beberrões e subestimaram o risco do aquecimento global".

As montadoras têm até o fim da semana para conseguir o dinheiro, ou o pedido só voltará a ser analisado em janeiro pelo novo Congresso. Elas podem não sobreviver até lá.



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