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Drama sobre prostituição infantil é atração na Mostra de Longas Capixabas do Vitória Cine Vídeo

19/11/2008 - 20h45 (Rafael Braz - Da Redação Multimídia)

"Antes de qualquer coisa, é uma história sobre dificuldades". Com essas palavras, o cineasta Marcel Cordeiro resume "Baby BonBon", seu mais recente trabalho, a ser lançado nesta quinta-feira (20), no Cine Jardins, durante a Mostra de Longas Capixabas. O lançamento faz parte da programação do 15º Vitória Cine Vídeo, que segue até 28 de novembro, com a Mostra Competitiva de Curtas e Vídeos.

O drama mostra a trajetória de Aldo e seu filho Ricardo, uma família desfeita após a repentina morte de sua matriarca. As dificuldades financeiras fazem com que o pai obrigue o menino de apenas 11 anos a se prostituir para bancar a casa. "Seria muito bom viver fingindo que essas coisas não existem, mas já estou farto de hipocrisia. O tema é polêmico, mas não mais do que as notícias que vemos todos os dias nos jornais", conta o diretor.

Após os promissores curtas "Flora" (prêmio de Melhor Atriz para Regina Braga no RioCine Festival) e "Passo-a-passo com as Estrelas" (prêmio de Melhor Filme do Festival de Benário, na Itália), em 1995, Cordeiro debutou em longas-metragens com "A Morte da Mulata", em 2001, que repercutiu mal entre público e crítica e até hoje permanece pouco visto pelo público local.

Diversidade

Na época, o Estado tinha apenas um longa em sua história cinematográfica: "O Amor Está no Ar", de Amylton de Almeida. Hoje, o novo trabalho de Cordeiro divide espaço com outras duas produções locais: "Harmonia do Inferno", de Gui Castor, e "Mangue Negro", de Rodrigo Aragão; que também integram a programação da Mostra de Longas Capixabas.

"Essa onda de produção é muito importante. As secretarias estaduais e municipais de cultura deveriam abrir os olhos para esse fenômeno. Com o digital, tornou-se mais fácil fazer um filme que pode ser útil não apenas aos realizadores, com temas de relevância para a sociedade", explica Marcel, que não viu necessidade em transpor seu filme para película e tem orgulho de dizer que "Baby BonBon" é um trabalho 100% digital. "Meu filme é pobre, não foge à regra e não acredita nessa coisa mentirosa de película. Isso é sonho ridículo do pobre que compra cobertura e não tem dinheiro para pagar o condomínio. Película é cara e somente para grandes produções. Não adianta ter tesão por latas pegando poeira dentro de casa e depois colocar o filme em digital na internet. Acho ridículo."

A opção por um segundo longa foi feita pois, segundo o diretor, o curta já não tem mais a mesma função de antes. Ele acredita que, com a popularização da internet, qualquer um pode produzir um curta-metragem e disponibilizá-lo para toda a rede, em uma verdadeira "democracia do audiovisual".

Dificuldades

Os entraves durante a produção não foram poucos. O diretor (que também atua como Aldo) explica que o filme foi feito na garra e todo bancado com recursos próprios. Apenas uma câmera e três spots de luz foram utilizados para registrar todas as imagens que se transformaram nos 75 minutos de projeção. As cenas eram gravadas na casa de Edwillys Rocha Campos (que interpreta o menino Ricardo), em Nova Brasília, Cariacica, e a equipe tinha que respeitar a rotina da família do garoto.

Segundo o cineasta, a pequena quantidade de atores era fundamental para que o filme saísse do papel. Ana Murta, José Augusto Loureiro e Sandro Costa completam o elenco. ''Trabalhar como ator e diretor foi muito desgastante, pois não tínhamos equipe, técnicos, absolutamente nada'', desabafa.

A idéia do filme permaneceu guardada na gaveta por mais de 11 anos. O diretor diz acreditar que o cinema tem uma função social e deve debater e discutir assuntos importantes para a sociedade sem apontar culpados. Apesar de toda polêmica, ele tenta trabalhar o tema de forma leve e sutil, sob os olhares do menino, com claras referências a personagens infantis como Tom e Jerry.

"O filme mostra uma realidade cada vez mais comum nas periferias das grandes cidades. A prostituição infantil acontece muito na classe média-baixa, com famílias que vivem às margens da sociedade, convivem com as drogas e não possuem um mínimo de estrutura. É dever do artista chamar atenção pública para essas coisas", dispara.

Projetos

Radicado na Itália há 20 anos, Marcel conta que o Brasil ''está na moda'' por lá devido ao nosso multiculturalismo. "Baby BonBon" já foi exibido no Festival Latino Americano de Trieste, em outubro. O diretor também apresentará seu documentário "X9", de 2004, em Pavia, na Itália, no próximo mês de dezembro. O filme fala sobre a violência no Espírito Santo. "É muito bom ver meu trabalho sobrevivendo ao tempo", conta.

Sua próxima empreitada já está tomando forma, mas ainda não tem data de lançamento. O documentário "A Expedição Tabacchi" contará a história da primeira imigração de italianos da região do Trento para o Espírito Santo, e terá locações na Itália e no Brasil.

Vá lá
"Baby BonBon", de Marcel Cordeiro. Quinta-feira (20), às 21h, no Cine Jardins, Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, 262 Jardim da Penha, Vitória. Entrada franca. O evento faz parte da programação do 15º Vitória Cine Vídeo.

O filme também pode ser visto no site www.arcoiris.tv (buscar Baby Bonbon /Marcel Cordeiro).





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