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O drama da infância roubada

20/11/2008 - 00h00 (Outros - Outros)

Gustavo Cheluje

Após o controverso "A Morte da Mulata" (2001), que permanece inédito no circuito comercial, o realizador capixaba Marcel Cordeiro retorna à ficção com o drama "Baby Bon Bon" (2008). O filme, em exibição hoje, às 21h, no Cine Jardins, dentro da programação do 15º Vitória Cine Vídeo (VCV), pretende fazer uma denúncia contra a prostituição infantil.

Além da exibição do longa, a organização do VCV também definiu as oficinas a serem realizadas nas próximas semanas.

Confira o site do VCV

De acordo com Cordeiro, somente no Brasil, mais de 500 mil crianças e adolescentes trabalham nas ruas, vendendo seus corpos para sustentar a família, incluindo os vícios dos pais com o álcool e as drogas. "O tema é urgente e, como artista, tentei fazer uma discussão sobre o problema. Uma realidade estampada diariamente nos jornais, mas praticamente ignorada pela sociedade", revela o cineasta.

Marcel Cordeiro acredita que, na maioria das vezes, o problema da prostituição na infância e adolescência se dá em membros da classe média baixa. "É onde paira a falta de estrutura familiar. São pais e mães que vivem à margem de uma sociedade que os despreza. Portanto, não possuem condições de educar os filhos para a vida", acrescenta.

Em "Baby Bon Bon", destacam-se as aflições de Ricardo (Edwillys Rocha). Incapaz de se defender, ele suporta a violência a qual o pai Aldo (Marcel Cordeiro) o submete: fazer sexo com homens desconhecidos em troca de dinheiro. Na força da professora Leni (Ana Cristina Murta), o garoto encontra a esperança de fugir do inferno a que está fadado.

Cordeiro afirma que "Baby Bon Bon" é um filme marcado pela superação. "Como não podia ter um ator a minha disposição 24 horas por dia, decidi assumir o Aldo, um personagem complexo e moralmente corrompido. Além disso, para viabilizar o projeto, tive que gravá-lo em câmera digital, o que diminui os custos da produção e facilita a distribuição e a exibição", acredita.

Multimídia
"Baby Bon Bon", além de ter participado do Festival Latino Americano de Trieste (Itália), em outubro, também já pode ser conferido na internet, por meio do site www.arcoiris.tv. "Fiz o filme para ser visto por um grande número de pessoas. Como não tenho compromisso com nenhuma lei de incentivo fiscal, muito usada pelos realizadores brasileiros, posso usar a rede mundial de computadores de forma livre, como aliada".

O roteiro de "Baby Bon Bon" foi escrito há 11 anos, e, de acordo com o diretor, realizá-lo foi uma forma de levar a sociedade a fazer uma reflexão sobre a miséria e as diferenças socioculturais. "Não tenho medo da realidade e acredito que todos os assuntos devem ser debatidos, sem que haja a necessidade de existir culpados ou inocentes. Minha intenção é debater as contradições do comportamento humano, como suas dores e seus dramas. Infelizmente, o drama da prostituição infantil é extremamente atual e passível de análise".

Superficial
"Baby Bon Bon" não passa de um filme com boas intenções, mas concebido, realizado e finalizado de forma equivocada. Marcel, também autor do roteiro, trata um tema urgente com abordagem superficial. Há vários erros, como a incursão de passagens de animação para emoldurar situações de aflição de Ricardo. Soam deslocadas e desnecessárias.

O ator mirim Edwillys Rocha não possui potencial dramático para protagonizar um filme pretensamente denso e o desleixo técnico visto nos últimos trabalhos de Cordeiro (como "A Morte da Mulata" e "X9", de 2004) é acentuado com a escolha da captação em câmera digital.

Veja se tiver tempo
Marcel Cordeiro
Baby Bon Bon
Drama. (Brasil, 2008, 80 minutos). Com Marcel Cordeiro, Ana Cristina Murta e José Augusto Loureiro.
Quando: Hoje, a partir das 21h, no Cine Jardins, dentro da programação do 15º Vitória Cine Vídeo. Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, 262, Jardim da Penha, Vitória. Entrada franca.

As oficinas do Vitória Cine Vídeo
Animação - Técnica Pikapika. Ministrada pela animadora Rosaria e Ze Brandão. A oficina vai ensinar a técnica Pikapika, uma forma de animação com lanternas, apresentada pelo grupo Japonês Tochka no Anima Mundi 2008. De 25 a 27 de novembro, das 13h às 16h, no Hotel Ilha do Boi. Vagas: 20.

Direção de Arte. Aulas com a cenógrafa Ana Paula Cardoso. De 25 a 28 de novembro, das 10h às 13h, no Hotel Ilha do Boi. Vagas: 15.

Crítica Cinematográfica. Com o diretor e crítico de cinema André Felix. De 25 a 27 de novembro, das 13h às 17h, no Hotel Ilha do Boi. Vagas: 20.

Direção. Com a cineasta Luelane Loiola. De 26 a 28 de novembro, das 10h às 13h, no Hotel Ilha do Boi. Vagas: 15.

Atuação para Câmera. Com o diretor Gustavo Acioly. De 25 a 28 de novembro, das 13h às 16h, no Hotel Ilha do Boi. Vagas: 24.

Oficina de Fotografia. Com Kátia Coelho. Data, horário e número de vagas a serem definidas pela organização.

Oficina de Fotografia. Com Felipe Ribeiro. Data, horário e número de vagas a serem definidas pela organização.

Como participar. Cada uma das oficinas custa R$ 30. As inscrições podem ser feitas no Instituto Marlin Azul/Galpão Produções: Rua Professora Maria Cândida, 15, Bairro República, Vitória (de segunda a sexta, das 10h às 18). Informações: 3327-2751 ou www.vitoriacinevideo.com.br.


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