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Eles largaram o emprego e estão vendendo doces

   

22/01/2015 - 11h27 - Atualizado em 22/01/2015 - 11h28
Autor: Guilherme Sillva | [email protected]

Largar o emprego e investir em um outro ramo não é fácil, mas tem gente que arriscou e deixou a vida mais doce vendendo brigadeiros, cupcakes, bolos no pote e brownies

De repente, um monte de gente começou a exaltar as maravilhas feitas com açúcar e chocolate. De repente não era preciso sair de casa para comprar um brigadeiro, um cupcake ou um bolo de pote na loja - sua colega de trabalho ou o amigo do seu amigo entregava aonde você estivesse. De repente virou modinha na Grande Vitória pessoas largarem seus empregos formais para ganhar dinheiro fazendo doce. De repente a vida para algumas pessoas ficou simplesmente doce.

Foto: Ricardo Medeiros

Dalila e Laysa estão fazendo o maior sucesso com os bolos em pote. Elas já montaram uma pequena empresa em Vila Velha e compraram um carro

Publicitária de formação, há um ano Dalila Ferreira, de 33 anos, largou o emprego de atendimento numa agência para seguir um sonho açucarado. Literalmente. Se juntou com Laysa Saller Pimenta, amiga de longa data, e juntas criaram a Merengue Tortas. “Pedi demissão do meu emprego, fui para Argentina acompanhando meu marido e aproveitei para fazer um curso de espanhol. Na volta decidi ter um negócio próprio e aproveitei para me juntar com a Laysa, que durante anos trabalhou num tradicional colégio de Vila Velha”, conta Dalila. Em 3 de outubro de 2014 elas entregaram a primeira encomenda de bolos. Um cliente curtiu e indicou para outro. Hoje, elas chegam a produzir num único fim de semana 60 bolos no pote, o carro-chefe da marca.

A gente não queria um doce com muito açúcar. Não é melado e é feito com menos massa e muito mais creme. O segredo? O bolo só é feito no dia da entrega. A verdade é que a gente adora brincar com os cremes dos bolos

Dalila Ferreira

Dalila e Laysa integram a mais recente fornada de doceiras do Estado. Pesquisaram receitas na internet, fizeram diversos testes e chegaram no bolo - servido dentro de um pote de vidro - que é um sucesso. “Não queríamos um doce com muito açúcar. Não é melado e são feitos com menos massa e muito mais creme”, entrega Dalila. O segredo? “O bolo só é feito no dia da entrega”.

Meses depois do início da doce aventura, elas já contabilizam resultados. Montaram uma cozinha específica em Vila Velha, contrataram um motoboy para fazer as entregas e acabaram de comprar um carro. “A verdade é que a gente adora brincar com os cremes dos bolos”, entrega Dalila.

Doce virada

Foto: Guilherme Ferrari

Eduarda, que um dia pensou em trabalhar com jornalismo de moda e maquiagem, hoje está feliz vendendo 2 mil doces mensalmente

“Brownie era sobremesa de restaurante chique”. Quem diz é Eduarda Morandi, de 21 anos, uma especialista no assunto. A menina que cursava jornalismo, trabalhava numa agência de conteúdo e ainda fazia maquiagens nas horas vagas, agora ajudou a popularizar o doce. “Sempre quis trabalhar com jornalismo de moda e maquiagem, mas o mercado no Estado é difícil. Trabalhava numa agência, mas acabei sendo demitida. Foi a melhor coisa que aconteceu”, conta. A partir de então ela, que já cozinhava para algumas amigas, passou a se dedicar integralmente a Le Petit Docerie.

Trabalhava numa agência, mas acabei sendo demitida. Foi a melhor coisa que aconteceu. Nunca imaginei que daria tão certo vender brownies. E. acredite, uso chocolate comum, que dá gosto de brigadeiro

Eduarda Morandi

A primeira encomenda foi de minipalhas italianas, feitas para uma blogueira que comemoraria o aniversário de sua página na internet. “As pessoas acharam diferente porque era muito mais brigadeiro do que biscoito”. Intitulada de “Confeitaria com alma”, ela cuida de todos os detalhes. Os bolos, que acabaram de entrar no cardápio, não são feitos com pasta americana. Os bem-casados de brownie são sensação nas festas de casamento da cidade. “Não uso chocolate belga. Acredite é um chocolate comum, que dá gosto de brigadeiro”, conta. O sucesso é tanto que ela chega a produzir dois mil doces (R$ 5 a unidade) mensalmente. “Nunca imaginei que daria tão certo. E ainda tenho a segunda-feira de folga”, brinca.

Céu de brigadeiro

Foto: Guilherme Ferrari

A receita de brigadeiro dos amigos inseparáveis Lui, Douglas e Juliano é tradicional; o que muda é a troca de achocolatado por 33% de cacau

A receita tradicional leva leite condensado, manteiga e chocolate em pó. Com esses três ingredientes é possível preparar um dos doces mais brasileiros: o brigadeiro. E quem resiste a essa bolinha de chocolate cheia de granulados? Foi pensando nisso que os amigos Lui Lima, Juliano Honorato e Douglas Scabelo criaram o Don Brigadetto, em 2012. “Eu e o Juliano estávamos sem dinheiro durante o período da faculdade. Então decidimos vender o docinho nos intervalos das aulas. Ninguém rejeita um brigadeiro, né?”, argumenta o jornalista Lui.

Eu e o Juliano estávamos sem dinheiro durante o período de faculdade. Então decidimos vender o docinho nos intervalos das aulas. Ninguém rejeita um brigadeiro, né?

Lui Lima

A origem do brigadeiro é um tanto inusitada. O doce ficou conhecido em 1945 durante a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes para presidente. Preparado pelas eleitoras e servidos nas festas, era o preferido do político. Esta é a versão (quase oficial) que Juliana Motter conta em “O Livro do Brigadeiro”. Agora o doce foi alçado ao status de “goumert”, e inclusive é produzido com chocolate belga e apresenta as mais inusitadas combinações de recheio: Nutella, leite ninho, morango, avelã... As caixinhas recheadas das gostosuras produzidas pelo trio, hoje ocupam muito mais do que os corredores da faculdade. “Temos diversas encomendas para festas capixabas”, conta Lui.

O sucesso dos brigadeiros dos rapazes começou no boca a boca entre os amigos. A receita era tradicional e o que mudava era a troca do achocolatado por 33% de cacau. “Quando abrimos a página no Facebook percebemos o sucesso que o nosso doce fazia”, lembra o jornalista. O trio já chegou a entregar 200 caixinhas (no mínimo com quatro brigadeiros) num único final de semana. A produção é praticamente todos os dias. E o segredo (de tanto sucesso) está na receita. “Usamos creme de leite e deixamos a manteiga de fora”, entrega ele sobre o brigadeiro gourmet, que é o bom e velho brigadeiro em versão luxo.

A reinvenção dos cupcakes

Foto: Guilherme Ferrari

Francielly começou a fazer doces durante a gravidez, pois queria ficar com a filha mais tempo

Ele chegou a roubar o lugar dos docinhos nas festas. Populares na cultura americana, os cupcakes agora fazem o maior sucesso em terras brasileiras. Servidos em porções individuais e decorados com o maior capricho, os bolinhos viraram febre e servem como presente em várias ocasiões: aniversário, datas especiais e até como lembrancinha de casamento.

E também são eles os responsáveis pela reviravolta na vida de Francielly Vescovi, de 34 anos, que criou a Doce Sabor. Realizada na carreira que construiu há cinco anos num banco, ela decidiu fazer doces durante a gravidez. “Engravidei e não tinha ninguém com quem deixar a minha filha. Eu queria acompanhar o crescimento dela . Fiquei um ano sem trabalhar, só cuidando da Bárbara”, conta Francielly, que decidiu não voltar para o trabalho.
 
 

A minha massa é macia e molhada. E coloco muito recheio, tanto dentro como fora. Mas para inovar criei o cupcake na casquinha

Francielly Vescovi

Acostumada a fazer as sobremesas dos encontros de família, ela encontrou nos cupcakes a sua nova fonte de renda. “A receita da massa é da minha mãe. Fiz apenas pequenas modificações”. Apesar de lembrar um muffin, os cupcakes são diferentes, a começar pelo sabor. A massa do cupcake é mais parecida com a de um bolo comum, enquanto os muffins são mais pesados e menos doces. Cada confeiteiro, claro, põe o seu toque pessoal. “A minha massa é macia e molhada. E coloco muito recheio, tanto dentro como fora. Mas para inovar criei o cupcake na casquinha”. E o segredo Francielly deixa para a casquinha, que é banhada com chocolate quente por dentro fazendo com que a própria não amoleça. O sucesso é tanto que ela chega a produzir uma fornada de 600 bolinhos por mês.

A febre dos minibolos

Foto: Guilherme Ferrari

Nas festas Alessandra percebe como as pessoas gostam do cupcakes. "Preferem doces à terapia"

O cupcake é capaz de seduzir qualquer apaixonado (por doce) desde a primeira mordida. A massa básica é simples: ovos, farinha, manteiga e açúcar. A graça são as dezenas de coberturas possíveis. O nome (bolo de xícara, em tradução livre), nasceu do fato de ser feito, originariamente, no tamanho de uma teacup, ou seja, xícara de chá. E são os famosos bolinhos criados no século XIX que fizerem a confeiteira Alexandra Jenner, de 40 anos, a mudar de rota. “Me formei em Direito, mas o sonho era ser psicóloga. Depois de casada voltei a estudar e era muito feliz atendendo no consultório durante cinco anos. Dizia que quando estivesse velha iria vender doces. Mas eles acabaram me escolhendo mais cedo”, conta.


 
 
Os doces da infância em São Paulo - como as queijadinhas e os quindins - foram o abre-alas para o sucesso como confeiteira. “Nas festas de famílias e amigos eu que sempre levava as sobremesas. E as queijadinhas e os quindins fazia para os conhecidos. E todos adoravam”, lembra. Fez cursos, pesquisou na internet e foi testando diversas receitas em casa. Atualmente ela prepara, no mínimo, um bolo decorado por dia. “Percebi que tinha virado profissão a partir do momento que não deixava mais minha filha entrar na cozinha a qualquer momento. E também não admitia errar”, confessa.

Me formei em Direito e, depois, em Psicologia. Dizia que quando estivesse velha iria vender doce. Mas a profissão acabou me escolhendo mais cedo

Alessandra Jenner

Para ela, os famosos cupcakes estão sempre se reiventando. “Os meus você não come só com os olhos. Come por inteiro. A massa é úmida e o recheio é de leite condensado e chocolate”, entrega o segredo antes de confessar: “As pessoas preferem comer doce do que fazer terapia”, diz Alexandra, que nas festas fica observando como elas degustam os seus bolos.
 
 
Onde comprar: 

Alexandra Jenner
Tel.: (27) 9962-0013
E-mail: [email protected]

Curta Merengue
Tel.: (27) 99618-1869

Don Brigadetto
Tel.: (27) 99964-5249
E-mail: [email protected]

Doce Sabor
Tel.: (27) 99943-6752
E-mail: [email protected]

Le Petit Docerie
Tel.: (27) 99294-7335
E-mail: [email protected]


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