Notícia

Quando o ciúme vira obsessão e atrapalha o relacionamento?

Psicóloga aponta as diferenças entre o apego natural nas relações e a posse doentia

O casamento de Bianca, 43 anos, e Danilo, 44, é baseado na confiança
O casamento de Bianca, 43 anos, e Danilo, 44, é baseado na confiança
Foto: Marcelo Prest

Ter zelo, querer cuidar do outro e sentir aquela “pontinha” de ciúmes numa relação sem imposições e sentimentos de posse. Essa é a descrição para o ciúme saudável, natural nas relações amorosas.

É o que afirma a psicóloga Gina Strozzi. No entanto, ela alerta para os riscos do ciúme doentio, quando o homem ou a mulher possui sentimentos, pensamentos e comportamentos de posse.

“Nesse caso, o outro é visto como um objeto. A pessoa pensa: ‘Eu possuo esse objeto’. E o ‘objeto’ em questão não tem vontade própria. O ciumento manda e o outro obedece”, explica a psicóloga.

Gina reforça que o ciumento doentio não tem domínio sobre seus sentimentos e atitudes e acaba fazendo tentativas de dominar o parceiro. “A pessoa que tem ciúmes em excesso sofre muito. E tira a liberdade, a individualidade do outro”, diz.

O ciúme excessivo tem sido batizado de “amar demais”, o que, para a psicóloga, é uma romantização de um sentimento destrutivo. Ela diz que essa denominação para o ciúmes fora da medida dá a ideia de que há limite para amar.

“O que existe são mulheres e homens com baixa autoestima e níveis exagerados de insegurança, que não diferenciam amor de possessão. São esses fatores que estimulam o ciúmes obsessivo. A culpa desse sentimento destrutivo não é do parceiro.”

Ela complementa que o ciúmes exagerado também pode ter relação com experiências já vividas em outros relacionamentos. “Isso pode estar relacionado a uma vivência passada ou pela própria pessoa ter fantasias de infidelidade.”

Em tempos de redes sociais, Gina afirma que a tentativa de ter o controle do parceiro parte ainda para esse meio virtual. “Com senha, monitoram o perfil do parceiro.”

No casamento do procurador da Fazenda Nacional Danilo Caram, 44, e da coach de relacionamentos e carreira, Bianca Vasconcelos, 43, não tem espaço para o ciúme.

“Temos uma relação saudável e de confiança. E olha que ele tem muito contato com mulheres devido ao trabalho”, diz Bianca, se referindo à atividade artística de Danilo como cantor, o MC Marombado.

“Faço de tudo para deixá-la segura. E ela também me passa confiança. Esse é o segredo”, explica ele.

Entenda

Como identificar?

Ciúme normal

Psicóloga Gina Strozzi
Psicóloga Gina Strozzi
Foto: Arquivo Pessoal

É considerado o medo de perder alguém amado para uma terceira pessoa. É transitório e baseado em fatos, com desejo de preservar a relação.

Ciúme patológico

Também é chamado de doentio e obsessivo. Há o desejo inconsciente da ameaça de um rival, assim como o desejo obsessivo de controle total sobre o sentimento e o comportamento do outro.

O parceiro tem culpa?

Colaboração involuntária

O parceiro que sofre os “ataques” não é culpado, mas colabora de forma involuntária.

Ele alimenta o ciúme doentio sem saber a medida que concorda em submeter-se ao que o outro pede. Por exemplo: se, ao ser questionado sobre quem lhe enviou e-mails, mesmo no trabalho, ele responder, der satisfações, o outro se sentirá no direito de fazê-lo sempre, agindo dessa forma cada vez mais incisivamente.

Causas

Insegurança

O ciumento obsessivo costuma ter baixa autoestima e ser inseguro. Também pode já ter vivido relacionamentos regados a infidelidade no passado e trazer essa experiência negativa para a relação atual.

Tratamento

Técnica de confrontação

O confronto com a realidade e a busca de evidências na terapia cognitiva comportamental são formas de ajudar a pessoa com ciúmes obsessivo a entender o modo de funcionamento de seus pensamentos e fantasias, conseguindo diferenciar esses aspectos.

Terapia de casal

Pode ser indicada quando o ciúme está focado no parceiro que não aceita sua doença e terapia, com isso fica mais fácil aceitar o atendimento terapêutico para ambos.

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