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A vacina da clínica é melhor que a do posto?

Veja em que situações vale a pena pagar para vacinar seu filho

Algumas vacinas para bebês não estão disponíveis no SUS
Algumas vacinas para bebês não estão disponíveis no SUS
Foto: Shutterstock

A resposta é: depende. Essa é uma dúvida comum principalmente entre pais de recém-nascidos, já confusos com a quantidade enorme de vacinas que o bebê precisa tomar todo mês. E quando ouvem do pediatra a recomendação para vacinar a criança na clínica particular, eles logo se perguntam: será que a vacina oferecida no posto de saúde é inferior?

Especialistas tratam logo de tranquilizar os pais ao afirmar que as vacinas de ambas as redes são seguras e eficazes. Então, por que os médicos indicam a vacina da rede privada?

Isso acontece em alguns casos. Vamos ao exemplo da vacina contra Rotavírus, uma doença que, duas décadas atrás, era uma das maiores causadoras de surtos em crianças pequenas. A opção disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é monovalente, ou seja, protege contra apenas um sorotipo de rotavírus, enquanto a oferecida na rede particular é pentavalente, imunizando contra cinco sorotipos diferentes da doença.

“São vacinas diferentes. Mas a que oferecemos pelo SUS protege contra o tipo de vírus mais prevalente no país. Desde que essa vacina foi disponibilizada, houve uma redução muito grande nos casos de internação e de morte por rotavírus”, explica Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.

Pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabella Ballalai, concorda. “A vacina monovalente acaba fazendo uma proteção cruzada contra outros sorotipos em cada dose. Claro que ela tem uma eficácia menor do que a pentavalente, que é mais completa. Mas ambas são boas”, destaca.

Na clínica, a vacina contra Rotavírus custa em torno de R$ 230. A decisão de vacinar fica a critério dos pais. “É uma vacina mais cara. O pediatra é obrigado pelo Código de Ética profissional a informar todas as opções. Se a família tem condição de pagar, é melhor que faça. O filho vai ter uma proteção mais ampliada. Não tendo como arcar com esse custo, que deem a vacina do SUS. O importante é não deixar de imunizar a criança”, observa Isabella.

Outro exemplo é a vacina que protege contra meningite. No SUS, é ofertada a Meningocócica C, enquanto na clínica já existe a ACWY, protegendo contra esses quatro tipos da doença. O valor dela é, em média, de R$ 350. E há ainda a vacina contra meningite B, tambem só disponível na rede particular ao custo de R$ 600. “A incidência do tipo B é muito baixa para justificar vacinação em massa”, afirma Carla Domingues.

A coordenadora da SBI reforça o argumento: “O critério para incluir uma vacina no SUS é sempre pelo combate ao tipo mais frequente da doença, o que mais mata. O tipo C é responsável por 80% dos casos de meningite em crianças. Os outros tipos circulam menos. É pouca coisa em termos numéricos para a saúde pública. Mas para o seu filho é tudo. Então, a gente recomenda que se busque a vacina”.

Cabe à família avaliar cada necessidade junto ao pediatra. “Deve-se buscar na rede privada aquilo que não está no SUS. A pessoa tem direito a uma prevenção a mais. Mas em termos de saúde pública, ofertamos vacinas com qualidade. Não se justifica pagar por uma vacina que tem na rede pública”, pondera Carla.

As principais diferenças

Tríplice bacteriana DTPa e DTPW

São as vacinas contra difteria, coqueluche e tétano. Na rede pública está disponível a DTPw que é feita a partir de células inteiras da bactéria. Já na rede privada existe a versão DTPa, que é acelular, ou seja, não é feita com as células inteiras, mas sim com proteínas, provocando menos reações adversas no bebê.

Rotavírus

É uma vacina de vírus vivo, oral. No SUS, é monovalente (protege apenas contra um sorotipo de rotavírus), mas oferece proteção cruzada contra outro sorotipo. Na rede particular, é oferecida a vacina pentavalente, que protege contra 5 sorotipos diferentes de rotavírus.

Pneumocócica

Protege contra pneumonia, meningite e otite média aguda. A conjugada (VPC 10), da rede pública, protege contra 10 subtipos de pneumococos. Já a vacina pneumocócica conjugada (VPC 13), da rede privada, irá proteger contra 13 subtipos.

Meningocócica C

Previne contra meningite. A vacina meningocócica conjugada C está presente na rede pública e protege contra o tipo C da doença. Já a versão ACWY é encontrada na rede privada e protege contra esses quatro tipos.

Meningocócica B

Menos comum, o tipo B da meningite pode ser prevenido com uma vacina existente somente na rede

privada ao custo médio de R$ 600.

Varicela

Na rede pública, é oferecida apenas uma dose. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que sejam duas doses.

 

 

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