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Velhice? Veja exemplos de quem passou dos 60 e mantém rotina animada

O idoso de hoje adora exercício, amigos, namoro, viagens, internet

Hilka e Mally caminham todos os dias no calçadão, em Vila Velha. Entre um passo e outro, vão  fazendo vários planos
Hilka e Mally caminham todos os dias no calçadão, em Vila Velha. Entre um passo e outro, vão fazendo vários planos
Foto: Fernando Madeira

Como você se imagina depois dos 60, 65 anos de idade? Certamente não é passando os dias em casa, na cadeira de balanço ou tricotando. Prepare-se porque a velhice está bem mais agitada. O idoso de hoje adora exercício, amigos, namoro, viagens, internet. Ou seja, está curtindo a vida adoidado.

Como as amigas de longa data Hilka Staudinger e Mally Freire, 62 e 67 anos, respectivamente. Já se casaram, se divorciaram, tiveram filhos e netos e ainda estão cheias de energia. Entre uma caminhada e outra no calçadão, elas, que se conhecem há mais de 20 anos, vão amadurecendo a ideia de abrir uma empresa juntas.

Animação também não falta para Nelma Póvoa, 63 anos. Viúva, ela procura manter, mesmo sozinha, um hobby que tinha com o marido, o de viajar. “A gente não pode parar!”, dispara ela.

Também pensa assim o procurador aposentado Jorge Saadi. Mesmo escondendo a idade, ele confessa que passou dos 60, mas tem cabeça de um jovem de 20 anos.

Limites

A turma sexagenária não fica parada vendo a vida passar. Tirando uma doença ou outra que costumam chegar com a idade, não há limites para os idosos, como destaca a geriatra Gabriela Bortolon.

“Você pode envelhecer e até ter algumas doenças ou pequenas limitações físicas, mas o mais importante é você estar ativo na comunidade, com independência para realizar suas atividades como viajar, dançar, ir ao cinema, teatro, sair com os amigos, fazer compras, organizar a casa, dirigir, cuidar das finanças, trabalhar, namorar e outras coisas que lhe dão prazer. Sou muito otimista, pois enxergo o envelhecimento como o ápice do amadurecimento da vida, das conquistas pessoais, da sabedoria e além de ser uma fase de maior oportunidade de curtir a vida e fazer aquilo que nos agrada mais”, comentou a médica.

A rotina de Hilka é superagitada. Ela, que tem duas filhas, uma com 30 anos, outra com 33, ainda se desdobra entre o trabalho na empresa dela, de consultoria ambiental, academia de ginástica, os programas culturais com as amigas e os cuidados com os pais.

O namorado, que ela conheceu na internet, não mora no Brasil. “Ele mora na Espanha. Estamos namorando à distância há 8 anos”, conta.

Planos

Passar mais tempo com o namorado é um dos planos que ela faz para um futuro bem próximo, quando conseguir abrir um negócio com a amiga, Mally.

“Estamos pensando em abrir uma confecção de moda praia. Seria por prazer mesmo. A ideia é levar uma franquia para Madri, onde está meu namorado”, revela.

Mally já se empolgou com o projeto: “Gosto de aprender coisas novas. E seria uma renda extra até”, diz ela, que era bióloga antes de se aposentar e também tem em comum com a amiga o gosto pelo esporte. “Adoro de caminhar, fazer trilhas. Faço academia e ainda dou aula de ioga duas vezes por semana.”

Vaidosas, Mally e Hilka mantêm o corpo tão em forma que é difícil acreditar que elas passaram dos 60.

“Não seguimos aquele estereótipo. Uso roupas coloridas, salto alto, maquiagem. Não saio de casa sem passar batom e rímel. Envelhecer não é um terror, mas é um processo, não tem como escapar. Mas tem como escolher como vai envelhecer. Temos que cuidar da saúde física e mental. Tem gente que se acomoda tanto que o espírito perde a jovialidade. A pessoa vai murchando. Não podemos ir murchando para a vida”, observa ela.

“Viajo até sozinha. Adoro excursão”

Nelma quase não para em casa e já escolheu o destino da próxima viagem
Nelma quase não para em casa e já escolheu o destino da próxima viagem
Foto: Edson Chagas

Viúva, aposentada, com duas filhas e duas netas e... o passaporte cheio de carimbos. Aos 63 anos, Nelma Póvoa se diverte só de contar sua rotina, que de tranquila não tem nada.

É que ela não anda parando muito em casa. Só no ano passado, foram sete viagens. Este ano, já saiu do Estado três vezes e começa a se organizar para o próximo passeio. Vai para Portugal no final do ano.

“Fiquei viúva aos 59 anos. Aí, vieram meus netos. Eu me doei a eles por dois anos. Depois me aposentei, parei de trabalhar. Foi então que comecei a viajar”, diz Nelma, que foi comerciante a vida toda.

É um hobby que ela tenta manter, mesmo sem marido. “A gente se dava muito bem, passeava muito. Sempre viajávamos juntos. Estou tentando continuar a fazer isso.”

Nelma admite que prefere a companhia das filhas e dos amigos para viajar. Mas se ninguém pode sair, ela vai sozinha mesmo, é claro.

Independente

“Não dependo de ninguém. Vou sozinha mesmo, em excursões. Gosto de poder escolher os locais que quero conhecer. Sou movida a música, a sol. Mas pode ser praia, lugar frio, não importa. Gosto de tudo. Sou animada”, revela.

Até quando está por aqui, em Vitória, Nelma dá um jeito de se divertir. Uma vez por semana, por exemplo, sai com um grupo de amigas à noite para bater papo. “É um grupo de seis amigas. Saímos toda quarta-feira, sem falta. Vamos para o boteco tomar uma cervejinha”, diz Nelma.

Apesar das perdas na vida, Nelma nunca se deixa abater. “Não deixo a depressão pegar em mim. Só de pensar em tomar remédio, já melhorei! Problema todo mundo tem. Mas é bola pra frente! Se estamos vivos, vamos ser felizes!”, anima-se ela.

“Eu me sinto com apenas 20 anos”

A idade ele não revela, só diz que está na casa dos 6.0. “Sempre que me perguntam, digo que me sinto com apenas 20 anos. E que vou viver mais uns 15 ou 20”, diz Jorge Saadi.

Mas uma coisa, porém, ele não esconde: o segredo de tanta vitalidade. “Valorizo cada momento da minha vida. Vivo cada dia como se fosse o último, mas nem por isso vivo de forma desregrada. Cultivo amizades. Cuido da saúde. E procuro fazer o bem aos outros.

Jorge Saadi, ao piano da sua casa: boa música e amigos sempre por perto
Jorge Saadi, ao piano da sua casa: boa música e amigos sempre por perto
Foto: Carlos Alberto Silva

Procurador aposentado, divorciado, pai de um casal de filhos, avô de dois netos, Jorge passa os dias fazendo o que gosta. “Adoro viajar, ler e reunir os amigos para tocar música”, conta ele, que é ligado às tecnologias e mantém um perfil em uma rede social.

Modesto, diz que “arranha” no piano e no violão. Mas admite que é bom mesmo em colecionar amigos. “É preciso saber conviver com as pessoas, aceitá-las, procurar ver nelas mais qualidades do que defeitos.”

Depois de uma vida de muito trabalho, ele se permite viajar sempre. Mas não se considera um bon vivant. “Não sou boêmio. Quase não bebo. Tenho que dar exemplo para os amigos e para a família”, frisa. Ele sabe que precisa estar inteiro para dar conta de tanta coisa: “Procuro fazer sempre os percursos à pé. Em vez de elevador, procuro descer pelas escadas”, comenta ele.