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Pessoas que reclamam demais tendem a se colocar como vítimas

O problema é quando essa mania faz vítimas, que podem ser o marido, a esposa, os filhos, o colega de trabalho... Alguém acaba "pagando o pato" diante do negativismo do chato

Pare de reclamar
Pare de reclamar
Foto: Shutterstock

O trânsito parado, a comida fria, um domingo nublado, um lugar barulhento, a falta de grana. Dá vontade de reclamar mesmo. Mas há quem faça dessa atitude um hábito diário, tanto que isso passa a ser um traço da personalidade da pessoa. Ou seja, o sujeito vira um “reclamão”.

O papa Francisco, que é conhecido pelo seu bom humor, deve lidar com gente assim. Tanto que resolveu brincar com a situação ao colocar uma placa na porta de seu quarto, na residência do Vaticano, com a frase: “Proibido reclamar”.

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A placa foi dada ao papa recentemente pelo psicólogo italiano e autor de livros de autoajuda Salvo Noe. Francisco prometeu a Noe que colocaria a placa em seu escritório para dar risadas. E ele cumpriu.

Conhecido pelo bom humor, Francisco mandou um recado aos queixosos
Conhecido pelo bom humor, Francisco mandou um recado aos queixosos
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A mensagem traz recomendações, em tópicos, e termina com a frase: “Pare de reclamar e dê passos para melhorar sua vida”.

O papa, com certeza, não quis mandar recado para todo mundo, afinal, há situações em que é preciso abrir a boca e protestar. “O que está em questão aí é aquela pessoa que está sempre reclamando de tudo”, comenta o psicólogo clínico Luiz Fernando Magalhães.

“É um estado de espírito que está associado a um sentimento de inferioridade, de fraqueza, de fracasso. Trata-se de uma pessoa hipersensível e que sempre se coloca no lugar de vítima. Ela é sempre a coitada”, observa ele.

PERIGO

Essa característica, segundo Magalhães, vira um perigo do ponto de vista emocional. “Para essas pessoas, a culpa daquela situação é sempre do outro. Nunca é por culpa de uma atitude dela. Esse traço a impede de enfrentar os problemas. É um lugar muito cômodo, que a livra da necessidade de reagir, de se esforçar para resolver algo”, destaca o psicólogo.

Placa na porta do quarto do papa: "Proibido reclamar"
Placa na porta do quarto do papa: "Proibido reclamar"
Foto: Reprodução/Site Vatican Insider

O problema é quando essa mania faz vítimas, que podem ser o marido, a esposa, os filhos, o colega de trabalho... Alguém acaba “pagando o pato” diante do negativismo do chato.

Para a psicóloga Giovana Jordão, o melhor, inicialmente, é não julgar o rabugento: “Ele pode nem se dar conta de que é assim”, comenta.

Mas se está difícil tapar os ouvidos para tanto “chororô”, mostre, com jeitinho, que a pessoa está extrapolando. “Vale falar com ela que essa negatividade não está te fazendo bem. E tentar convencê-la a mudar de assunto, falando de coisas mais agradáveis”, sugere Giovana.

Você pode tentar ajudar também: “Se a colega de trabalho vive se queixando de dor de cabeça, você pode aconselhá-la a tomar um remédio antes de sair de casa, por exemplo”, ressalta a psicóloga.

AUTOCONTROLE

Mas o ideal mesmo é o “reclamão” se dar conta de que precisa se controlar. “Se ele está no engarrafamento, por exemplo, reclamar não vai mudar nada. Ele pode até piorar a situação, se desconcentrar e sofrer um acidente. Tem que buscar um autocontrole da mente, buscar algum refúgio e se concentrar no que está fazendo, e não nas adversidades”, diz Giovana.

O “reclamão”

Outro foco

Está no meio de uma situação incômoda, como a fila do banco? Tente o autocontrole da mente, busque refúgios. Reclamar não vai mudar a situação e pode até piorá-la porque, ao ficar se queixando, você vai se irritar ainda mais.

Positivismo

Tente ficar próximo de pessoas mais positivas. Gente negativa pode estimular mais e mais reclamação.

Procure ter mais gratidão pelas coisas

Mude

Encare uma mudança na forma de ver a vida ou você sempre vai ter uma desculpa para não resolver os problemas.

Os outros

Sem julgar

Tente não julgar. Muitas vezes, ele não se dá conta de que é assim. Quando ele resmungar, mude de assunto. Ou ofereça ajuda para o problema que o incomoda tanto.

Ajuda amiga

Tem hora que dá para ignorar. Mas se o “reclamão” está sempre por perto, dê um jeito de falar com ele. Sem apontar o defeito. Tente ajudá-lo s superar. Faça-o perceber o problema. Diga, por exemplo: “Olha, fulano (a), já percebeu que está sempre falando disso?”

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