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Do pai patrão ao pai afetivo: qual mais se parece com você? 

Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, já não basta ser o 'patrão' da casa. O afeto, que já existia, ganhou espaço nas atribuições de pai. Mas como lidar com essa realidade?

Dia dos Pais, pais e filhos
Dia dos Pais, pais e filhos
Foto: Pixabay

As relações sociais mudaram e o papel de pai se transformou nos últimos anos. O homem, mais autoritário e antes o único responsável pelo sustento da família, se viu em uma nova função: participar de maneira integral da formação dos filhos. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, já não basta ser o 'patrão' da casa, aquele que é respeitado e paga as contas. O afeto, que já existia, ganhou espaço nas atribuições de pai. Mas como lidar com essa nova realidade?

A psicóloga Gina Strozzi ajuda a entender. Segundo a especialista, o novo pai é um homem que tem acesso ao mundo afetivo dos filhos, porque, antes, havia uma divisão entre mundo do patrimônio (pagar mensalidades do colégio, escolas de línguas, esportes e planos de saúde) e o mundo dos sentidos (cuidado com a higiene, tarefas da escola, alimentação, festas de aniversário, rezas antes de dormir, conversas sobre aflições e necessidades dos filhos).  

"Um bom pai é aquele que entende que a vida dele será um espelho pra seus filhos", diz a psicóloga Gina Strozzi
"Um bom pai é aquele que entende que a vida dele será um espelho pra seus filhos", diz a psicóloga Gina Strozzi
Foto: Reprodução/Instagram

"Mas hoje há um encontro entre esses conteúdos, que gera uma oportunidade ímpar dos pais adentrarem no universo riquíssimo e, por que não dizer, complexo de cada filho. Ganhamos intimidade, profundidade nos diálogos e uma capacidade de vínculo nunca antes dada (permitida) ao pai", afirma. 

Como agir

Para desempenhar bem essa função tão importante, Gina sugere: "Um bom pai entende que a vida dele será um espelho para seus filhos. Sim, o bom pai não dita o que é certo ou errado, mas faz o certo e usa isso como modelo para o filho seguir na vida." 

E se você é um homem criado com pai no estilo 'patrão' e frio, sempre é hora de ser melhor. "Altere o seu destino. Perdoe a frieza do seu pai e se proponha a não permitir que seu filho passe e sofra por esse desalento. Comece em você um novo ciclo de vida afetiva e amorosa", orienta Gina. 

O grau de intimidade e afeto que os pais transmitem aos filhos é chamado de herança afetiva. "Essa herança é passada por atitudes do dia a dia feitas ou não, como pelos muitos beijos dados na infância, pelos olhos brilhando ao buscar a criança na escola ou pelo tempo gasto andando de bicicleta, por exemplo."

Abaixo, a psicóloga selecionou alguns sinais para ajudar a reconhecer o tipo de pai que mais se parece com você, lembrando que os homens podem ter um perfil dominante. Mas não significa que o tempo todo eles ajam assim.   

Pai patrão (autoritário): mais limites e menos amor

O pai patrão é dominador e impõe controle parecido com o de militar
O pai patrão é dominador e impõe controle parecido com o de militar
Foto: Pixabay

Características:

– Preocupado com submissão e obediência extremas.

– Inflexível. A obediência é mais importante que as relações.

- Insensível. Requer obediência sem considerar opiniões, sentimento ou necessidade dos filhos.

– Dominador, severo, controle parecido com o militar.

Consequências: esse comportando do pai gera filhos muito submissos, sem autonomia e independência de pensamento. Ou filhos delinquentes, que negam totalmente a autoridade que o pai tentou impor à força.

Pai permissivo: mais amor e menos limites

O pai permissivo deixa o filho mimado
O pai permissivo deixa o filho mimado
Foto: Pixabay

Características:

- Não coloca limites no comportamento dos filhos e tende a deixá-los fazerem o que querem, não por falta de interesse, mas para que o filho fique contente.

- Está mais disposto a agradar o filho. Geralmente, permite que tome muitas decisões e escolha sozinho sem sua supervisão ou direção.

Consequências: gera filhos mimados e cheios de soberba.

Pai negligente: menos amor e limites

O pai negligente não corrige o filho até se ver obrigado e irritado
O pai negligente não corrige o filho até se ver obrigado e irritado
Foto: Pixabay

Características:

- É o pai que não tem muito interesse e não se dedica à educação dos filhos.

– São frios, distantes, despreocupados e não se comprometem.

– Mantêm relações por reação e não por princípios.

– Não corrigem seus filhos até se verem obrigados e irritados.

Consequências: geram filhos que vão reproduzir o modelo de distância e afastamento.

Pai participativo e acolhedor: ama e educa na mesma medida

O pai participativo da afeto e atenção às brincadeiras, aos jogos e às diversões
O pai participativo da afeto e atenção às brincadeiras, aos jogos e às diversões
Foto: Pixabay

Características:

- Pai que participa das tarefas domésticas dos filhos: tem dia para pegar na escola, fazer tarefa juntos, vai à reunião de pais, leva a festas, da banho, oferece comida...

- O pai acolhedor é aquele que sabe seu lugar de autoridade, mas permite ao filho expressar seu pensamento e ideias com autonomia e legitimidade. Da afeto e atenção às brincadeiras, aos jogos e às diversões.

Consequências: gera filhos participativos e afetuosos, obedientes e com autoestima elevada.