Notícia

Confira oito grutas para você visitar e desvendar no Espírito Santo

Os locais são um bom exemplo de como o turismo no Estado pode ser explorado

Gruta do Limoeiro, em Castelo
Gruta do Limoeiro, em Castelo
Foto: Fernando Madeira

O Espírito Santo tem lugares lindos que, muitas vezes, os capixabas nem fazem ideia. Quem mora na região, até conhece, mas é preciso que todos possam desvendar essas belezas. As grutas são um bom exemplo de como o turismo no Estado pode ser explorado. Por isso, o Gazeta Online selecionou oito opções na Grande Vitória e no Interior para você conhecer. 

Uma delas é a Gruta do Limoeiro, Patrimônio Histórico do Espírito Santo, que fica em Castelo, na Região Sul. O local foi desbravado pela equipe de A GAZETA durante o projeto Rota Imperial em 2016. Só para você ter uma ideia, a gruta é o maior sítio arqueológico do Estado. Lá foram encontrados esqueletos de 11 índios que viviam na região há, pelo menos, 4.500 anos. 

Leia mais:

- Imponentes, lindas e cheias de história. Conheça as igrejas do Estado

Outro destino é Iúna, na Região do Caparaó. Visitantes de diferentes lugares do Brasil vão à Gruta Água Santa em busca das águas da Fonte de Santa Luzia. Segundo a crença popular, o líquido tem poderes milagrosos.  

Na Grande Vitória, a Gruta Frei Pedro Palácios e a Gruta da Onça são pequenas em tamanho, mas gigantes em história. A primeira era a moradia do fundador do Convento da Penha e a segunda está dentro de um parque, onde o visitante pode ir ao Morro do Vigia que, como o nome já sugere, foi um ponto de vigilância contra os piratas que tentavam invadir a Baía de Vitória. Conheça os locais abaixo:

Castelo

1 - Gruta do Limoeiro

Gruta do Limoeiro em Castelo
Gruta do Limoeiro em Castelo
Foto: Gabriel Lordêllo/ Mosaico Imagem/Divulgação Governo do Estado

Antes de chegar ao Centro de Castelo, cerca de 15 quilômetros da sede, vale a pena visitar a Gruta do Limoeiro. O local é tombado desde a década de 1980 como Patrimônio Histórico do Espírito Santo e é o maior sítio arqueológico do Estado. No local foram encontrados esqueletos de 11 índios que viviam na região há, pelo menos, 4.500 anos. Pois é, a gente também não fazia ideia.

A região da gruta é bem acessível para carros e tem estrutura com auditório, exposição de fotos antigas e informações sobre o local. Também há lojinha de artesanato e lanchonete. Ou seja, o visitante pode ir despreocupado com relação a alimentação. Pode demorar à vontade.

A Gruta do Limoeiro impressiona já na entrada. Um paredão medindo 70 a 80 metros de altura e com cor alaranjada já mostra, ainda do lado de fora, várias camadas de rochas de diversas épocas diferentes. E acredite: mesmo estando bem longe do mar, a gruta tem em suas paredes diversas conchas e corais, um forte indício de que seus salões internos foram esculpidos em algum momento pelas águas do mar.

Do lado de dentro, os caminhos vão se estreitando. Mas à medida que o acesso fica mais difícil, também aumenta a recompensa quando conseguimos alcançar algum dos quatro grandes salões. São lindos, com algumas rochas translúcidas (encostando uma lanterna na rocha, a luz ilumina o interior da pedra) e outras pedras que têm formatos curiosos, lembrando animais. Mas tudo esculpido pela própria natureza!

As visitas são monitoradas e devem ser agendadas pelo telefone, de terça a domingo, de 9h às 16h, no Paiol da Gruta. Sábado e domingo o horário de funcionamento é de 9h às 17h. 

Contato: (28) 99986-1542

Irupi

2 - Gruta São Quirino

Gruta São Quirino
Gruta São Quirino
Foto: Ricardo Medeiros

Irupi abriga a história da guerrilha do Caparaó, entre 1966 e 1967. Foi em regiões como a Gruta São Quirino que guerrilheiros se abrigavam e escondiam das buscas efetuadas por soldados do governo. Na mesma gruta, hoje, estátuas ajudam a contar a história da tentativa insurgente contra a ditadura militar. 

A Gruta São Quirino fica a cinco quilômetros da sede de Irupi. A formação rochosa tem dois ambientes, um deles com mais de 92 metros de largura.

Contato: (28) 3548-1101 - Prefeitura de Irupi

Iúna

3 - Gruta Água Santa

Além das belezas naturais, Iúna abriga um dos pontos turísticos ligados à religiosidade mais procurados no Estado, a Gruta Água Santa. Localizado nos arredores do Centro do município, o local recebe visitas por parte de quem confia nas águas da Fonte de Santa Luzia para curar enfermidades. "Vem gente de todo lugar para pegar um pouco da Água Santa e também para atravessar a Pedra do Pecado", garante o advogado e historiador José Olímpio de Almeida.

A história conta que o missionário capuccino Bento de Gênova, que ajudou a colonizar o povoado de Rio Pardo (hoje Iúna), desapareceu após aparentar uma doença. "Ele sentia que iria morrer e decidiu se isolar. Chegando a um local de mata fechada e com uma nascente à beira das pedras, ele resolveu ficar uns dias repousando. Comeu os frutos e tomou a água e melhorou rapidamente. Quando voltou ao povoado curado, as pessoas começaram a dizer que a água era milagrosa", conta.

Mas o frei voltou a ficar enfermo e desapareceu novamente. O corpo foi encontrado após muita procura, dentro de uma fenda muito estreita entre duas pedras, a poucos metros de onde havia tomado a tal água milagrosa dias antes. "Resultado: começaram a dizer que a fenda também era milagrosa. Apesar de estreita, é possível uma pessoa passar em pé. Aí começou a ser espalhada a informação de que quem se arrependesse de suas culpas e conseguisse atravessar o pequeno caminho três vezes seguidas teria os pecados perdoados por Deus".

Foi o bastante para que a notícia se espalhasse e pessoas dos mais variados locais buscassem a Água Santa e a Pedra do Pecado para tratar doenças e tentar se arrepender dos pecados. Mas o historiador conta que a fenda, de pouco mais de um palmo de largura, não é atravessada só por magrinhos. "A fé do outro não se discute, se respeita. Passa gente magra, passa gente gorda. A medida é a fé da pessoa. É um mistério que ninguém entende. O gordo passa apertado pela pedra. Mas gente magra também passa apertado", afirma José Olímpio.

No santuário há também a Gruta dos Milagres, onde ficam guardados os ex-votos, que são objetos oferecidos depois de uma graça alcançada.

A Água Santa funciona de quarta a domingo, das 8h às 17h. Todo dia 13 de cada mês acontece missa no local, às 7h. E, em 13 de dezembro, quando se comemora o dia da santa, há missas durante todo o dia. 

Contato: senhor Jessi (28) 99942-1740

Mantenópolis

4 - Gruta Nossa Senhora das Dores

A Gruta Nossa Senhora das Dores, construída em 1962, é uma réplica da Gruta de Massabielle na França. Fica na Avenida Presidente Vargas, Centro. Ao lado da Prefeitura Municipal. O horário de visitação é livre.

Contato: (27) 3758- 1325 - Paróquia Nossa Senhora das Dores

Marechal Floriano

5 - Gruta Nossa Senhora de Lourdes

Local de residência do primeiro colonizador do distrito e abrigo para os colonizadores, hoje a gruta guarda a estátua de Nossa Senhora de Lourdes, protegida dentro de um abrigo de madeira. Ao seu lado, há uma placa com os dizeres: “Aqui descansavam os heroicos fundadores de Santa Maria”. A gruta tem altura média de 1,70 m e profundidade máxima de 2 metros. Ela fica na Rodovia Francisco Stockl, km 03, Santa Maria de Marechal, Marechal Floriano-ES. O local é aberto e próximo à rodovia.

Contato: (27) 3288-1419 – Secretaria de Turismo da Prefeitura

Vila Velha

6 - Gruta do Frei Pedro Palácios

Gruta Frei Pedro Palácios
Gruta Frei Pedro Palácios
Foto: Prefeitura de Vila Velha

Ela é pequena e pode passar despercebida, mas faz parte da história do ponto turístico mais famoso do Estado, o Convento da Penha. A

Gruta do Frei Pedro Palácios

fica ao lado do antigo portão de acesso à Ladeira da Penitência. O nome da gruta vem do fundador do Santuário de Nossa Senhora, que chegou ao Estado em 1558 e encontrou abrigo na gruta de pedra.

Diz a história que depois de pisar em solo firme na Capitania do Espírito Santo, Frei Pedro Palácios desapareceu. Dias depois, seus companheiros de viagem resolveram procurá-lo e só depois de três dias o encontraram no sopé da montanha, junto à praia, ao lado esquerdo de quem entra pelo portão da ladeira. (Com informações do Convento da Penha)

Contato: 3329-0420 Convento da Penha

Vitória

7 - Gruta da Onça

Gruta da Onça
Gruta da Onça
Foto: Guilherme Ferrari/Arquivo A Gazeta

É uma gruta pequena e dentro dela há uma nascente. A história diz que cinco índios adentraram a mata com a intenção de beber a água de uma das nascentes de onde hoje é o Parque Municipal Gruta da Onça e foram atacados por uma onça. Um deles morreu. O restante do grupo se salvou, inclusive o padre jesuíta André Martins que relatou o fato ocorrido em maio de 1623. Essa história foi resgatada do livro do Tombo de Portugal. Daí originou-se o nome do parque, criado em 1988.

Uma das opções de passeio dentro do parque é o Morro do Vigia, que era utilizado para a proteção da Baía de Vitória contra os piratas. Lá do alto, um vigia avistava a chegada de possíveis invasores e avisava ao outro vigia que ficava no Morro do Moreno, em Vila Velha. Quando esses piratas invadiam a Baía de Vitória, se deparavam com um correntão, que ligava o Forte São João ao Penedo, com o intuito de não permitir a entrada dos invasores. Acredita-se que essa comunicação entre os vigias era feita com fumaça e espelhos.

Os visitantes chegam ao parque pela Rua Barão de Monjardim, que fica perto da Casa Porto das Artes Plásticas, no Centro de Vitória. A entrada é gratuita, mas, no local, é possível contratar os serviços dos condutores ambientais, que desenvolvem atividades de condução de visitantes das 8h às 16h30, de terça-feira a domingo, com opção de duas trilhas. Para conhecer o parque com os condutores, custa R$ 10,00 por pessoa. Já para ir ao Morro do Vigia, o valor é de R$ 20,00 por pessoa.

O horário do funcionamento do parque é das 8h às 17h, de terça a domingo.

Contatos: Agendamento para visita monitorada - (27) 3132-1712. Agendamento de Condutores de Ecoturismo - (27) 99839-3629 ou no momento da chegada ao parque. Administração - (27) 3132-7290.

Guarapari

8 - Gruta Sant’Ana

Gruta Sant'Ana
Gruta Sant'Ana
Foto: DivulgaçãoSectur

Também conhecida como Grutinha, localizada na Ladeira Dom Cavati, na subida do morro da antiga matriz, foi construída em 1942 pelo senhor Joaquim Leopoldino Lopes. Construída em pedra, ficou abandonada por muitos anos, desfazendo-se em ruínas. Foi restaurada e entregue à comunidade local no dia 18 de setembro de 1991, como Patrimônio Afetivo do Município. Atualmente a Gruta de Sant'Ana está conservada e ganhou uma escadaria que facilita o acesso dos visitantes.

Contato: (27) 3262-8759 - Secretaria de Turismo da Prefeitura

Com informações da Secretaria de Turismo do Estado, prefeituras citadas na matéria e do jornalista Léo Soares.