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Onda latina invade as pistas e aulas de dança na Grande Vitória

Nas academias de danças, os tão adorados estilos como funk e axé agora dividem as atenções com os ritmos latinos

Festa em ritmo latino vira moda
Festa em ritmo latino vira moda
Foto: Carolina Giraldo

O ritmo latino explodiu e não tem quem não arrisque o “portunhol” na hora que toca “Despacito” na pista de dança. O reggaeton, estilo musical que tem raízes na música latina e caribenha, tem como carro-chefe a música-chiclete de Luis Fonsi e Daddy Yankee, que ganhou uma versão do popstar Justin Bieber e conquistou fãs ao redor de todo o mundo. E em Vitória não é diferente. Quem garante é o DJ colombiano Kevin Hernandez Ossa, que comanda o som em festas latinas por aqui e chega a tocar o hit até cinco vezes em uma noite. “Eu tento não tocar mais que isso. Mas ela não pode faltar no setlist”, entrega. Junto a ela, hits de artistas estrangeiros como Maluma e Shakira, que estão fazendo todo mundo dançar.

Há três anos, quando o ritmo ainda era desconhecido do grande público, um grupo de amigos colombianos que mora em Vitória começou a se reunir para fazer uma festa ao estilo colombiano. Com o 'boom' do estilo musical, o evento, que acontece uma vez por mês, agora vive lotado de brasileiros e 'gringos', curiosos e amantes dos ritmos ‘calientes’. "Sentíamos saudades da nossa cultura e do nosso estilo de festa. Queríamos um lugar na praia e achamos um quiosque para realizar o encontro. O dono aceitou a nossa ideia, mesmo sem ter certeza do que aconteceria na festa. O convite chegou para os amigos colombianos, eles espalharam o convite para brasileiros e para o povo latino em geral”, explica o colombiano Nicolas Valencia, um dos organizadores do evento.

A festa é também um encontro de várias nacionalidades. “Em Vitória tem mais latinos hispanos do que imaginam. Na festa sempre tem argentinos, mexicanos, colombianos, peruanos, cubanos e ‘hermanos’ da América Central e Caribe”, diz Nicolas. Mas os brasileiros também frequentam em peso, como a estudante de mestrado da UFES Marina Girolimetto. “Comecei a frequentar festas latinas em abril do ano passado. Eu conhecia pouquíssimo os ritmos e confesso que não gostava muito de espanhol. Só tinha escutado músicas românticas que faziam sucesso em novelas brasileiras e Shakira", conta.

Mas não foi só Marina que se rendeu ao reggaeton e aos outros ritmos como cumbia e salsa. Artistas como Anitta, Claudia Leitte e Luan Santana também se lançaram nessa onda. “Acho que a parceria entre Anitta e Maluma deu um impulso maior ao reggaeton no Brasil. Antes, os artistas brasileiros tentavam fazer uma adaptação, agora estão investindo pesado e tem cada vez mais cantores brasileiros querendo fazer reggaeton', diz o DJ Kevin.

Nas aulas de dança

A venezuelana More Fernandez ensina passos para brasileiros e outros estrangeiros nas festas da cidade
A venezuelana More Fernandez ensina passos para brasileiros e outros estrangeiros nas festas da cidade
Foto: Carolina Giraldo

Nas academias de danças, os tão adorados estilos como funk e axé agora dividem as atenções com os ritmos latinos. Professor de Fit Dance, Léo Cheroto teve que incluir as canções do momento nas suas aulas e nas festas que organiza. “Na aula e nas boates, não tem como deixar de fora. Organizamos festas em que vamos para o palco ensinar os passos da dança em boates e tem que ter coreografia das músicas latinas mais famosas”, diz. Mas nem só de reaggaeton vive nossos países vizinhos. A salsa, o merengue, cumbia e kizomba são outros ritmos que dão o tom nas festas e aulas de dança.

A venezuelana More Fernandez mora no Brasil há três anos. More, que veio em busca de uma melhor qualidade de vida, teve dificuldades na adaptação logo no começo. “Foi tenso porque eu dançava de segunda a segunda lá em um corpo de baile. Dancei outros ritmos aqui, como gafieira, zumba, mas não tinha onde dançar o que eu sabia”, conta. Com a explosão do ritmo latino, More agora se sente em casa nas festas e se encarrega de ensinar os passos para brasileiros e outros estrangeiros que ainda não conhecem os movimentos. “Comecei a frequentar, depois passei a organizar e ensinar as coreografias. Mas além de brasileiros, já conheci holandeses, peruanos e, claro, muitos venezuelanos. No início, muitos brasileiros acham difícil dançar ritmos como a salsa, mas é só praticar. E com essa moda latina acabo matando a saudade da minha terra ”, diz.