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100 mil litros de combustível apreendidos em investigação de fraude

A informação é do Superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP, Francisco Nelson Neves

100 mil litros de combustíveis foram apreendidos esta semana no Espírito Santo em virtude da Operação Lídima para desarticular uma organização criminosa que atua no setor de combustíveis. Segundo o Superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP, Francisco Nelson Neves, as atividades de uma distribuidora também foram suspensas até a apuração final dos fatos. 

Segundo as investigações, o grupo tinha atuação voltada na fabricação clandestina, distribuição ilegal e comercialização de combustível adulterado. A gasolina comercializada pelo grupo era "batizada" com um solvente de uso proibido, com o objetivo de diluir mais o produto e, assim, obter mais lucro.

O combustível adulterado era vendido no ES, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso. Quem abasteceu nos postos envolvidos teve prejuízos como gasto maior, pois o combustível adulterado acaba mais rápido, além de possíveis danos no motor do veículo. A operação também apura a participação de usinas e postos no esquema.

Na Serra, em um bairro não citado pelas autoridades, pessoas envolvidas no esquema de fraudes nos combustíveis usavam um espaço como base para receber os caminhões-tanque. Dali saía parte da mercadoria adulterada que era destinada aos consumidores da Grande Vitória, segundo o promotor de Justiça Bruno Simões Noya, chefe do Grupo de Atual Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os outros pontos do Estado onde ocorriam as modificações, no entanto, não foram revelados.

O que os responsáveis pelas investigações contam é que as manipulações dos combustíveis ocorriam muitas vezes dentro do caminhão com a injeção de água, por exemplo, ao etanol anidro (álcool puro), que tinha a finalidade de ser misturado à gasolina. Em algumas ocasiões, as manipulações ocorriam no trajeto, após sair da distribuidora ou da usina de álcool.

De acordo com o delegado Raphael Ramos, coordenador do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), ainda não é possível dizer quais corporações estão no centro dos esquemas.

Outra combinação encontrada nas apurações foi do uso irregular do nafta, um derivado do petróleo muito presente na gasolina.

De acordo com o delegado da Alfândega do Porto de Vitória, Fabrício Betto, as mercadorias chegavam ao Estado com destino à indústria química, de tintas e verniz, não sendo nacionalizadas para serem utilizadas misturadas aos combustíveis.

Com isso, não eram aplicados na venda os impostos e taxas cobrados na gasolina, como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-combustíveis).

Durante as fiscalizações da ANP foram encontradas gasolinas com traços dessas naftas importadas.

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