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Barragem da Samarco 'nasceu doente', diz delegado da PF

Afirmação é do delegado federal Roger Lima de Moura

Barragem de Fundão em Mariana, Minas Gerais, já foi construída sem seguir na íntegra o que estava no projeto. Esta é a conclusão do inquérito divulgado pela Polícia Federal nesta quarta-feira (22), na sede da instituição, em Vila Velha, na Grande Vitória. Além disso, responsável pelas investigações, delegado federal Roger Lima de Moura, desde 2010 a direção da mineradora já tinha conhecimento dos riscos de rompimento e omitiu as informações do poder público para não perder o licenciamento ambiental e, consequentemente, prejudicar a produção.

“Uma barragem doente, desde o início da construção ela já apresentou prolemas. No primeiro alteamento do projeto já foi utilizado material diferente do que constava do projeto. Por exemplo, no projeto estava previsto para a construção das primeiras galerias de drenagem uso de brita e rocha e foi usado resto de minério fino e resto de minério”, afirmou o delegado.

O inquérito mostra que mesmo diante do aumento na produção, houve uma redução no orçamento na área de georreferenciamento em 29%, setor este que investiria em infraestrutura das barragens, de acordo com Roger Lima de Moura. “A empresa tinha total conhecimento dos problemas que essa barragem vinha apresentando desde sua construção, das reformas que foram feitas sem projetos. Além disso, aumentou a produção utilizando a mesma barragem que já era problemática e acima do que permite as normas técnicas”, detalhou.

O relatório conclui que uma série de irregularidades contribuíram para o desastre ocorrido em novembro de 2015 que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e atingiu mais de 40 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, matando 18 pessoas e deixando uma desaparecida.

Diversos documentos que asseguravam a estabilidade técnica da barragem estavam desatualizados, alguns há mais de três anos. Em alguns casos a mineradora optou por não seguir recomendações de empresas de consultorias que chegaram a sugerir intervenções no local. A empresa VogBR foi então contratada e declarou que a barragem estava estável.

Neste inquérito, que seguirá para o Ministério Público Federal (MPF) oito pessoas foram indiciadas. O ex presidente da mineradora, Ricardo Vescovi; o diretor de operações, Kleber Terra; Gerente geral de projetos, Germano Lopes; gerente de operações Wagner Alves; gerente, Daviely Rodrigues da Silva e o coordenador de planejamento e monitoramento, Wanderson Silvério, da Samarco. Além desses, o gerente de usinas da Vale, Rodrigo de Melo e o engenheiro da VogBR, Samuel Paes, também foram indiciados. 

Outro lado

Por meio de nota, a Samarco informou que repudia qualquer alegação de conhecimento prévio de risco de ruptura na Barragem de Fundão (Mariana, Minas Gerais). A empresa informa ainda que continuará prestando todos os esclarecimentos devidos nos autos do processo.

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