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"Fantasma" do racionamento assombra o Espírito Santo

Rio Doce, no Norte do Estado, chegou ao nível zero de vazão, sendo o pior da história, e a situação do Rio Jucu, na Grande Vitória, também é gravíssima

O capixaba já percebeu que, nos últimos meses, choveu mais do que o normal para o período. Mas essa chuva foi mais acentuada no litoral do Espírito Santo e não foi suficiente para aumentar a vazão dos rios que abastecem a população em vários pontos do Estado. A torcida é para que neste mês de outubro as precipitações continuem, apesar de o período ser tradicionalmente marcado pela falta de chuva. Escapar da estiagem é necessário para que o capixaba não passe pela mesma situação critica de racionamento vivida em 2016.

Enquanto isso, a situação é preocupante na Grande Vitória e no interior. Três municípios Itaguaçu, Itarana, e Conceição da Barra, já estão com racionamento de água. O Rio Doce chegou ao nível zero de vazão, sendo o pior da história, e a situação do Rio Jucu também é gravíssima. O presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Leonardo Deptulski, pede que as pessoas façam uso consciente da água. Em meio a expectativa de chuva, segundo ele, algumas barragens estão em funcionamento, mas a do Rio Jucu só será entregue em 2019. Com isso, caso não chova o risco de racionamento não esta descartado.

RIO DOCE

O Rio Doce já está seco e com inúmeros bancos de areia. Leonardo Deptulski garante em entrevista ao programa CBN Vitória, nesta segunda-feira (2), que o Estado teve um nível de chuva melhor que ano passado, principalmente no mês de julho que foi o melhor dos último 30 anos, mas ela ficou concentrada no litoral e nas cabeceiras dos rios a chuva foi menor, principalmente nas regiões Norte e Noroeste. Para agravar a situação, segundo o presidente da Agerh, o Estado saiu de longo período de seca e "quando a chuva cai, com a terra muito seca, ela não chega da forma devida aos lençóis. E quando falta água, o produtor, por necessidade, usa a água que ainda tem para irrigação" - clique ouça a entrevista completa.

Ele alerta que o Rio Doce passa pela pior situação dos últimos 50 anos, chegando ao nível zero, menor vazão da historia. A cidade de Colatina já fez o decreto de emergência e tem dificuldade de captação porque a água fica muito espalhada ao longo do rio.

RIO SANTA JOANA

Em Itaguaçu, Itarana, e Conceição da Barra, cidades já com racionamento de água, a situação é crítica. Itaguaçu e Itarana são os municípios mais atingidos e a Agerh está acompanhando de perto a bacia do Rio Santa Joana. que abastece as duas cidades. Em Conceição da Barra o problema é salinização que impede o consumo e a Cesan está captando água em poços.

RESTRIÇÃO

Segundo Leonardo Deptulsk, já foi necessário voltar com a restrição de captação de água para não chegar ao colapso. Produtores rurais e indústria só podem captar água à noite. De dia, só é liberado para o consumo humano e para animais. A resolução é por tempo indeterminado. O objetivo é reservar a água que ainda existe.

RIO JUCU

Sobre o Rio Jucu, que abastece a região Sul da Grande Vitória, a última semana gerou preocupações. Pelo Acordo de Cooperação do Jucu, a vazão de alerta é de 5.300l/s. Mas no dia 25 de setembro, atingiu 5.100/s. Deptulski afirma que neste domingo (1º) a vazão melhorou um pouco e passou para 6.000l/s, mas já esta no limite de alerta. Ele reforça a importância do consumo consciente que gerou 20% de economia no ano passado.

BARRAGEM DO RIO JUCU

A situação da parte Sul da Grande Vitória já está encaminhada com a construção da barragem do Rio Jucu. Leonardo Deptulski afirma que o projeto e o licenciamento já estão em curso. Nas outras regiões da Grande Vitória já existe o sistema de barragem do Rio Santa Maria Vitória, com capacidade de armazenar 26 milhões de m³.

A Cesan está acelerando as obras para a barragem do Rio Jucu, que foi antecipada, e será fundamental para consolidar a segurança hídrica, mesmo em grandes períodos de estiagem. A previsão é de que seja concluída no final de 2019. Segundo o presidente, “essa é uma obra que depende desapropriações, licenciamentos, e não é uma obra de fácil execução. Ao longo desses dois anos, o governo estadual precisará trabalhar com a economia e monitoramento da vazão dos rios”.

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