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Referência mundial em clima: metade do ES pode virar semiárido

Estado pode enfrentar ainda mais problemas com pouco volume de chuvas e baixa umidade do ar

Seca no Estado
Seca no Estado
Foto: Arquivo

Se os países do mundo não conseguirem reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, uma das consequências para o Espírito Santo é uma mudança drástica no clima do Estado.

Referência internacional em climatologia, o pesquisador Carlos Nobre alertou que metade do Estado, que inclui as regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo, pode ganhar características do semiárido nordestino até a segunda metade do século XXI, com pouco volume de chuvas e baixa umidade do ar.

"Nós cenários mais drásticos de emissão dos gases, que é o que não desejamos, metade do ES vira semi-árido", afirmou o pesquisador, que é PhD em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Nobre explicou que o clima do Estado varia muito porque ele recebe influência subtropicais e do Nordeste, mas que os pesquisadores têm observado um aumento de fenômenos extremos, principalmente a seca, nas últimas décadas.

Nos últimos anos, o Espírito Santo enfrentou uma das maiores crise hídricas de sua história.

"O que mais preocupa é saber até que ponto uma tendência ao clima se tornar mais árido do Nordeste vai migrar para o sul", disse.

Carlos Nobre participou da cerimônia de assinatura do termo para implantação do Centro de Estudos Climáticos Avançados do Espírito Santo, que vai investigar as causas de mudanças climáticas no Estado, como tempestades, excesso de calor e a seca. O pesquisador vai coordenar o centro, que tem previsão de iniciar as atividades no segundo semestre de 2018. A participação dele foi viabilizada pela Vale, que vai aportar recursos de R$ 700 mil.

Segundo o diretor técnico da Fapes, Rodrigo Ribeiro, o centro vai realizar pesquisas que unem o clima às diversas áreas de estudos, como agricultura, logística e saúde. Entre as frentes de trabalho, os estudos vão buscar alternativas para os agricultores enfrentarem as mudanças climáticas, como o cultivo de alimentos resistentes à seca.

"O centro vai permitir que conhecimentos que sejam angariados podem ser revertidos para solução de problemas e direção de decisões de gestão", conta. 

O centro é uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), a Vale e Ufes. Cada instituição vai entrar com determinada quantidade de recursos. O total de investimentos é da ordem da ordem de R$ 1,3 milhão.

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