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Macas, termômetros e água: o que falta na US onde médico se revoltou

Médico se irritou com as condições de trabalho e quebrou cadeiras e gavetas

O médico Gustavo Legey fala sobre as condições de trabalho no posto de Jardim América
O médico Gustavo Legey fala sobre as condições de trabalho no posto de Jardim América
Foto: Caíque Verli

Faltam macas, aparelhos para medir pressão, termômetros e até água. O básico está em falta na Unidade Básica de Saúde de Jardim América, em Cariacica, onde o médico Aurédio José do Couto, de 71 anos, se revoltou com as condições de trabalho e quebrou cadeiras e gavetas. Esse é o relato de pacientes e outros médicos que atendem no posto.

A Prefeitura de Cariacica afastou o médico por 60 dias e a Polícia Civil abriu inquérito para apurar o dano ao patrimônio público. Mas, no posto, o clima era de solidariedade ao médico afastado.

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A dona-de-casa Ana Maria Vieira é uma das pacientes dele. Ela elogiou o atendimento de Aurédio e contou que na sala do médico falta pia para ele lavar a mão. "Veja a bagunça que está aqui nesse Centro de Saúde. Sempre ele tendo que mudar de sala, sem uma pia para lavar a mão, sem papel para escrever. Qualquer funcionário tem que ter suas ferramentas de trabalho e um ambiente ideal".

Nos consultórios que têm pias, elas estão com defeito. Não tem água nem para o médico esterilizar os materiais, como relatou a doméstica Ilda Jesus."A gente tem aqui otorrinolaringologista, mas me consultei hoje e a médica não tem como fazer uma limpeza no meu ouvido porque ela não tem como esterilizar o material, não tem água", lamentou.

E o Aurédio não é o único médico insatisfeito. Gustavo Legey, que trabalha no posto desde 2012, disse que falta maca e até receituário. "Às vezes falta receituário. A gente tem que improvisar. Já fiz receitas no verso de outros documentos", contou.

A Prefeitura de Cariacica assegurou que abasteceu a unidade com todos materiais básicos que foram solicitados no almoxarifado da secretaria da Saúde. A secretária de saúde, Stéfane Legran, admitiu que o posto enfrenta problemas de estrutura por estar de reforma - uma obra que vai custar R$ 1,5 milhão - e disse que a Prefeitura abriu uma licitação para comprar macas. "Nós enfrentamos uma série de dificuldade, mas. Nós somos o município com a menor renda per capita do Estado. Nós decidimos manter o funcionamento com as obras para não prejudicar a população. Para a época em que foi construída, a unidade era ideal e moderna", justificou ela.

Ela disse que vai apurar se houve mesmo falta de equipamentos, como abaixador de língua e termômetro, e de quem são as responsabilidades pelo transtorno. 

Cesan diz que não há desabastecimento na Unidade

Por nota, a Cesan informou que não há registro no sistema da Companhia de reclamação de falta de água na unidade de saúde no último mês. Disse também que unidades de saúde são consideradas prioritárias e a Cesan envia o carro-pipa mesmo quando o problema é interno. A empresa complementa ainda que o bairro está com o abastecimento normal.

 

 

 

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