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Em oito anos, ES perdeu mais de 300 leitos de internação

Dos 78 municípios do Estado, 44% ou 26 cidades sequer têm leitos de internação

Paciente internado em hospital recebe apoio de familiares
Paciente internado em hospital recebe apoio de familiares
Foto: Marcelo Prest

Uma pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontou que o Espírito Santo perdeu 322 leitos de internação públicos entre 2010 e 2018. A informação é preocupante, tendo em vista que a população capixaba cresceu mais de 14% entre 2010 e 2017.

Dos 78 municípios do Estado, 44% ou 26 cidades sequer têm leitos de internação, segundo dados divulgados pelo Conselho, extraídos em maio deste ano do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. O levantamento faz referência à somatória das redes federal, estadual e municipais.

Somente 12 municípios, ou 15%, oferecem leitos de UTI público. Outras 2 cidades, ou 2%, têm leitos de UTI pela rede privada suplementar.

O déficit, segundo o presidente do Conselho Federal, Carlos Vital, aponta que o valor investido pelo poder público é muito baixo. "Um financiamento realmente inconsistente, insuficiente, por falta de competência administrativa, falta de controle e avaliação. Isso leva as pessoas a passarem meses e até anos em filas de cirurgias eletivas e atendimentos de exames e processos de alta complexidade", comenta Vital.

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A estrutura dos estabelecimentos de saúde, como hospitais, ambulatórios e unidades de saúde, também está prejudicada, segundo fiscalização feita pelo Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES). O levantamento, executado entre janeiro de 2014 e junho de 2018, mostra que em 22% dos 306 estabelecimentos fiscalizados no Espírito Santo não há sanitário adaptado para deficiente. Em 12%, não existem instalações elétricas e hidráulicas adequadas.

De acordo com o Conselho, o valor gasto na saúde pelo Poder Público, que inclui prefeituras, Governo do Estado, é de R$ 3,46/ dia por cada habitante do Espírito Santo, abaixo da média nacional, que é de R$ 3,89.

O secretário estadual de Saúde, Ricardo de Oliveira, porém, disse que o Governo do Estado criou 470 leitos entre 2015 e 2018.

"Nós deveríamos estar investindo mais ou menos 12% da receita corrente líquida, que é o que estabelece a legislação. Nós estamos investindo 18,75%", apontou Oliveira.

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