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Antes opção barata, preço do GNV já chega a R$ 3 em postos da GV

Segundo a Petrobrás, variações recentes nos preços do gás em diversos estados, inclusive no Espírito Santo, seguiram as variações ocorridas do mercado internacional, que também afetaram os preços dos demais combustíveis

Motoristas reclamam de aumento no preço do Gás Natural Veicular (GNV) na Grande Vitória
Motoristas reclamam de aumento no preço do Gás Natural Veicular (GNV) na Grande Vitória
Foto: Eduardo Dias

Encarado com uma alternativa mais barata à gasolina e ao álcool, o gás natural veicular (GNV) tem ficado mais caro para os motoristas do Espírito Santo. Neste mês de agosto, houve um reajuste de mais de 8% no preço do combustível. Com isso, o preço do metro cúbico do GNV já chega a casa dos R$ 3 em postos da Grande Vitória.

O motorista de aplicativos Isaac Kelvin de Jesus se queixa do aumento e diz que ficou mais difícil trabalhar com o aumento de preço. Ele conta que na última semana abasteceu o carro pagando R$ 2,99 pelo metro cúbico de GNV e que, antes disso, o valor era de R$ 2,76. “Muitos motoristas já estão abandonando a profissão. Se a pessoa colocar na ponta do lápis todos os gastos que ela tem com combustível, não está compensando. O que compensava era o GNV, mas com ele chegando a mais de R$ 3 fica mais difícil”, comentou Isaac.

Davi Sousa também é motorista de aplicativo e notou o aumento de preço do GNV recentemente. Ele diz que desconhece o motivo para o reajuste e acredita que instalar um kit gás vai deixar de valer a pena se for considerado o preço do combustível. “É complicado fazer esse investimento achando que vai ter alguma economia. No dia a dia, pode até economizar um pouco, mas no longo prazo não é um bom investimento”, disse.

REAJUSTE

No dia 15 de agosto, a Agência de Regulação dos Serviços Públicos do Espírito Santo (Arsp) publicou resolução em que homologava a revisão tarifária anual e o reajuste trimestral do preço do GNV. Por conta dessa mudança, o combustível acabou sofrendo aumento de preço para o consumidor final.

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Na resolução, a Arsp destaca que “o reajuste do Preço de Venda do Gás não decorre de decisão da Agência e sim de obrigação contratual de homologação”, como reafirmou a assessora da área tarifária da Arsp, Odylea Tassis.

Ela explicou, também, que o preço do gás é formado de duas parcelas. Uma é o valor do produto que é estabelecido pela Petrobras. A outra, chamada de margem bruta de distribuição, é aprovada pela Arsp e se refere ao custo das distribuidoras, segundo Odylea Tassis.

Em agosto, a Arsp autorizou uma redução na margem bruta de distribuição do gás de 8,54%. Em contrapartida, foi homologado um aumento de 13,94% do preço de venda do gás. Com isso, o efeito para o consumidor dessa revisão tarifária é de um aumento de 8,79% no preço do combustível.

Por meio de nota, a Petrobras destacou que o preço do gás natural nos contratos tem variação trimestral vinculada à variação de cotações internacionais de óleos combustíveis e da taxa de câmbio do dólar. A nota acrescenta que as variações recentes nos preços do gás nos diversos estados, inclusive no Espírito Santo, seguiram as variações ocorridas do mercado internacional, que também afetaram os preços dos demais combustíveis.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sindipostos-ES) também se manifestou por meio de nota e informou que não faz nenhum tipo de pesquisa ou acompanhamento regular de preços dos combustíveis.

O Sindipostos também comunicou que de 29 de maio a 20 de agosto, o preço médio de venda do GNV, ou seja, dos postos para o consumidor final saiu de R$ 2,78 para R$ 2,85. No mesmo período, o preço de aquisição do produto pelos postos junto às distribuidoras saltou de R$ 1,74 para R$ 2,15. Por fim, o sindicato afirma que o preço de cada posto é de sua livre decisão e só ele pode responder sobre isso.

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