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Correspondente bancário é preso pela PF por fraude em financiamentos

Um imóvel com um valor de mercado de aproximadamente R$ 200 mil foi financiado por mais de R$ 1,2 milhão.

Investigações encontram irregularidades em contratos de financiamentos com a Caixa
Investigações encontram irregularidades em contratos de financiamentos com a Caixa
Foto: Vitor Jubini

Um correspondente bancário, que não teve o nome divulgado, foi preso pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira (8), em Vila Velha, acusado fraudar financiamentos de imóveis e gerar um prejuízo de aproximadamente R$ 5 milhões para a Caixa Econômica Federal. O correspondente não é funcionário direto do banco, mas tinha, segundo a Polícia Federal, a autorização para prestar serviços de atendimentos aos clientes da Caixa.

A prisão, que é preventiva, foi resultado de Operação Fruto Podre, que também cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Espírito Santo. A operação teve a participação de 59 policiais e a Polícia Federal estima que pelo menos 63 suspeitos, entre pessoas físicas e jurídicas, estão envolvidas no golpe.

No inquérito são investigadas fraudes em financiamentos organizados pelo correspondente bancário, que recrutava pessoas para simular financiamento com o fim de se apropriar de recursos da Caixa Econômica Federal. A fraude consistia em financiar um imóvel com preço superavaliado, que era vendido por um “laranja” e comprado por outro “laranja”.

Nesse financiamento, a pessoa que aparece como vendedora, depois de receber o dinheiro liberado pela instituição financeira, realizava o saque de todo ou da maior parte dos recursos e depositava em contas do correspondente bancário, ou de outras pessoas envolvidas na fraude. Cerca de sete avaliadores de imóveis também são investigados por participarem do esquema, colocando um valor maior do imóvel na avaliação.

26 CONTRATOS 

De acordo com Fernando Amorim, delegado de repressão à corrupção e crimes financeiros, as investigações começaram em 2016, mas o primeiro dos 26 contratos suspeitos foi assinado em 2009. Em uma das fraudes suspeitas, um imóvel com um valor de mercado aproximado de R$ 260 mil foi financiado por mais de R$ 1,2 milhão. Outro imóvel estimado em R$ 165 mil no mercado foi financiado por R$ 800 mil. 

O delegado Fernando Amorim ainda destacou que as investigações vão continuar. Todos as possíveis irregularidades foram identificadas em uma mesma agência da Caixa, em Vila Velha. O bairro da agência, no entanto, não foi divulgado. A polícia não descarta a participação de funcionários do banco no esquema.

"É difícil imaginar um esquema desse sem a participação de servidor (da Caixa), mas ainda é muito cedo para a gente falar. Esse correspondente bancário pode ter achado uma forma de burlar o sistema da Caixa, mas os indícios apontam para a possível participação de servidores", declarou o delegado.

PRISÃO

O corresponde bancário preso nesta quarta-feira prestou depoimento na Superintendência da Polícia Federal, no Espírito Santo, e depois foi encaminhado para o sistema prisional capixaba. Ele foi acusado de fraude em financiamento junto à instituição financeira oficial, peculato e também pelo uso de documentos falsos. Com as penas somadas, o tempo de prisão pode chegar aos 27 anos.

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