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Depois 17 anos, funcionários da Braspérola ainda lutam por pagamento

Empresa fechou as portas em 2001 e decretou falência 4 anos depois. Neste domingo (19), parte dos ex-funcionários se reuniram na frente da empresa, em Cariacica, para pedir celeridade no caso

Fábrica Braspérola, Cariacica. Ex-funcionários
Fábrica Braspérola, Cariacica. Ex-funcionários
Foto: Patrícia Scalzer

Há quase 20 anos, mais de 1700 ex-funcionários da antiga empresa Braspérola tentam, na Justiça, receber seus direitos trabalhistas. A empresa fechou as portas em 2001 e quatro anos depois decretou falência. Neste domingo (19), parte dos ex-funcionários se reuniram na frente da empresa, localizada às margens da BR 262, em Cariacica, para pedir celeridade no caso.

Para pagar os credores trabalhistas, a área da empresa, que tem 462,8 mil metros quadrados precisa ser vendida. Vários leilões já foram realizados, mas sem sucesso. No ano passado, uma perícia solicitada pela Justiça avaliou o terreno em R$ 51,8 milhões. Uma empresa ofereceu R$ 31 milhões pela compra, mas representantes da empresa não concordaram com a quantia.

Rosa Maria trabalhou durante 10 anos na Braspérola
Rosa Maria trabalhou durante 10 anos na Braspérola
Foto: Patrícia Scalzer

Enquanto isso, os ex-funcionários aguardam sem saber quando irão receber os valores referentes à insalubridade e restos de rescisão de contratos que não foram pagos. A dona de casa Rosa Maria Augusto trabalhou durante 10 anos na Braspérola como operadora de máquinas. Ela conta que desde então, já viu muitos colegas de trabalho morrerem sem receber a indenização.

“Já morreram muitas pessoas, amigas minha. Há um ano perdi uma colega, ela morreu sem receber, vai ficar para os filhos”, disse.

Maruzete Garcia, 51 anos, foi demitida pouco tempo antes da empresa fechar as portas, porém, ela também busca na Justiça o direito a insalubridade. Com problemas de saúde, ela precisa comprovar que trabalhou em local insalubre para se aposentar. “Estou correndo atrás por causa do meu problema de saúde, não consigo mais trabalhar, quero ver se consigo aposentar, mas está difícil”.

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O representante dos trabalhadores, Waldir Barbosa, conta que o grupo quer mais celeridade ao processo. Os ex-funcionários também querem que o juiz responsável pelo caso determine a venda do local pelo valor de R$ 31 milhões e, enquanto isso não acontece, que o montante que está em uma conta judicial, no valor aproximado de R$ 5 milhões, referente a venda da União Manufatura de Tecidos, em Jucutuquara, Vitória, seja utilizado para amortizar parte da dívida com os trabalhadores.

“Não entendemos porque a Justiça não expede esse pagamento. Estamos cobrando isso, queremos saber qual é o critério. Já estamos em 2018, sendo que a empresa está parada desde 2000”, afirmou.

O administrador judicial da massa falida da Braspérola, Rogério Spitz, explicou que a área da empresa terá de passar por uma nova perícia, pois, 21 mil metros quadrados do terreno foi desapropriado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

“Por isso a área não foi vendida, será feita uma nova perícia para avaliar o valor depois da desapropriação. Depois disso, um novo leilão será realizado”.

Spitz também explicou que o valor depositado em uma conta judicial referente a venda da União Manufatora não pode ser dividido entre os trabalhadores, pois, essa empresa não está vinculada a massa falida da Braspérola.

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