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Dez lojas são arrombadas por dia no ES, segundo sindicato

Segundo os dados do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Vitória (Sindilojas), metade dos casos acontece na Grande Vitória

Lojas fechadas em Carapina, na Serra, as margens da BR 101
Lojas fechadas em Carapina, na Serra, as margens da BR 101
Foto: Marcelo Prest

A recente onda de arrombamentos de estabelecimentos comerciais na Grande Vitória tem preocupado lojistas e gerado insegurança. De acordo com dados do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Vitória (Sindilojas), dez estabelecimentos comerciais são arrombados por dia no Espírito Santo e metade desses casos acontece na Grande Vitória. 

Segundo o presidente do Sindilojas e diretor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), Cláudio Sipolatti, os dados são referentes ao ano de 2017. Sipolatti diz que há lojistas que têm dificuldades para manter os estabelecimentos abertos quando sofrem prejuízos com arrombamentos.

“Nós temos, hoje, muitos empresários que, ao verem ao lado alguém sofrendo assaltos, já tomam a decisão de ir embora antes de sofrer com isso. Alguns comerciantes, quando são assaltados, já não têm forças para se recuperar porque levaram o produto e o capital para tocar o negócio.”

Lojas fechadas em Carapina, na Serra, as margens da BR 101
Lojas fechadas em Carapina, na Serra, as margens da BR 101
Foto: Marcelo Prest

Não há uma estatística de estabelecimentos que fecharam as portas por conta de arrombamentos e assaltos no Estado, segundo Cláudio Sipolatti. No entanto, ele afirma que a violência é um fator que traz prejuízos inclusive para a sociedade e que influencia no fechamento de postos de trabalho no comércio. Somente neste ano, de acordo com o presidente do Sindilojas, foram fechadas 4 mil vagas de emprego no setor.

Na Serra, a situação tem se tornado crítica. A própria loja de Cláudio Sipolatti foi arrombada duas vezes em 12 dias, no bairro Porto Canoa. Na região de Carapina, na BR 101, não é difícil encontrar comerciantes que reclamem da violência e que já tenham sido vítimas.

Ivan Olímpio, dono de clínica em Carapina que foi roubada três vezes nos últimos seis meses
Ivan Olímpio, dono de clínica em Carapina que foi roubada três vezes nos últimos seis meses
Foto: Rafael Monteiro de Barros

Uma clínica médica que fica às margens da rodovia foi arrombada duas vezes e sofreu um assalto nos últimos seis meses. O proprietário do local, o médico Ivan Olímpio de Santana, contou que contratou um segurança particular para poder trabalhar com mais tranquilidade. “Eu me sinto inseguro. Esses assaltos são frequentes. Isso assusta as meninas que trabalham aqui. O pessoal perdeu telefone de R$ 1,5 mil”, disse.”

Uma gerente de uma loja de roupas da mesma região disse que houve uma tentativa e um assalto concretizado no estabelecimento nos últimos meses. Ela contou que lojistas próximos a ela ainda não estão fechando os estabelecimentos por causa da violência, mas afirma que o receio de trabalhar no local é diário. “Não chegou a esse ponto, mas todo mundo está trabalhando aqui com medo.”

A ousadia dos bandidos é tanta, que uma loja de Carapina que fornece alimentos e itens para restaurantes e lanchonetes foi invadida durante quatro noites seguidas no ano passado. Todas as vezes pelo mesmo ladrão, que chegou a ser preso em flagrante em um dos arrombamentos.

No entanto, como ele acabou sendo solto no dia seguinte, no último arrombamento ele fez questão de provocar o dono da loja e deixar no local o próprio alvará de soltura.

Alvará de soltura de bandido que roubou a mesma loja por quatro noites
Alvará de soltura de bandido que roubou a mesma loja por quatro noites
Foto: Rafael Monteiro de Barros

A cada dia que voltava, o bandido levava mercadorias e equipamentos do local. Pouco a pouco, foram levados micro-ondas, ferramentas e alimentos que seriam vendidos para os clientes, como balas e doces. A loja que fica ao lado também foi roubada pelo mesmo homem nas mesmas noites.

Os buracos abertos pelo ladrão eram lacrados a medida em que os furtos aconteciam. Depois do episódio do alvará, a loja não foi arrombada novamente. O dono da loja desconhece o paradeiro do bandido.

O proprietário da loja, Eduardo Rodrigues, lamenta a situação da região e diz que teve que fazer investimentos para evitar arrombamentos e assaltos. “Tivemos que contratar segurança. Já faz tempo que temos que pagar por isso, que é algo que deveria ser público.”

Por meio de nota, o Comando da 1ª Companhia do 6º Batalhão da Polícia Militar informou que realiza o policiamento preventivo diuturnamente no bairro Carapina, na Serra, por meio de viaturas e motopatrulha e que, em horários estratégicos, é realizado o reforço em alguns pontos apontados pela comunidade.

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