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Dona de restaurante invadido já ajudou bandido: "Triste pela mãe dele"

Os criminosos subiram pelo telhado de um imóvel vizinho, que está abandonado, e invadiram a parte superior onde ficam os aparelhos de ar condicionado. Um suspeito foi detido

A onda de invasões à comércios na Grande Vitória não para. Na madrugada desta quinta-feira (23), foi a vez do restaurante e churrascaria Sarandi, um dos mais tradicionais da capital, localizado ao lado da Prefeitura, em Bento Ferreira.

Os criminosos subiram pelo telhado de um imóvel vizinho, que está abandonado, e invadiram a parte superior onde ficam os aparelhos de ar condicionado. Eles levaram parte da tubulação de cobre de três máquinas de ar, um prejuízo de R$ 2 mil. O crime ocorreu por volta das 5h30. Um vigilante da Secretaria Estadual de Saúde viu os bandidos no telhado e acionou a Polícia Militar. Os policiais fizeram uma vistoria no interior do restaurante e não encontraram ninguém. Acontece que os suspeitos, na verdade, estavam escondidos na moita em um terreno privado bem atrás do restaurante.

Suspeito foi preso por PMs quando se escondia em uma moita em um terreno ao lado do restaurante
Suspeito foi preso por PMs quando se escondia em uma moita em um terreno ao lado do restaurante
Foto: Caíque Verli

Depois que os policiais foram embora, quando estava se preparando para deixar o local também, a equipe da CBN viu um dos suspeitos levantando a cabeça em cima do muro do terreno para ver se a Polícia já tinha saído. Jornalistas e donos do restaurante acionaram a Polícia novamente, que voltou ao local cerca de 40 minutos depois.

Nesse tempo, um dos suspeitos conseguiu sair pela parte de trás do terreno, fugindo pelo telhado de imóveis vizinhos. A dona do restaurante, Salete Ongaratto, chegou a pegar uma escada e, sozinha, entrar no terreno para confirmar que o suspeito estava mesmo no meio do mato, enquanto aguardava o retorno dos policiais. A PM levou o suspeito encontrado, identificado como Saulo Rodrigues Marques, de 18 anos, para a delegacia.

A churrascaria funciona há 40 anos no mesmo local e os donos perderam a conta de quantas vezes eles já foram vítimas de arrombamentos. Há um ano, eles gastaram mais de R$ 5 mil para colocar uma cerca elétrica na parte da frente do estabelecimento. A parte superior, por onde os bandidos entraram, era o único espaço sem a proteção da cerca. Chateada, Salete se emocionou quando viu o prejuízo na churrascaria. "Mas a gente fica triste porque luta dia e noite, feriado e tudo e acabamos vítimas. Não desejo para ninguém porque a gente trabalha muito e paga nossos impostos em dia".

Ao entrar no terreno, Salete reconheceu o suspeito. Chorando bastante, ela contou que já ajudou o rapaz várias vezes, dando comida e água para ele. "A gente lembra muito das mães desses rapazes. Oro por essas mães para elas não percam a esperança de rezar pelos filhos, para que eles saiam da droga, do mundo do crime porque é muito triste para uma mãe. Fico mais chateada por ela", lamentou.

Saulo foi autuado por tentativa de furto (com concurso de pessoas) e encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.

"Já ajudei esse rapaz. Tenho pena de quem é mãe dele", desabafa dona

Emocionada, Salete Ongaratto, dona do restaurante alvo dos bandidos chorou ao falar da invasão. A vítima chegou a ajudar os suspeitos, dando água e comida, e disse que vai rezar pelas famílias dos bandidos. "Fico triste pelas mães deles", disse.

O restaurante já foi alvo de bandidos várias vezes. Qual o sentimento de vocês diante de toda essa violência?

A gente fica triste porque luta dia e noite, feriado e tudo e acabamos vítimas da violência. Foram mais de 12 vezes que o restaurante foi invadido. Já perdemos a conta. Há um ano, colocamos a cerca elétrica na parte da frente. Gastamos mais de R$ 5 mil, mas agora parece que eles descobriram essa única parte que não tem cerca. Vamos ter que acabar colocando a cerca lá também.

O que você pensa sobre esses suspeitos?

Já ajudei esses rapazes. Reconheci o que estava escondido no terreno. Eles vêm aqui pedir comida, água. Já passei por muita violência, mas o que a gente fica muito triste é pelas mães desses filhos (os suspeitos).

Vocês já ajudou o suspeito que reconheceu então? Como você fica ao ver que essa mesma pessoa que recebeu uma ajuda sua agora invade o seu estabelecimento?

Ajudei várias vezes. Comida é o tipo de coisa que não dá para negar, mas quando acontece isso é uma situação difícil para a gente. No fundo, eu tenho pena deles. Não gostaria de fazer isso (de pegá-los), não gostaria de ser mãe de uma criança dessa. O que eu fico mais triste é pelas mães desses filhos (os suspeitos). A gente ora todos os dias por elas, para que elas nunca percam a esperança, nunca deixem de rezar por esses filhos para que eles saiam do mundo das drogas, do mundo do crime. É muito triste para uma mãe. Os bandidos se sentem felizes em fazer isso, mas as mães deles não. Eu sofro mais por pensar nas mães dessas crianças, porque o que foi pego é uma criança. (A vítima não sabia o nome e idade do suspeito quando deu entrevista. O suspeito tem 18 anos).

O que você acha que pode ser feito para resolver o problema da insegurança?

Tem que ter uma lei mais severa. Mas também tem que ter creche e colégio integral para as mães e pais trabalharem tranquilas e depois poderem cuidar e educar os filhos. Os pais têm que trabalhar e acham que os filhos estão seguros, mas não estão e acabam caindo no crime.

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