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Frete tabelado vai deixar produtos mais caros no Estado

Se os caminhoneiros autônomos do Estado comemoram a medida, os setores da Agricultura, Pecuária e da Indústria informaram que o tabelamento vai ocasionar o aumento de preços para o consumidor final

Foto: Bernardo Coutinho

O presidente Michel Temer sancionou a lei que institui a tabela do frete para o transporte rodoviário de cargas. Se por um lado os caminhoneiros autônomos do Espírito Santo comemoraram a medida, os setores da Agricultura, da Pecuária e da Indústria informaram que o tabelamento vai acabar ocasionando aumento de preços para o consumidor final.

O presidente da Federação da Agricultura e da Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, afirmou que, com a instituição de uma tabela mínima para fretes, insumos para a produção capixaba, como o milho usado como ração para animais, tendem a custar mais para os produtores. Com isso, os produtos também devem sofrer aumento de preços.

“Só na cadeia de aves e suínos, são consumidas 70 mil toneladas por mês. Somando a bovinocultura de leite, podemos arredondar para 100 mil toneladas. Então, é uma questão bastante prejudicial para a manutenção do abastecimento de proteínas”, explica.

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Léo de Castro, também fala em impactos no preço para a população. “No fim do dia, isso vai onerar o consumidor. Quem vai pagar a conta da tabela de frete será o conjunto da sociedade. Isso vai para o preço dos produtos e para a inflação.”

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Enquanto o setor produtivo reprova o tabelamento do frete, caminhoneiros estão comemorando a medida. O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Vitória, Sebastião Rodrigues, fala em benefícios para a categoria com a sanção da lei. “Os caminhoneiros estão muito satisfeitos. Agora, a categoria pede que os fiscalizadores fiquem atentos porque vai haver empresas que não vão querer pagar a tabela.”

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Espírito Santo (Transcares), Liemar Pretti, mesmo que traga benefícios, a tabela de frete pode prejudicar o setor futuramente.

“Apesar de um grande parte das nossas empresas não ser favorável a isso, não podemos ser hipócritas em dizer que não favorece. No entanto, encarece. Ao encarecer, traz um ponto negativo, como o fato de o Agronegócio já cogitar comprar carros próprios”, disse.

TABELAMENTO

O tabelamento de fretes é uma medida adotada pelo Governo Federal após a greve dos caminhoneiros, em maio deste ano. Com a tabela, ficam instituídos preços mínimos para o transporte de cargas em cinco categorias: geral, a granel, frigorificada, perigosa e neogranel. Os preços serão estabelecidos e divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A sanção da lei foi publicada nesta quinta-feira (9), no Diário Oficial da União. O presidente Michel Temer vetou artigos que tratava de anistia de multas e sanções impostas aos caminhoneiros durante a paralisação.

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