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Manobra quase "dentro da rua": Vitória é desafiadora para a navegação

Com várias ilhas e um fundo bem pedregoso, a entrada da Baía de Vitória exige atenção dos comandantes

O prédio histórico do Saldanha da Gama fica ao lado da Baía de Vitória, na entrada do Centro da Capital.
O prédio histórico do Saldanha da Gama fica ao lado da Baía de Vitória, na entrada do Centro da Capital.
Foto: Gazeta Online

"Essa baía nossa é diferenciada de todas as outras que eu fui. É uma mistura dos navios, parece que eles vão entrar na avenida quando vão fazer as manobras. É muito lindo", afirma uma aposentada.

"É uma felicidade, uma coisa muito linda. Um navio quase entrando no seu quarto é muito gratificante", comenta um pensionista.

"Penso que o navio vai vir tomar tudo, os prédios, a praça, o banco. Um dia até a minha menina falou: 'Mãe, cuidado que esse negócio aí é arriscado' (risos). Dá impressão que vem tomar Vitória todinha", brinca uma ajudante de serviços gerais.

Arriscado não é, mas que surpreende todo mundo que passa pelo Centro de Vitória, não tem como negar. Os imponentes navios que entram na Baía manobram bem próximo à avenida e parecem que vão estacionar próximo aos prédios residenciais e comerciais do bairro.

Manobra de navio no Porto de Vitória chama atenção de motoristas e pedestres
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Foto: internauta | Whatsapp Gazeta Online

A Baía de Vitória é diferenciada não só para os moradores e turistas do Centro. Mas também para quem chega com as embarcações. A entrada é uma das mais desafiadoras do Brasil para os comandantes.

Afinal, Vitória, que já é uma ilha, é cercada por várias outras ilhas e tem um fundo bem pedregoso. No meio do caminho, tem umas pedras e também a Terceira Ponte. Os navios precisam passar embaixo do vão central. Todos esses fatores fazem da Baía um verdadeiro labirinto e provocam restrições às embarcações que vão atracar na região, como explica o presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima (Sindamares), Sergio Bonelli.

"Você tem essas dificuldades para girar o navio. Você tem dificuldades em horários noturnos, com tamanho de navio. Restrições que são impostas, de acordo com as normas da Codesa".

O canal de acesso tem um comprimento de 7,5 km e chega a ter uma largura mínima de 75 m. Entre as restrições estabelecidas para entrar ou sair com segurança da Baía, o navio, depois que carrega, não pode ter uma profundidade maior que 10m67cm. Para manobrar durante a noite, a embarcação também não pode ser maior que 260 metros.

Apesar dos desafios, poucos acidentes foram registrados. Esse sucesso não seria possível sem o trabalho dos práticos, profissionais que assessoram o comandante em locais próximos de terra, o que torna a navegação mais perigosa.

"Os comandantes não conhecem as nuances do porto. E o prático sim. Ele é o estudioso, conhece tudo aqui. Ele vai dizer para o comandante o melhor caminho, a velocidade. Tudo isso o prático faz com o comandante do navio", explica o presidente do Sindicato.

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Foto: Caíque Verli

Essas peculiaridades encantam todos os turistas dos cruzeiros que passam pela Baía, como conta Bonelli.

"Todos os passageiros dizem que é uma das entradas mais bonitas do Brasil. Tem as pedras, as ilhas, a paisagem de Vitória muito bonita. Isso nos deixa muito feliz".

Apesar de muitas vezes assustar, não há razão para ter medo quando um navio faz a manobra perto da avenida. É que quanto mais próximo da pista, mais raso fica e o navio poderia até encalhar. O jeito é aproveitar esse privilégio do Centro de Vitória que poucos outros lugares do mundo têm.

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