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Terceira Ponte: provocações do público atrapalharam as negociações

Bombeiros negociaram por mais de oito horas com um homem que ameaçou atentar contra a própria vida

Trânsito congestionado na Praça do Pedágio por conta da interdição na Terceira Ponte
Trânsito congestionado na Praça do Pedágio por conta da interdição na Terceira Ponte
Foto: Rafael Monteiro de Barros

Luzes de lanternas iluminando a vítima, gritos raivosos e até barulhos de foguetes. De acordo com o capitão Afonso Amorim, do Corpo de Bombeiros, esses foram alguns dos fatores que atrapalharam os Bombeiros responsáveis pela operação de resgate ocorrida na Terceira Ponte, nesta segunda-feira (10). A interdição deixou a principal via entre Vitoria e Vila Velha fechada por mais de oito horas.

O capitão Amorim explicou parte das táticas de negociação utilizadas pelos agentes de segurança. No entanto, o bombeiro destacou que as interferências externas atrapalham o andamento do trabalho. Segundo ele, pessoas que estavam em cima da ponte e nas janelas de prédios vizinhos usaram até luzes de lanterna para distrair a vítima da ocorrência.

"A gente tenta criar um vínculo com vítima, adquirir confiança e respeito dela. Toda vez que há uma ação fora do que a gente está atuando, acaba descontraindo a vítima do caminho que nós queremos, que é levar ela para o local seguro", disse o capitão.

BLOQUEIOS TOTAIS VÃO CONTINUAR

É justamente para minimizar a interferência externa que os Bombeiros e Polícia Militar interditam os dois sentidos da Terceira Ponte durante as operações de resgate.

O Governo do Estado estuda a implantação da barreira de proteção contra suicídio no local. Enquanto a barreira não é instalada, os capitão dos Bombeiros afirmou que as interdições totais da ponte vão continuar acontecendo nos casos de resgate.

Barreira de proteção que será colocada na Terceira Ponte
Barreira de proteção que será colocada na Terceira Ponte
Foto: Carlos Alberto Silva

Enquanto a ponte ficou fechada, milhares de pessoas tiveram que encarar um longo trânsito em Vitória e Vila Velha. A artesã Juliana Mansur não conseguiu levar o sobrinho ao médico. O garoto, de 13 anos, tem uma doença grave e estava a caminho de uma consulta com um cardiologista. Os dois ficaram na ponte por mais de 4 horas. Por conta da longa demora e dos problemas de saúde do garoto, Juliana teve que descer a ponte empurrando a cadeira de rodas do sobrinho.

"Não sei porque ninguém faz nada. Tem que ter alguma solução para resolver essa situação. Foram paradas duas cidades, sendo que uma delas é a capital", reclamou a artesã.

A previsão é para que a instalação de uma barreira na Terceira Ponte custe em torno de R$ 15 milhões, com previsão de conclusão da obra para o final do primeiro semestre de 2019.

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