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Linhares: "30 anos é pouco pra tanta maldade com duas crianças"

A avó de Kauã, Marlúcia Butkowiski, foi ouvida pela Justiça nesta primeira audiência que marca o início do processo de julgamento dos pastores George e Juliana

Marlúcia Butkovsky prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (10)
Marlúcia Butkovsky prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (10)
Foto: Rafael Monteiro de Barros | CBN Vitória

A avó paterna do menino Kauã — que morreu  com o irmão Joaquim, durante um incêndio causado pelo padrasto George Alves, no dia 23 de abril, em Linhares — foi ouvida pela Justiça na tarde desta quarta-feira (10), na 1ª Vara Criminal de Vitória, no Centro. Ela, que é testemunha de acusação, ficou cerca de 30 minutos.

Em entrevista, Marlúcia Butkowiski contou que foi questionada sobre o convívio do

pastor George

com o enteado Kauã. 

A gente nunca ouviu nada, nunca soube de nada. É difícil de falar. O pouco que a gente convivia não tinha como perceber se tinha alguma coisa por trás disso. Se eu soubesse, meu neto estaria vivo. Não tinha condições. Eu queria ter tido essa percepção

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Emocionada, a avó disse que a vida mudou completamente desde a morte cruel do neto. "O dia a dia já é muito difícil. Não tem como você voltar a vida normal depois de uma barbárie que foi feita com uma criança tão linda, tão maravilhosa, meu único neto".

Marlúcia espera que Juliana Salles, que também foi presa pelos crimes — e George sejam punidos severamente. "Que a condenação seja a máxima possível, porque eu acho que 30 anos é muito pouco pra tanta maldade, tanta crueldade com duas crianças. No Brasil não tem prisão perpétua. Esses monstros fazem o que querem e depois de algum tempo estão soltos. É inaceitável uma situação dessa", desabafou.

Os irmãos Kauã e Joaquim foram mortos em Linhares, no dia 21 de abril deste ano
Os irmãos Kauã e Joaquim foram mortos em Linhares, no dia 21 de abril deste ano
Foto: Facebook

DEPOIMENTOS

Rainy Butkovsky, que é pai de Kauã, também é testemunha de acusação e foi ouvido pela Justiça. Durante a audiência, ele foi interrogado sobre o relacionamento com o filho, e com Juliana. Antes de Rainy, dois peritos da Polícia Civil e um do Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel Ferrariforam ouvidos pela Justiça. 

Ferrari ficou no local por cerca de duas horas. Ele falou sobre a perícia do Corpo de Bombeiros na casa que foi incendiada no dia 21 de abril, em Linhares.

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ACUSADOS FRENTE A FRENTE

Uma audiência de instrução e julgamento de Juliana e George foi marcada para o próximo dia 23, no Fórum Desembargador Mendes Wanderley, em Linhares. Neste dia, George e Juliana serão colocados frente a frente pela primeira vez, desde que foram presos. Como o caso segue sob sigilo, as audiências serão fechadas para o público e a imprensa.

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