Notícia

Jovens a um passo do mercado de trabalho

Com 65 anos de história, Senai investe R$ 150 milhões em educação profissional

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Foto: Alair Caliari

De olho nas oportunidades do mercado de trabalho, Hoffman Miranda Kempin, de 18 anos, escolheu fazer o curso de eletrotécnica junto com o ensino médio. O que ele não imaginava é que se apaixonaria pela área que, desde criança, via o avô se dedicar. Agora, está estagiando e com planos de fazer outros cursos de qualificação no Senai para complementar sua formação. O jovem também pretende prestar vestibular no final do ano, impulsionado pelos conhecimentos que adquiriu no curso técnico.

“Não sou mais leigo na área da elétrica, posso fazer projetos. Eu não vejo esse mundo como eu via antes, me abriu os olhos. Descobri algo que eu gosto. Desde pequeno, meu avô mexia com essa parte elétrica, eu ficava perto dele querendo aprender. E quando eu fiz o curso técnico aprendi realmente a entender como funciona e gostei bastante. Eu penso em fazer faculdade de Engenharia Elétrica, e o curso técnico foi uma boa base”, conta ele.

Além disso, as aulas também o prepararam para ter desenvoltura no mercado de trabalho. “O curso me trouxe um comportamento técnico. Aprendi a falar tecnicamente, entender tecnicamente, não só interpretar as coisas. Este ano pretendo trabalhar, fazer alguns cursos profissionalizantes”, diz ele.

Outro jovem que descobriu cedo a paixão pelo mercado de trabalho foi José Kleber Neves Gorini, 23 anos. Há cinco anos, ele decidiu estudar em um curso profissionalizante. Na época, ainda não sabia qual profissão seguir e não tinha experiência profissional. A formação como eletricista e instalador predial foi o primeiro passo rumo a uma nova realidade.

“Também fiz outro curso no Senai, o de comandos elétricos. Graças a essas formações, quando concluí o ensino médio já estava trabalhando”, lembra o jovem. Desde então, ele não parou mais de aprimorar os conhecimentos. Fez curso técnico e, hoje, está no sexto período de Engenharia Mecânica.

O caminho percorrido por Hoffman e por José Kleber não é exceção. Para muitos jovens, a formação profissionalizante ou técnica é garantia de inserção no mercado de trabalho. E exatamente por isso, o Senai, que completa 65 anos de história, recebe cerca de 70 mil matrículas por ano.

Para atender as demandas de qualificação do setor industrial, a instituição continua investindo. Nos últimos cinco anos foram injetados R$ 150 milhões em melhorias, compra de equipamentos e construção de escolas pela rede de ensino. Agora, presente em todo o Estado, com cursos pagos e gratuitos focados em diversas áreas profissionais, a instituição mira em seu principal desafio: produzir e treinar para o desenvolvimento da inovação no setor.

Dentro do pacote de investimentos, foram cinco novas escolas construídas, sete agências de treinamento e 12 novas unidades móveis, além da modernização dos equipamentos, explica o diretor regional do Senai no Espírito Santo, Luis Carlos Vieira. A próxima unidade a ser inaugurada será a de Cachoeiro de Itapemirim, em julho. Aracruz, Anchieta, Colatina e Vila Velha também receberam investimentos.

“Em média, o investimento por escola é de R$ 15 milhões. Agora, com esse reforço em infraestrutura, é hora de investir em tecnologia e inovação. O Senai é o grande agente de formação para a indústria. Ele atua pela demanda do setor industrial, e ele é rápido na resposta ao setor industrial”, observa Vieira.

Ele explicou que a interiorização do serviço é importante para gerar emprego e renda também fora dos grandes centros. “Levamos as agências de treinamento para pequenas comunidades nas cidades do interior. É uma parceria entre Senai e prefeituras e a escola pode ser focada em algum setor. Em um município como Colatina, por exemplo, a agência é focada em vestuário e metalmecânica, que é a vocação da cidade. Vai ter a formação e quando for suprida a necessidade do mercado, o foco pode mudar”, afirma o diretor.

Unidades móveis

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Foto: Divulgação

Ao todo, 22 carretas, as chamadas unidades móveis, levam formação a todas as cidades do Estado. "Em 2016, foram 800 alunos formados na unidade móvel. As carretas são laboratórios e salas de aula. A última que lançamos foi a unidade móvel veicular, onde é possível treinar em mecânica de automóveis a gasolina, mecânica a diesel e motocicletas. Temos também outras focadas em solda e construção civil. São várias tecnologias", lembra Vieira.

  

SENAI - Escola Movel Mecânica Veicular Externa
SENAI - Escola Movel Mecânica Veicular Externa
Foto: Divulgação

O grande diferencial de qualidade é que, segundo Luis Carlos Vieira, o Senai entra na linha de produção das empresas. "Uma coisa importante é que, por sermos uma escola administrada diretamente pela indústria e termos parcerias com os sindicatos patronais, nós entramos na linha de produção e trabalhamos na melhoria de processos para aumentar a competitividade das empresas. Atuamos também com Sebrae e com programas do governo federal", salienta.

É por isso que, segundo o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra, quando uma indústria chega ao Estado, procura o Senai e passa suas demandas. "Isso tem sido fundamental em algumas regiões como São Mateus. Quando a Marcopolo chegou em São Mateus, a primeira pergunta foi: tem Senai aqui? Hoje estamos fazendo formação dentro da Weg (empresa de motores, em Linhares), dentro da Mineradora Guidoni (empresa de rochas, em São Domingos do Norte). O Senai é do tamanho que o setor ou o município precisa. E 66% de tudo que é feito dentro do Senai é gratuito", pontua ele.

Programas gratuitos

Entre os programas gratuitos, o Senai é um executor do Ocupação Social, projeto de política social do Governo do Estado, que oferece cursos de qualificação gratuitos.

Para os próximos anos, avalia Guerra, é preciso ficar atento e acompanhar a indústria 4.0, da tecnologia e da inovação. "Cada vez mais, as indústrias vão realmente precisar de profissionais melhores, com cultura e formação tecnológica. Eu acredito que nos próximos anos, até o final da década, o grande foco vai ser voltado para a indústria da alta tecnologia, processos inovativos, a indústria 4.0, esse vai ser o grande desafio. A indústria cada vez mais vai buscar uma produtividade maior, porque senão ela não sobrevive, e aí que entra a escola do Senai, para que a indústria continue melhorando sua competitividade", frisa.

O presidente da Findes também acredita que outro desafio é trazer a academia para dentro do Senai. "Cada vez mais nós temos de fazer parcerias com as universidades e escolas técnicas. Recentemente, fizemos uma parceria com o Ifes para fazer caracterização de argila, foi uma parceria com o sindicato patronal do setor de cerâmica vermelha, que construiu o prédio. O Senai comprou os equipamentos, e o Ifes vai dar a formação, ensinar os alunos. Esse tipo de parceria tem que ser aprofundada daqui para a frente. Acaba gerando resultados que são muito importantes para as entidades e para a população de um modo geral", conclui Guerra.