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Clínicas populares conquistam o público

Crescimento das cidades contribui para a demanda na área da saúde

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Foto: Divulgação

Após florescer no Brasil ao longo da última década, os planos de saúde têm enfrentado uma queda acentuada no número de usuários nos últimos anos. Somente no primeiro semestre deste ano, foram 910 mil clientes a menos, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Dos cerca de 48,5 milhões de brasileiros que possuem assistência médica privada, mais de 60% têm planos empresariais. Alguns Estados, como o Rio de Janeiro, têm tido sérias dificuldades em lidar com a grande massa que, sem assistência médica privada, passou a buscar o sistema público de saúde. De dezembro de 2014 a março deste ano, ainda segundo a ANS, nada menos do que três milhões de pessoas perderam o benefício.

Mas, para os empreendedores, momentos de crise podem representar oportunidades de investimentos. Entre a queda dos planos de saúde e a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS), um novo nicho surgiu no mercado: as clínicas populares, em que os clientes chegam a pagar até 70% mais barato por consultas e serviços em comparação a consultórios médicos particulares.

No Espírito Santo, há clínicas em que consultas com especialistas saem por apenas R$ 40, contra os cerca de R$ 250 cobrados por médicos particulares. “Um dos fatores de sucesso das clínicas populares é o preço, claro, mas também o fácil acesso aos serviços, com prazos de agendamento mais curtos e filas bem menores do que nos SUS. É a combinação perfeita para quem perdeu renda ou não quer gastar muito, mas também não quer cair no serviço público, muitas vezes precário”, analisa o consultor de empresas Manoel Lopes.

Regiões densamente povoadas têm abrigado cada vez mais essas clínicas. É o caso de Laranjeiras, na Serra, e Campo Grande, em Cariacica. No entanto, com o crescimento das cidades, é natural que a demanda por esses serviços continue a aumentar.

Cariacica, aliás, está de olho no desenvolvimento da cadeia produtiva da saúde, com a inauguração do primeiro hospital público da cidade. Com previsão de entrega da obra em dois anos, o Hospital Geral de Cariacica vai ter 400 leitos, em uma área de 35 mil metros quadrados às margens da Rodovia Leste-Oeste, no bairro Bela Vista.

“O desenvolvimento dessa região começou há alguns anos, quando identificamos uma área ociosa próxima a um grande aglomerado residencial. Com planejamento e motivação empresarial, conseguimos transformar esse ponto estratégico de Cariacica em uma área empreendedora”, relembra o prefeito Geraldo Luzia Junior, o Juninho. “Um dos nichos de desenvolvimento que surgiram foi justamente o da saúde, com a criação do Hospital Geral de Cariacica”, conta.

Além do hospital público e da Rodovia Leste-Oeste, que deve ser inaugurada até o fim deste ano, a região de Bela Vista conta com um grande loteamento empresarial e residencial, o Parque Leste-Oeste, com mais de 340 lotes.

 

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Foto: Divulgação

“O crescimento econômico no entorno da Rodovia Leste-Oeste certamente é um grande atrativo para toda a cadeia produtiva da saúde, com a instalação de consultórios, centros de diagnóstico, laboratórios e até empresas de administração e indústrias de equipamentos hospitalares”, enxerga Juninho.

Isso é benéfico para os empresários, por conta da localização estratégica, e para a população, que poderá contar com uma boa oferta de serviços, mas também para os profissionais da área de saúde, de acordo com o prefeito. Hoje, a maioria dos médicos e enfermeiros que atuam em Cariacica vêm de outros municípios. Com o desenvolvimento da região e ampliação de negócios como as clínicas populares, os profissionais poderão morar nos novos empreendimentos residenciais que também estão sendo erguidos.”

Segundo dados do IBGE, num raio de um quilômetro já existem ali 16,5 mil domicílios onde residem 53 mil habitantes. Em médio e longo prazos, com o novo Hospital Geral de Cariacica, um condomínio residencial e um loteamento empresarial, que abrigará um amplo e diversificado polo de comércio e serviços, representarão um adicional de cerca de 17 mil pessoas circulando diariamente na região.

“Estamos falando de uma grande massa de consumidores de produtos e serviços, inclusive de saúde. Isso faz da região um celeiro de oportunidades, principalmente para a área de saúde e das clínicas populares, que têm desempenhado um papel importante no atendimento às demandas da sociedade”, atesta o consultor de empresas Manoel Lopes.