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Marcos Caruso estrela peça em Vitória no fim de semana

"O Escândalo Philippe Dussaert" é o primeiro monólogo do ator

Na peça, Caruso vive um conferencista que investiga os limites da arte contemporânea
Na peça, Caruso vive um conferencista que investiga os limites da arte contemporânea
Foto: Paula Kossatz/Divulgação

Era uma vez três senhoras donas de galerias de arte no Rio de Janeiro, sem nenhuma ligação com o teatro. Um certo dia, em Paris a trabalho, as três resolveram assistir a uma peça em cartaz e ficaram deslumbradas com o texto. Colocaram na cabeça que o espetáculo deveria ser levado para o Brasil e compraram os direitos.

De volta ao país, decidiram que o monólogo deveria ser encenado por alguém com carisma e vivência – logo pensaram em Marcos Caruso. Elas tentaram encontrar o ator, mas não tiveram muito sucesso na empreitada. Até que um dia, ao entrarem em um restaurante a quilo na hora do almoço, quem estava lá? Marcos Caruso, em carne e osso. Da coincidência nasceu o convite, prontamente aceito. E quem conta a história é o próprio ator.

“Pela primeira vez na minha vida não fui escolhido por um diretor, autor ou produtor. Foi o público que me escolheu. É incrível como as coisas acontecem”, comenta Caruso, em entrevista por telefone ao C2.

A peça em questão é “O Escândalo Philippe Dussaert”, que chega a Vitória neste fim de semana, com sessões no sábado, dia 20, e no domingo, dia 21, no Teatro Universitário. A comédia, escrita pelo ator e dramaturgo francês Jacques Mougenot, estreou no Brasil em agosto de 2016 e chegou a ficar sete meses em cartaz no Rio de Janeiro, um grande feito em tempos de crise – o espetáculo, inclusive, levou os principais prêmios da temporada carioca. “Essa peça foi a que mais me deu prêmios”, confessa Caruso.

Outra coincidência é o fato de a maior premiação teatral do ator vir justamente em sua estreia solo; apesar da longa trajetória – são mais de 40 anos de carreira –, esse é o primeiro monólogo encenado por Marcos Caruso. Aliás, monólogo não... “solo coletivo”, como ele gosta de denominar.

“Eu não me sinto fazendo um monólogo, é um solo coletivo. Estou falando com alguém, não tenho a quarta parede que divide o palco da plateia. Foi surpreendente para mim, algo em que nunca pensei na vida, e depois vi que era quase um diálogo”, afirma.

Trama

O diálogo que Caruso menciona vem da enorme interação com o público presente em “O Escândalo Philippe Dussaert”, desde o momento em que os espectadores entram no teatro. A peça é um texto que, com humor, aborda os limites da arte contemporânea por meio da história de um escândalo do pintor francês Philippe Dussaert e questiona o que é e o que não é arte. Essas questões são colocadas para o público por meio da figura de um conferencista, personagem vivido por Caruso.

“É uma relação x plateia. O público entra e eu o recebo, como ator mesmo. Olho nos olhos das pessoas e converso. Quando entro em cena, depois, a luz fica meio acesa, e há uma interação muito grande. É uma palestra bem-humorada e divertida, sem constranger ninguém”, conta.

Carreira

Marcos Caruso conta que, assim como sua peça atual não foi planejada, toda sua vida profissional seguiu esse mesmo caminho: foi acontecendo. Por isso, apenas depois de 40 anos de carreira veio seu primeiro monólogo.

“Nunca escolhi exatamente, nunca planejei muito, foi acontecendo. Fui me autor de novela, diretor de TV, autor de cinema, de teatro, essas coisas foram acontecendo pela paixão que tenho pela profissão, por colocar o teatro muitas vezes na frente até da minha própria família. Essa paixão foi fazendo com que eu fosse descobrindo, com muita curiosidade, meandros da profissão”, divide o ator. “Fui parar na TV de forma tardia. E esse monólogo aconteceu como tudo aconteceu na minha vida, sem muito planejamento”, completa.

Mesmo que nunca tenha feito muitos planos, Caruso também nunca se viu em outra profissão. O ator ainda guarda a lembrança de, quando era criança, passar pela confeitaria Colombo, no Centro do Rio, e encontrar um caixote de maçã vazio, objeto que traçaria todo o seu caminho no futuro. O caixote, na época, virou um pequeno palco para fantoches. E ali Marcos Caruso começou a se descobrir como ator, diretor e autor. Um artista multi.

“Acho que a gente tem isso, né? Um momento que te faz saber o que vai ser. É a vocação de cada um que está presente. E deu certo, graças a Deus. Sou muito feliz fazendo o que faço.”

Novela e séries na Globo

Além da peça, Marcos Caruso também grava a próxima novela das 19h da Globo, “Pega Pega”, que estreia em junho. Ele também está nas séries “Brasil a Bordo”, disponível no Globo Play, e “Filhos da Pátria”, que estreia em setembro, além da “Escolinha do Professor Raimundo”.

 

O Escândalo Philippe Dussaert

Quando: sábado (20), às 21h, e domingo (21), às 18h – a sessão de domingo terá acessibilidade com intérprete de libras.

Onde: Teatro Universitário, Ufes, Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória.

Ingressos: térreo/setor A – R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia); térreo/setor B – R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia); mezanino – R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). À venda na bilheteria do teatro (das 15h às 20h) e no site www.tudus.com.br.

Informações: (27) 3335-2953, (27) 3029-2765 e no site wbproducoes.com.

 

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