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Escritor capixaba sonha em publicar seu primeiro livro

Jean Nay Araújo, 41 anos, é morador da Serra e escreveu o livro de poemas "Entropia"

É quase impossível contar a história do escritor Jean Nay Araújo Faria, de 41 anos, sem mencionar a sua forte relação com a literatura. Nascido em Barra de São Francisco, cidade localizada no Noroeste do Estado, Jean sempre foi um leitor. E essa relação foi impulsionada quando ele, ainda pequeno, e sua família se mudaram para Laranjeiras, na Serra.

 

O escritor capixaba escreveu os 60 poemas de sua primeira obra em português e inglês
O escritor capixaba escreveu os 60 poemas de sua primeira obra em português e inglês
Foto: Guilherme Ferrari

Filho de advogada e um taxista, neste novo ambiente ele começou a ler os livros colecionados pela mãe. Também pôs-se a frequentar a biblioteca do bairro. “Tive uma infância rica”, relembra ele.

 

“Nessa época, eu lia mais quadrinhos. Logo depois li ‘A Hora da Estrela’, da Clarice Lispector e também quase todos os livros do Machado de Assis”, orgulha-se.

 

Essa imersão no universo literário logo o levou a criar suas próprias histórias. A primeira delas, uma história em quadrinhos batizada de “O Mosteiro”.

 

Embora tenha começado a escrever ainda na adolescência, o seu primeiro livro foi finalizado apenas há poucos anos. Batizado de “Entropia”, a obra reúne 60 poemas. Eles estão escritos tanto em português quanto em inglês. A obra, como explica o autor, versa sobre assuntos como mitologia, mas também trava um diálogo com assuntos como amor, tempo e o nosso dia a dia.

 

“Essa obra surgiu a partir da minha observação de que a sociedade se comportava de forma aleatória em certos momentos. Porque você pode encontrar caos na ordem e ordem nos caos”, diz o escritor. “Comecei a escrever baseando meus personagens em entidades que lidavam com a entropia. A dissociação da vida: a morte, o amor, a história, a filosofia...”, resume ele.

 

Uma das alternativas para publicar o seu trabalho foi através da Lei Chico Prego de Incentivo à Cultura, da Serra. Mas na hora de trocar os créditos que o permitiam editar os seus exemplares, a empresa que iria financiar o projeto encontrou dificuldades e acabou não tocando o projeto para frente.

 

Dificuldade

 

Jean Nay explica os motivos que impossibilitaram que sua estreia literária não virasse realidade: “A prefeitura pediu tantas contra-propostas da empresa que eles desistiram de publicar o livro. Aí eles me deram a alternativa de publicar apenas 20 poemas. Eu pensei: ‘Mutilado, não’”, conta ele sobre a recusa de publicar “Entropia” incompleto.

 

Sem ter como financiar a impressão do livro, Jean Nay teve de recorrer a outros meios para tornar o seu livro uma realidade. “Eu estava vendendo picolé, mas agora fui demitido porque não consegui bater a meta estipulada pela empresa”, lamenta ele.

 

Desempregado, ele pensa em tentar novamente a Lei Chico Prego. Enquanto isso, Jean continua trabalhando em novos projetos. No caso, um novo romance que estará dividido em três partes: “Entropistas”, “A Liturgia do Ódio” e “Cartas para Ana Maria”.

 

“Comecei a escrever ‘A Loja da Entropia’, em que eu vou abordar a questão da destituição. No caso, será uma usina hidrelétrica, colocada no coração da Amazônia, constestada por rapazes chamados de entropistas. Eles seguem os princípios da entropia”, comenta.

 

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