Notícia

Katy Perry foge do convencional e aposta no retrô para se reinventar

"Witness" se distancia do tradicional pop meloso e se inspira mais na nostalgia da dance music

Cantora norte-americana busca amadurecimento profissional com novas sonoridades
Cantora norte-americana busca amadurecimento profissional com novas sonoridades
Foto: Divulgação

O cenário musical pop para as mulheres não anda nada favorável. Sem nenhum grande lançamento recente que tenha estourado pra valer, elas amargam uma espécie de “ostracismo”, e veem o espaço ser dominado cada vez mais pelos homens.

Prova disso foi o fato de o Hot 100, uma das mais famosas listas da parada da Billboard (a Bíblia musical), ter ficado sem nenhuma cantora no top 10 pela primeira vez em 33 anos. Isso aconteceu no final de abril e expôs um momento difícil para essas artistas.

No que depender do recém-lançado “Witness” (Universal Music), Katy Perry não deve ser a representante feminina a dar o gostinho dos fãs de verem uma delas voltar a ocupar o lugar mais alto das paradas.

Não que o disco seja de todo ruim. Pelo contrário. Antes de mais nada, é preciso tempo para digerir e entender o material. Numa primeira audição, realmente percebe-se que falta um hit grandioso, aquela música que desde a primeira vez em que é ouvida não sai da cabeça.

E isso Katy Perry vinha fazendo muito bem, principalmente quando lançou o álbum “Teenage Dream” (2010), uma fábrica de hits.

Aqui, no entanto, a proposta da artista é outra totalmente diferente. “Witness” não é um disco fácil como os outros. Ou seja: não espere canções pop tradicionais, de batidas marcantes e som meloso, ou letras bobinhas.

A impressão que temos é que Katy Perry quer evoluir, musicalmente falando. E já chegou a hora! Mas, para isso, ela precisa que os fãs também a acompanhem. Vide Beyoncé com seus dois últimos álbuns conceituais e sem nenhuma “farofa” lançada, mas que ainda assim fizeram certo sucesso mesmo com a chiadeira dos fãs.

O problema disso é: é possível crescer sonoramente falando, ao mesmo tempo em que emplaca hits nas paradas e nas rádios, e ainda mantém sob controle a legião de fãs? Para isso, às vezes, é preciso abrir mão de chegar ao #1 das paradas, mas ainda assim manter-se e fazer-se relevante no cenário.

Faixas

Com 15 músicas ao todo (ou 17 na versão deluxe), “Witness” abre com a boa faixa homônima, com início meio intimista, mas com um misto de teclados e batidas eletrônicas. Essa é, aliás, a tônica de todo o álbum. A impressão, às vezes, é que estamos escutando um “The Weeknd na voz de mulher”.

Esse é o quarto álbum de estúdio da norte-americana, sem contar um disco que ela lançou quando ainda cantava músicas de igreja e se chamava Katy Hudson.

Canção após canção, mais referência aos anos 1980 aparecem, mesmo que com roupagem mais atual. “Hey Hey Hey”, sobre superação, é dançante e lembra algo meio Lorde. Já “Roulette” traz mais sintetizador, refrão bem construído e clima retrô. Lembra um pouco hits do Eurythmics, por exemplo.

O disco foge daquele pop com forte influência do hip-hop, mas Nicki Minaj aparece para equilibrar essa falta na faixa “Swish Swish”. “Mind Mazer” é carregado no auto-tune, deixando Katy com voz robótica.

romântica

“Miss You More” é uma das mais lentas. Fala de amor e saudade para emocionar, mas parece deslocada diante do estilo dançante do material. Mas é uma boa música, assim como a romântica “Into Me You See”. Já “Chained to the Rhythm”, o primeiro single do disco, não bombou, talvez por ter sido menosprezada muito rapidamente. Com letra da cantora Sia, a faixa faz uma análise da sociedade atual e vale a pena. Nesse meio, “Bon Appetit” não se destaca tanto.

“Pendulum” não agrada até um coral aparecer, explorando um lado meio gospel mas bastante divertida. Na versão deluxe, com duas faixas bônus, a melhor é “Act My Age”, alegre e a que mais lembra a Katy Perry dos tempos de “Teenage Dream”.

“Witness” pode não ser uma fábrica de hits prontos, mas tem qualidade produtiva e sonora. De certo não vai agradar a todos, mas assumir riscos faz parte dessa evolução que Katy tanto busca. Se as canções não vão virar hinos, pelo menos possuem refrões ótimos.

No final, dá para notar que a cantora tentou sair um pouco da sua zona de conforto, apostando no clima nostálgico da dance music e suas variações, com o house. Ao mesmo tempo que soa inovador, esbarra na dificuldade dos fãs assimilarem o material. O importante é que Katy não se rendeu ao mainstream e tenta se reiventar, nem que, para isso, lhe custe algumas posições nas paradas. É o preço que se paga pela maturidade.

Rixa

Além do lançamento, uma polêmica ronda Katy Perry. “Swish Swish” está sendo encarada pelos fãs como uma advertência a Taylor Swift, seu desafeto: “Engraçado meu nome não sair da sua boca / Porque eu continuo vencendo”, canta Perry, que hoje é, no Twitter, a pessoa com o maior número de seguidores no mundo, com mais de 100 milhões de pessoas. Com isso, a faixa reacende a discussão da rixa delas. Em “Bad Blood”, Taylor teria atacado Katy: “Meu bem, agora nós temos uma rixa / Eu não te odeio, mas odeio falar sobre você”.

 

"Witness" - Katy Perry

Universal Music, 15 faixas.

Quanto: R$ 32,90.