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Os 50 anos do clássico "Cem anos de solidão"

"Cem Anos de Solidão", principal obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez, completa 50 anos de lançamento conquistando gerações de leitores

O universo criado por Gabriel García Márquez (1927-2014) em “Cem Anos de Solidão” está completando 50 anos. Publicado em 30 de maio de 1967, em Buenos Aires, na Argentina, o livro é um dos mais famosos da bibliografia do escritor colombiano, que recebeu o Nobel de Literatura em 1982 pelo conjunto da sua obra.

García Márquez, o Gabo, em 1976, no México, onde ele escreveu o livro “Cem Anos de Solidão”
García Márquez, o Gabo, em 1976, no México, onde ele escreveu o livro “Cem Anos de Solidão”
Foto: Reprodução/Internet

À época do lançamento de “Cem Anos”, García Márquez tinha apenas 40 anos de idade – sendo que nos seis últimos, ele vivia no México, ao lado de sua mulher e filho.

O período em que escreveu o romance, que vai de 1965 ao início de 1967, foi duro para Gabo: o escritor e também jornalista passava por maus bocados financeiros e chegou a penhorar objetos pessoais para financiar a sua empreitada literária. A obra chegou a ser rejeitada por diversas editoras, até que um editor de Buenos Aires se interessou pelo livro e o publicou.

Hoje considerado um clássico, “Cem Anos” é visto como uma das obras mais importantes da literatura latino-americana do século passado. Ao longo de suas 432 páginas, o livro narra a história de sete gerações da família Buendía e de Úrsula, a matriarca.

Para o professor de literatura e jornalista Thiago Goulart, García Márquez surge lado a lado de outros escritores que, a partir dos anos 1960, moldaram o movimento que seria denominado como realismo fantástico. “O García Márquez vem do ‘boom’ ao lado de escritores como o mexicano Juan Rulfo, o cubano Alejo Carpentier, o peruano Mario Vargas Llosa e, entre outros, o argentino Julio Cortázar”, explica.

Sobre “Cem Anos”, Goulart acredita que a extensa árvore genealógica da família Buendía é um mosaico que busca construir a identidade latino-americana.

“Ele tenta construir essa identidade latina através das instabilidades políticas da época, a insuficiência de recursos... Esse tipo de literatura contribui para uma eclosão de movimentos típicos da alma do povo latino”, explica ele. “Quando ele fragmenta o livro em diversos personagens, ele acaba gerando uma individualização em cada um deles. A subjetividade de cada personagem gera uma infinidade de interpretações do que nós somos”, continua.

Por que ler?

Ainda de acordo com Thiago Goulart, a leitura de “Cem Anos de Solidão”, continua importante, mesmo após cinco décadas do seu lançamento. “No livro, García Márquez suscita indagações que nos deixam perplexos até hoje”, destaca.

Uma característica importante para cativar novos leitores, como é o caso do universitário Felipe de Aquino. “O que senti lendo a obra é como se fosse uma história que você quer saber o final de qualquer jeito. Você gosta tanto dos personagens que quer saber o fim deles, porque você se importa com eles”, conta.

Outro jovem leitor foi o também universitário Juliano Honorato. Ele conta que além dos personagens, o que o chamou atenção no livro foi “justamente o fato dele construir a narrativa como se fosse um sonho”. “Eram coisas absurdas, mas ao mesmo tempo reais”, conta ele sobre a leitura da obra que já foi traduzida para mais de 35 idiomas e vendeu cerca de 50 milhões de exemplares.

 

Curiosidades - Cem anos de solidão

18 meses

Gabriel García Márquez escreveu “Cem Anos de Solidão” no México, ao longo de 18 meses: entre 1965 até 1967.

Primeira edição

A primeira edição do livro, publicada pela Sudamerica, chegou às livrarias em maio de 1967.

8 mil exemplares

A primeira edição da obra tinha apenas 8 mil cópias – que se esgotaram rapidamente.

Inspiração

Macondo, vilarejo imaginário do livro, foi inspirada na cidade Aracataca, na Colômbia.

Nobel

Em 1982, Gabo foi galordeado com o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto da sua obra.