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Rico Dalasam é uma das atrações do O Vira Festival

Em entrevista, o músico falou sobre a carreira, público e o novo disco

Rico Dalasam é uma das atrações do festival
Rico Dalasam é uma das atrações do festival
Foto: Divulgação

Ao lado de outros grandes nomes do pop e do rap atual brasileiro, o rapper Rico Dalasam também se apresenta no O Vira Festival, que acontece neste domingo, dia 18, no Ilha Shows, em Vitória. No total, serão dez horas de festa. O nome do festival foi inspirado na música “O Vira” (Secos & Molhados), composta no início dos anos 1970 e que marcou época na história da música brasileira. Se por um lado, a canção era um espirituoso lamento gay, por outro chamou a atenção para uma nova fase do rock no Brasil. 

Em entrevista ao C2, Rico Dalasam falou sobre a carreira, público e o novo disco. Confira o bate-papo:

Dois anos atrás você disse em uma entrevista que o público gay ainda não frequentava seus shows. Isso mudou?

Então, eu acho que tudo mudou. Eu mudei e isso reflete no público, acaba sendo consequência. Me tornei tantas outras coisas, descobri outros caminhos. Não dava pra não alcançar outras pessoas. Hoje minha música chega a todo tipo de gente.

Você acaba de lançar a nova turnê durante a parada gay no Canadá. Como se sente?

Ser o único brasileiro em um evento dessa magnitude é mágico. É incrível porque primeiro estive na semana de moda de Paris e de lá fui para o show no Canadá. Isso tudo é apenas o começo de uma turnê nova que vai percorrer o Brasil.

O que vem de novo no próximo disco?

Está muuuito mais pop. Eu já tinha essa influência pop, mas esperei um momento oportuno para soltar isso. É uma questão de amadurecimento, também. A transição entre o rap e o pop foi um processo natural. Escrever "Todo Dia" (interpretado por Pabllo Vittar) foi o start disso.

Do mesmo jeito que você escreveu "Mandume" (em parceria com Emicida), você escreveu "Todo Dia" (interpretada por Pabllo Vittar). Como lida com esses extremos?

As duas músicas falam de um mesmo corpo que ocupa o mesmo lugar na sociedade. Mostra o quanto esse corpo é grande, o quanto é complexo na ideia das pessoas. São cruzamentos da mesma natureza e eu lido com isso há 27 anos: com um corpo bicha, sou preto, de periferia, sei fazer pop e sei entender o rap como linguagem de um discurso ainda maior.

Ao mesmo tempo em que a exposição é boa por trazer visibilidade, também atrai muita gente com discurso de ódio. Como lida com isso?

A gente não consegue se blindar. No palco, estou vulnerável. Na estrada, fazendo shows, estou num estado de vulnerabilidade muito grande. Acho que o que posso fazer é ter resistência no amor, nas coisas que acredito. A partir daí vejo tudo se renovar, se aflorar pra vencer esse mal. Essa coisa de esmorecer é sempre possível. E se a gente esmorece, não tá errado. Estamos sujeitos a isso. A gente pode chorar, se deprimir e isso tudo pode fazer parte da nossa força.

O Vira Festival

Atrações: Pabllo Vittar, Mulher Pepita, Tropkillaz, Doncesão, Banda Uó, Jaloo, Rico Dalasam, Gloria Groove, Daniel Peixoto, Frederico, DJs Omulu, Leocádio Rezende e VITR, e escola de samba Unidos de Jucutuquara.

Quando: domingo (18), a partir das 14h.

Onde: Ilha Shows. Alameda Ponta Formosa, 350, Praia do Canto, Vitória.

Ingressos: R$ 140 (3º lote/pista/inteira), R$ 70 (meia). Ingresso solidário a R$ 70 (válido para qualquer um que levar 1kg de alimento não-perecível ou 1 caixa de leite). À venda nas lojas Jacklayne Joias, Acesso VIP, Bicho Guloso, Bar dos Meninos e no site Blueticket.com.br.

Informações: (27) 3224-3726.