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Sertanejo: o gênero de mil e uma faces

Sucesso em todo o país, o sertanejo se divide hoje em vários outros ritmos

Jorge ENTITY_amp_ENTITY Mateus é, hoje, a dupla de maior sucesso do  sertanejo universitário, uma das vertentes do gênero
Jorge ENTITY_amp_ENTITY Mateus é, hoje, a dupla de maior sucesso do sertanejo universitário, uma das vertentes do gênero
Foto: Rubens Cerqueira/Divulgação

Se um dia houve alguma resistência por parte do público das regiões Sul e Sudeste do país em relação à música sertaneja, hoje podemos dizer que os artistas não só se consolidaram pelas bandas de cá, como também arrastam multidões por onde passam. Mas com o boom do gênero nesta parte do país, é comum que fiquemos em dúvida em relação aos subgêneros do ritmo.

Num dia vemos parcerias de duplas com funkeiros, no outro são os reis do forró gravando com os caipiras, ouvimos na rádio sertanejos com batidas diferentes... Conforme destaca o jornalista André Piunti, roteirista do quadro “Bem Sertanejo”, do “Fantástico”, e especialista no assunto, o gênero vive em constante mutação, principalmente graças à mistura com outros estilos musicais.

Tudo começou com a moda de viola, formada por acordes do instrumento combinados a duetos vocais nas áreas mais rurais do país. “Desde a década de 1950 o sertanejo abraçou outros gêneros, ainda quando havia basicamente a moda de viola, que tinha influências até na Jovem Guarda”, exemplifica Piunti, ainda autor do livro “Bem Sertanejo”, em parceria com Michel Teló.

Já em 1980, foi a vez do sertanejo chamado “romântico” entrar em cena, com seu auge na década seguinte, com nomes como Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó em alta.

O sertanejo universitário veio na sequência, dando espaço em seguida a outras variações como o “funknejo” e o “eletronejo”, termos ainda pouco usados. “Outros ritmos como o forró e o funk acharam interessante buscar parcerias e acabou prevalecendo o ritmo maior, que o sertanejo”, opina o jornalista.

Para Piunti, a fase atual do gênero compreende um processo que teve início há cerca de dez anos. A estrutura cada vez melhor dos grandes eventos, aliada à parceria entre os artistas do gênero, fez com que novas duplas surgissem e conquistassem espaço na mídia. “A gestão que existe nos bastidores é muito profissional, muito organizada. Os artistas já consolidados também têm preocupação em ajudar os mais novos”, confidencia.

Presente e futuro

Capítulo à parte na história recente do sertanejo, a presença das mulheres é algo que não chega a surpreender quem acompanha este universo há mais tempo. Maiara & Maraisa e Marília Mendonça, por exemplo, eram os nomes por trás de vários sucessos interpretados por outras duplas.

“Chegou um momento em que todo mundo parou e pensou ‘se elas escrevem tudo, por que não fazem sucesso?’. E aí resolveram lançá-las no mercado. Tem funcionado muito bem.”

O futuro, como todos sabemos, é imprevisível, mas André Piunti vê um movimento unindo o ritmo do momento – o reggaeton – ao sertanejo. Um dos exemplos citados por ele é o trabalho de Zé Felipe, filho de Leonardo, que foi lançado com uma pegada mais latina.

Conheça alguns tipos de sertanejo:

Sertanejo romântico

Pode parecer até um pouco redundante, já que tantas letras do gênero falam de amor, mas esta vertente do ritmo é aquela conhecida por todos que viveram a década de 1990. O principal ícone foi o projeto “Amigos”, com participação de Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, e Leandro & Leonardo.

Sertanejo universitário

Surgiu da ideia de resgatar um pouco do que havia nos anos 1990, com uma batida diferente, voltada para os jovens universitários. “Era algo parecido com as duplas mais famosas, como Zezé di Camargo & Luciano, mas mais acelerado, boa para tocar em choppadas e outras festas universitárias”, explica André Piunti. Entre os principais expoentes estão César Menotti & Fabiano e João Bosco & Vinícius. Nos dias de hoje, a dupla de mais sucesso é Jorge & Mateus.

Moda de viola

É um dos gêneros correlatos mais antigos. A tradição é um cantor apenas com uma viola, contando uma história. “Não é nem cantando, é contando mesmo. Geralmente eram canções mais faladas do que cantadas”, diz o especialista. Um dos destaques é a música “Rei do Gado”, de Tião Carreiro & Pardinho.

Eletronejo

O termo não é tão difundido, segundo Piunti, mas é fato que existe uma entrada da música eletrônica no universo sertanejo. “Existem umas experimentações”, ressalta. Um exemplo é a música “Onde Nasce o Sol”, de Bruninho & Davi, com participação de Jorge & Mateus. A presença de Alok (um dos maiores DJs de música eletrônica do país) nos festivais sertanejos também é cada vez mais frequente, como frisa Piunti.

Funknejo

Não existe uma dupla de sucesso que tenha apostado apenas no sertanejo com funk, mas há misturas cada vez mais frequentes. A precursora disso é “Suíte 14”, uma parceria entre Henrique & Diego e MC Guimê. Outro exemplo é “Lá Se Foi o Boi Com a Corda”, de Bruno & Barreto e DJ Kevin. A junção entre os dois mundos tem funcionado cada vez mais, como mostra Nego do Borel, que gravou recentemente com Maiara & Maraisa e em breve deve gravar com Fernando & Sorocaba.