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Em tom filosófico, filme discute a importância de viver o presente

"A Fera na Selva" será exibido no Festival de Cinema de Vitória hoje à noite, no Carlos Gomes

“Este é um filme sobre as expectativas em torno da vida. De alguma forma, é sobre quem nós somos e quem não somos. É também sobre como nos cegamos sonhando com algo que não está aqui.” É assim que Rafael Romão, roteirista e assistente de direção de “A Fera na Selva”, define o drama dirigido e interpretado por Eliane Giardini e Paulo Betti.

Baseado numa novela do escritor Henry James (1843-1916), o longa procede “Cafundó” (2005), estreia de Betti na direção. Depois de estrear no mês passado no Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, o filme será exibido na noite desta quarta-feira (13) ao público do Teatro Carlos Gomes, no centro de Vitória.

Além de atuarem no filme, Paulo Betti e Eliane Giardini também assinam a direção ao lado de Lauro Escorel
Além de atuarem no filme, Paulo Betti e Eliane Giardini também assinam a direção ao lado de Lauro Escorel
Foto: Divulgação

Contextualizando as palavras de Rafael: seu discurso tem como alvo a figura de João (Paulo Betti). No filme, ele é essa figura que, ao sonhar, abre mão de viver o presente. Mas estamos precipitando as coisas...

O pontapé de “A Fera na Selva” se dá nos anos 1980. Mais especificamente no reencontro de João e Maria (Eliane) anos depois de terem se conhecido. Neste novo contato, ela se lembra de que, uma década antes, quando o casal se conheceu a bordo de um barco, João lhe confidenciou algo que aconteceria com ele a qualquer instante. É a partir disso que os dois se aproximam, viram amigos e constroem uma relação.

“Eles se juntam em torno de algo e se tornam companheiros”, pontua Rafael, referindo-se a esse mistério que espreita a vida do personagem vivido por Paulo Betti.

Desta forma, nós, espectadores, acompanhamos essa relação se construindo ao longo das décadas – tudo costurado com as imagens de Sorocaba, onde o filme é ambientado, e com a narração em off de José Mayer.

João e Maria travam diálogos profundos, quase filosóficos. “Apostamos muito na palavra. Os diálogos são extremamente complexos. De alguma forma, as pessoas têm dificuldade de entrar nas falas. Mas, ao mesmo tempo, elas se identificam”, reforça Rafael Romão.

Outra coisa para que Rafael chama a atenção é a maneira com que o personagem de Paulo Betti não enxerga a companheira ao seu lado. “O filme lida com o machismo de uma forma específica: a representação de um homem que não percebe uma mulher”, diz ele. “‘A Fera na Selva’ é o olhar de um homem. De alguma forma, é como os homens veem a mulher dentro da sua narrativa”, reforça Rafael, sobre uma das possíveis camadas de interpretação do filme.

Mais do que expor essa mazela sexista, o filme busca nos levar a refletir sobre algo que já foi introduzido no primeiro parágrafo deste texto: a cegueira com o cotidiano e nossa inaptidão de perceber o presente ao colocarmos o futuro como Norte das nossas vidas. “Trazemos uma reflexão sobre as pessoas sonharem com o que está de fora e não perceberem o que está aqui”, conclui o roteirista e assistente de direção.

 

Programação desta quarta-feira (13)

9h

Oficina de Crítica Cinematográfica com André Dib, na Ufes.

9h30

Debate com Giselle Ferreira, assistente de direção do filme “Baronesa”, no Hotel Senac Ilha do Boi.

14h

18º Festivalzinho de Cinema, no Teatro Carlos Gomes.

16h

Sessão Especial Ronaldo Barbosa, no Teatro Carlos Gomes, com exibição do filme “Morro do Canário”, de Diego Locatelli.

16h15

6ª Mostra Corsária, no Teatro Carlos Gomes.

19h

21ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas-Metragens, no Teatro Carlos Gomes.

20h30

7ª Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens, no Teatro Carlos Gomes, com exibição do filme “A Fera na Selva”, de Eliane Giardini, Lauro Escorel e Paulo Betti.

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