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O que você comeria se o mundo fosse acabar? Os chefs responderam...

Fizemos a pergunta a alguns mestres-cucas; Confira as respostas

O chef Jonathan Nery (de preto) escolheu a tábua com entrecôte preparada pelo chef Ivan Di Cesare
O chef Jonathan Nery (de preto) escolheu a tábua com entrecôte preparada pelo chef Ivan Di Cesare
Foto: Ricardo Medeiros

Vamos ser diretos de uma vez: se você soubesse que o mundo vai acabar nos próximos dias, o que não deixaria de comer de jeito nenhum para se despedir? A pergunta parece esquisita, mas a equipe do Prazer&Cia caiu nesse questionamento no último mês depois de ler uma matéria que contava a história de um idoso.

A matéria dizia que o dinamarquês, de 75 anos, escolheu fumar um cigarro e tomar uma taça de vinho, depois de saber que não teria mais como tratar uma doença.

Como não gostamos de pensar em coisas difíceis assim, transformamos a pergunta, cogitando um apocalipse ou algo do tipo, e as respostas foram as mais diversas. Resolvemos, então, passar a pergunta à frente, para quem entende (e muito bem) de comida: os chefs.

Alguns não abririam mão da culinária local, houve quem se lembrasse do prato que comia bastante na infância e quem revelasse também a paixão por massas.

À frente da cozinha do Aleixo, o chef Jonathan Nery precisou de poucos minutos para decidir e dar sua resposta. Ficou entre a cozinha contemporânea do Soeta e as carnes na parrilla do argentino La Dolina.

“Eu gosto demais do Soeta, mas vou menos do que gostaria. Outro lugar de que gosto bastante é o La Dolina, então faria questão de dar um jeito de ir lá antes do fim do mundo”, brincou.

Da cozinha “hermana” chefiada por Ivan Di Cesare, Jonathan escolheu uma tábua com entrecôte, corte tradicional argentino. “Vem com legumes feitos de um modo que adoro. Além disso também comeria umas empanadas de entrada”, diz.

Chef por trás das postagens irreverentes e da cozinha também de parrilla do Alcides Carnes Y Tragos, Alcides Junior disse que daria um jeito de ir até o México para comer tacos de tripa ou uma barbacoa de carneiro. “O carneiro é feito enterrado e cozido por 12 horas. Também tomaria um balde de pulque em qualquer espelunca na Cidade do México”, brinca. O pulque é uma bebida alcoólica feita do suco fermentado do agave (também matéria-prima da tequila). 

“Mas e se não desse para ir ao México?”, perguntamos a Alcides. O chef disse que iria à Argentina comer um bife ancho preparado no La Estancia, em Buenos Aires. “Só de falar já me desperta a memória de gordo”, brinca.

Guilherme Real - Para lembrar as visitas da infância

Especialista em tortas doces, o chef Guilherme Real é também apaixonado por hambúrguer. Apesar disso, se o mundo estivesse prestes a acabar, ele não deixaria de visitar a Pousada dos Cocais, em Aracruz, para comer a moqueca de lagosta lá servida. “De entrada, escolheria a casquinha de siri, que vem em uma cumbuquinha. Eu ia muito com meu pai quando era criança, tenho uma memória afetiva. Vou de vez em quando e a qualidade continua a mesma”, conta, lembrando-se ainda da banana flambada também preparada no restaurante da pousada.

Patrícia Pinho - Paixão intensa pelas massas

Assim que atendeu à ligação da reportagem e ouviu a pergunta, a chef Patrícia Pinho soltou algumas gargalhadas e logo deu seu recado: “Acho essa questão muito difícil, porque amo comer e poderia fazer uma lista enorme dos lugares que adoro.” Mas bastou um tempinho para pensar e a chef, também especialista em doces, cravou sua escolha: a lasanha de carne de panela preparada pela chef Júlia Faria, do Daju Bistrô. “Mesmo gostando de muita coisa, há muito tempo tenho preferência pelas massas, e essa lasanha é deliciosa”, comenta.

Orlando Nardi - De olho na boa e velha moqueca

Durante os 15 anos em que morou na Itália, o chef Orlando Nardi especializou-se nas massas e outras iguarias do país e sentiu falta da gastronomia capixaba. No dia a dia, como continua por aqui lidando com a cozinha italiana, costuma sair muito para apreciar uma boa moqueca ou um arroz de polvo. Seriam as escolhas do chef caso o mundo fosse acabar. “Comeria a moqueca capixaba ou o arroz do Timoneiro. Os ingredientes são sempre bons. Sempre busco a moqueca, por ser algo diferente do que costumo fazer”, detalha Nardi.

Cássia Quaresma - Sem abrir mão da tradição capixaba

Mestre-cuca de mão cheia, Cássia Quaresma costuma fazer cookies como ninguém. Quando questionada sobre o que comeria caso soubesse que o mundo fosse acabar, a chef mostrou-se indecisa, e tentou advogar em causa própria, mostrando que às vezes santo de casa faz milagre, sim. “Para ser sincera, sou viciada mesmo na comida do meu marido, Sérgio. Mas tem outra coisa maravilhosa que eu experimentei e amei, que é a torta capixaba preparada pela Zezé Mansur. Já comi várias, mas a dela, para mim, é a melhor. Os ingredientes frescos, a forma como ela faz... só experimentando para saber”, diz.