Do Espírito Santo para o mundo

Estado se destaca nas exportações

Mármore translúcido
Mármore translúcido
Foto: Reprodução/internet

A intensidade e qualidade da atividade produtiva do Espírito Santo o colocam em posição de destaque entre os principais Estados exportadores do país. “Somos um dos estados brasileiros mais voltados ao comércio exterior, uma atividade que representa 32% do PIB capixaba. Temos vocação e estrutura para exportar”, destaca o secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo.

E nos primeiros meses de 2017 foi registrada uma recuperação da atividade de exportação, na comparação com igual período de 2016. É o que revelam dados do Sindicato do Comércio de exportação e importação do estado do Espírito Santo (Sindiex).

Em janeiro e fevereiro, as exportações capixabas somaram US$ 1,2 bilhão, registrando um crescimento de quase 7% na comparação com 2016. Nos dois primeiros meses do ano passado, as exportações alcançaram US$ 1,1 bilhão em negócio. Hoje, o Estado é 8º maior exportador do Brasil.

As projeções de crescimento, segundo o presidente do Sindiex, Marcilio Rodrigues Machado, são promissoras, mas há preocupações dos Estados Unidos.

"A pauta de exportação capixaba, composta principalmente de commodities, dentre elas o minério de ferro, cujo preço se encontra em alta, faz com que os anos de 2017 e 2018 sejam bastante promissores para o setor, caso essa tendência de alta seja sustentável. Entretanto, como o principal mercado de destinos de nossos produtos são os Estados Unidos, vamos torcer para que eles não implementem medidas protecionistas que possam afetar nossas exportações", afirmou.

 O minério de ferro e os produtos relacionados a ferro e aço são as maiores participações nos segmentos exportados. Juntos os dois são 51% de tudo o que o Espírito Santo, sede de grandes mineradoras e siderúrgica, envia para os mercados do mundo.

Pelotas de minério de ferro
Pelotas de minério de ferro
Foto: Divulgação

Mesmo assim, o Estado também se destaca em outros segmentos. Não há nenhum outro na frente do Espírito Santo quando o assunto é exportação de rochas ornamentais. De acordo com dados do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), de todas as cerca de 529 mil toneladas que o Brasil exportou de janeiro a março deste ano, 75,49% partiram do Estado. Isso correspondeu a 81,92% dos cerca de US$ 248 milhões negociados.

Confirmando as habilidades agropecuárias dos capixabas, produtos rurais são muito bem recebidos nas mesas estrangeiras. Em 2016, a exportação desses produtos movimentou R$ 1,38 bilhão.

Além da celulose, destacam-se o café, o mamão papaia, a pimenta-do-reino e a carne bovina. Alguns desses produtos, embora não representem grande parte das exportações capixabas, são um diferencial das exportações brasileiras.

É o caso, por exemplo, da pimenta-do-reino. Segundo o presidente da Cooperação de Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré, Erasmo Negris, o Brasil produziu cerca de 42 mil toneladas do produto em 2014. O Espírito Santo, sozinho, produziu 28% desse montante.

A expectativa nacional para 2017 é de produção de 60 mil toneladas. "A pimenta do Estado tem ótima qualidade, com aceitação excelente no mercado. É uma pimenta cuja a qualidade está valorizada internacionalmente. Estamos tendo muita procura", comentou Erasmo.

O principal comprador da pimenta-do-reino capixaba é o mercado europeu, seguido pelo americano. Mas a pimenta com o selo capixaba também abastece mesas da África e da Ásia.

Os números da produção de gengibre são ainda mais surpreendentes. Cerca de 80% dela sai de Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá. A produção capixaba representa 70% de todo o gengibre cultivado no Brasil.

Em 2016, o país produziu cerca de 12 mil toneladas de gengibre, sendo que 8 mil delas brotaram de terras capixabas. "Temos compradores no mercado interno inteiro. As exportações vão para a Europa e, principalmente, Estados Unidos e Canadá", contou o produtor e exportador Wanderley Stuhr.

Infográfico - Exportações no Espírito Santo
Infográfico - Exportações no Espírito Santo
Foto: Genildo

Recuperação

O secretário estadual de Agricultura, Octaciano Neto, explicou que as exportações dos agropecuários capixabas em 2016 caíram. Para 2017 e 2018, no entanto, as previsões são muito melhores. Até o perfil do presidente dos EUA, Donald Trump, deve ajudar.

"O cenário é muito positivo por dois motivos. A produção agropecuária vai aumentar. Só o café conilon vamos produzir de 20% a 30% a mais que no ano passado. Mas, principalmente, pelo 'efeito Trump'. Ele tem fechado alguns mercados e criado dificuldades a outros. Isso gera oportunidade para o produto capixaba ganhar mercados na Ásia e na Europa. Recuperaremos o patamar de 2014, o nosso melhor, em 2018", disse.

Octaciano diz, ainda, que outro diferencial capixaba é a organização e estabilidade jurídica do Estado. Empresas locais passaram ilesas da Operação Carne Fraga, que verificou fraudes na produção de carne.

"A operação não atingiu o Estado. Nossas empresas exportadoras são tradicionais, de qualidade. A carne, o mamão, a pimenta do reino e vários produtos estão com boa imagem e isso ajuda o mercado do Espírito Santo. Essa ausência de crises por aqui é boa", comentou.

Embora movimento cifras menores, outros mercados exportadores vêm ganhando expansão. No primeiro trimestre de 2016, o Espírito Santo exportou US$ 94,4 mil em móveis de madeira, de cozinha a escritórios. No mesmo período de 2017 o montante chegou a US$ 142,2 mil. Nos três primeiros meses desse ano o setor de tecidos e vestuários exportou mais, US$ 153,7 mil.