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Ginastas capixabas desistem da seleção brasileira por conta da pressão

Emanuelle Lima e Driely Daltoé vão competir apenas pelo ES. Elas alegam vida muito regrada e alta intensidade de treinos no time do Brasil

O esporte de alto rendimento, que visa competições, requer doação e entrega máxima dos seus praticantes. Para se ter uma ideia básica, é só reparar a rotina dos atletas de ponta do Estado, que ficará claro o quanto eles se dedicam para garantir a melhor performance. Mas quando o assunto é a ginástica rítmica, há ainda mais um agravante a ser realçado: a beleza das atletas.

Emanuelle Lima, ginasta capixaba
Emanuelle Lima, ginasta capixaba
Foto: Arquivo A Gazeta

O corpo perfeito, a maquiagem impecável e as expressões faciais são requisitos para uma apresentação contundente no tablado. E isso aumenta ainda mais o nível de exigência sobre as meninas.

49kg

Com 1,67m, Emanuelle Lima teve que bater este peso para ser uma das integrantes da seleção brasileira de ginástica rítmica na Olimpíada de 2016

Integrante da seleção brasileira de conjunto de ginástica rítmica que esteve na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, Emanuelle Lima desistiu de continuar fazendo parte do time do Brasil. Aos 21 anos, ela se "aposentou" da seleção porque queria se dedicar a outros planos e também levar uma vida mais "normal" sem tanta exigência nos treinamentos e na alimentação.

Até porque Emanuelle foi a última atleta do Conjunto a ser confirmada para os Jogos do Rio porque ainda precisava chegar a meta de peso exigida pela comissão técnica. Manu, que mede 1,67m, teve de bater os 49kg na balança.

"Preferi não mais ficar no time porque acredito que já conquistei na seleção tudo o que eu queria. Fui no Pan-Americano e na Olimpíada e sou realizada por isso. Mas a vida dura de treinos, que chegavam a dez horas diárias, a exigência com a alimentação, morar em Aracaju (SE) (onde a seleção treina) já não me agradavam mais. Então decidi ficar só por aqui mesmo, competindo no Estado, e tocar os outros projetos pessoais."

Preferi não mais ficar no time porque acredito que já conquistei na seleção tudo o que eu queria.
Emanuelle Lima

Manu está cursando administração e faz ainda cursos de línguas e de capacitação. Hoje ela tem uma rotina bem mais similar à de qualquer outra garota da sua idade. "A ginasta sofre uma pressão psicológica muito grande. É muita cobrança. Eu sempre tive que fazer dietas e eu não gosto de fazer dieta. Como o que quero. Hoje estou com 58kg. Quero chegar aos 57kg e para mim vai estar ótimo. Também tenho minha vida aqui, minha família, amigos. Sou grata ao esporte, tanto que ainda continuo praticando a ginástica, mas só mesmo para competir por aqui".

 

Driely Daltoé agora pode se dedicar mais à profissão

Drielly Daltoé
Drielly Daltoé

Além de Emanuelle, a ginasta capixaba Driely Daltoé também não fará mais parte da seleção. Nos moldes da conterrânea, Drielly continua competindo no Espírito Santo, mas agora divide a ginástica com a carreira de nutricionista.

"Depois que acabou o ciclo olímpico optei por não continuar fazendo as seletivas para treinar com a seleção. Não era mais prioridade na minha vida. Sofri com uma lesão e os treinamentos são muito intensos. É difícil se manter na ginástica por muito tempo. Mas eu me tornei nutricionista justamente para cuidar de atletas. A ginástica me ajudou também nesta nova profissão".

As ginastas fazem treinamentos repetitivos, porque cada movimento precisa beirar a perfeição aos olhos dos jurados. Por isso a carga horária é tao alta, o que acaba fazendo com que as meninas que defendem um país tenham que se dedicar excessivamente.

 

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