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Moradores criam mapa do crime para denunciar violência em Vila Velha

Três ruas são apontadas como as mais violentas, e, dentre os crimes, roubo de celular é o mais comum; PM revela que houve redução no número de ocorrências

Feito independentemente por moradores, mapa do crime aponta os 41 pontos mais perigosos de Alvorada, bairro de Vila Velha
Feito independentemente por moradores, mapa do crime aponta os 41 pontos mais perigosos de Alvorada, bairro de Vila Velha
Foto: Reprodução

Rua Ana Siqueira, Rua Américo Bernardes e Rua Felicidade Siqueira. Estas são as três ruas mais violentas de Alvorada, em Vila Velha. Isso é o que aponta um estudo independente de moradores da região, chamado de "mapa do crime", que revela os pontos viciados de violência no bairro. Publicado em redes sociais, o documento possui outros mais de 40 alertas de locais perigosos, em que já foi registrado algum tipo de crime.

41

É o número de pontos classificados como perigosos dentro do bairro

Segundo um universitário, de 24 anos, responsável pela publicação do mapa na página Bairro Alvorada - Vila Velha, de 24 anos, que prefere não ser identificado, cinco dias após lançar uma enquete na internet ele já possuía informação suficiente para montar o infográfico. Ele conta que decidiu construir o mapa para mostrar indignação, alertar os moradores do bairro, e chamar a atenção do poder público para a situação que, segundo ele, piorou nos últimos dois meses.

"Neste ano o aumento das ocorrências disparou. No topo da lista dos crimes está o roubo de celulares. O que mais acontece, em seguida, é furtos em casas", comenta. Para ele, que já teve a casa invadida e o carro roubado no bairro, não tem mais um horário específico para a violência no local. O universitário destaca que, ao contrário do que parece óbvio, durante o dia há mais incidência de roubos do que à noite.

"Não existe mais aquela coisa de à noite ser mais perigoso. Nesta manhã (12) já soube de uma mulher assaltada. Até na rua que eu moro com meus pais, e na semana passada um vizinho meu teve a casa invadida por bandidos", frisa. Ele afirma que até ajudou, com imagens que as câmeras de sua casa captaram, o vizinho a identificar e registrar a ocorrência do furto.

INTERNET

O universitário, há cerca de quatro anos, criou uma página no Facebook chamada de Bairro Alvorada - Vila Velha. Lá, além de ter sido publicado o mapa do crime, existem postagens que denunciam a violência, em tempo real, na região. "E nós já conseguimos pavimentação de rua e limpeza de terrenos baldios por meio de posts que fizemos na página", comemora.

Sinceramente, a pessoa vai se alertar, mas às vezes ela não tem como deixar de passar naquela rua. A gente depende de ações da polícia
X, universitário, de 24 anos

No entanto, ele acredita que a divulgação dos casos de violência sirvam mais para deixar a população do bairro atenta. "Tem gente que não pode deixar de passar em determinada rua para ir ao trabalho ou voltar para casa. Mas a ideia, inclusive do mapa do crime, é deixar quem mora aqui mais alerta quanto aos locais em que acontecem mais crime", complementa. "Sinceramente, a pessoa vai se alertar, mas às vezes ela não tem como deixar de passar naquela rua, a gente depende das ações da polícia", desabafa.

MAPEAMENTO

No dia 5 deste mês, o universitário lançou um post na página que administra no Facebook perguntando aos moradores do bairro: "qual rua você foi assaltado?". Cinco dias depois da postagem, com dezenas de mensagens recebidas, ele criou o mapa do crime. Nele, estão marcados 41 pontos em que há maior incidência de crimes nos últimos meses. Veja: 

Ainda assim, três ruas do bairro foram as mais citadas pelos moradores, e, por esse motivo, consideradas as mais perigosas: Rua Ana Siqueira, Rua Américo Bernardes e Rua Felicidade Siqueira.

Segundo o universitário, os pontos do mapeamento foram marcados de acordo com a rua que o morador apontava, bem como um ponto de referência. "Têm ruas que são muito extensas, mas para ter mais precisão, eu pedia, separadamente aos moradores, que dessem um ponto de referência. A partir disso, eu marcava o alerta próximo àquele local específico, para dar mais exatidão às localizações", explica.

PM APONTA REDUÇÃO DE CRIMES

Questionada, a Polícia Militar (PM) informa que, conforme dados disponibilizados pela Gerência de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), entre janeiro e julho de 2016 foram contabilizados 142 atendimentos no bairro Alvorada. No mesmo período deste ano, 133 atendimentos foram feitos.

7%

É o quanto, segundo a PM, reduziu o número de registros de ocorrências na região

Ao contrário do que alegam os moradores, a polícia contabiliza queda no índice de registros de ocorrências de 7%. Além disso, a PM garante que aumentou em 38% as ações de combate neste ano, já tendo realizado 602 operações policiais na região, ao passo que, em 2016, no período analisado, foram 374.

Os números dos registros das ocorrências, segundo a PM, se referem às solicitações de atendimento e por iniciativa das equipes sociais, e compreendem ocorrências de homicídios, lesão corporal, ameaça, furto, roubo, tráfico de drogas, apreensão de arma de fogo, lei Maria da Penha e vias de fato.

DENÚNCIA

A polícia ressalta que o registro das solicitações, por meio do telefone 190, é de fundamental importância para a formulação do mapa do crime na região e, por consequência, do reforço do policiamento nesses locais. Além disso, a PM diz que a comunidade pode auxiliar o trabalho dos policiais, indicando os pontos vulneráveis e os crimes mais comuns ocorridos no bairro.

REUNIÃO

Na noite desta terça-feira (12), a PM, por meio do comando do 4º Batalhão, participou de uma reunião para discutir a proposta de criação do Conselho Comunitário de Segurança dos bairros Alvorada, Planalto, Industrial e Alecrim.

Mais de 100 pessoas participaram do encontro realizado na Escola São Camilo, em Alvorada. Além de policiais militares, estiveram presentes os representantes da Comissão de Segurança da Câmara Municipal de Vila Velha, os vereadores PM Chico Siqueira e Mirim Montebeller; o secretário de Prevenção e Combate à Violência de Trânsito, Oberacy Emmerick Júnior; lideranças comunitárias dos bairros envolvidos e moradores da região.

De acordo com o comandante do 4º Batalhão, tenente-coronel Sebastião Biato Filho, o incentivo à criação de Conselhos Comunitários de Segurança no município de Vila Velha é um dos alicerces do Plano de Comando da Unidade para criar um ambiente sólido de discussões interativas e atender, de forma compartilhada e profissional, os reais anseios das comunidades.

“É preciso resgatar as ações conjuntas no que se refere à segurança pública, e esclarecer que a Polícia Militar não é a única responsável pela ordem pública. Cada empresa, cada cidadão, todos nós, devemos nos envolver em busca de um objetivo comum”, ressaltou o tenente-coronel Biato.

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