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Saiba como é feito o tratamento dos pinguins que chegam à costa do Espírito Santo

Os animais ficam cerca de 3 meses no Iema, em Cariacica, onde precisam passar por um processo de tratamento

No início do segundo semestre de todos os anos, o Espírito Santo recebe uma visita que já é frequente desde o começo da última década: o Pinguim-de-magalhães, que vem de próximo da Argentina. Os animais se perdem no caminho à procura de comida e acabam parando em várias regiões de costa no país, inclusive a do Estado capixaba.

Desde junho o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) já recebeu cerca de 30 animais que foram encontrados no Estado. Eles ficam três meses no local, em Jardim América, Cariacica, recebendo alimentação e tratamento antes de serem soltos novamente ao mar. Assista ao vídeo abaixo:

Quando os pinguins encalham não conseguem nem se alimentar direito e precisam receber comida via sondagem. O motivo é principalmente devido à perda de impermeabilidade nas penas, que faz com que eles sintam frio no mar. “É como se eles tivessem um colchão de ar. Quando ficam presos em uma rede, em óleo ou não conseguem se alimentar, eles perdem a impermeabilidade e começam a sentir o frio da água do mar”, explica o médico veterinário Luis Felipe Mayorga.

Muitos pensam que o pinguim aguenta o clima gelado de qualquer forma, algo que não é verdade. A espécie do animal marinho que chega no Espírito Santo suporta entre 0 e 30 graus Cº. “Ele precisa ser aquecido quando está encalhado e é o que a gente faz aqui. Antigamente tinha gente que colocava o pinguim no gelo quando encontrava, porém o Iema fez campanhas e isso diminuiu. Até hoje os que foram colocados no gelo não sobreviveram”, ressalta Mayorga.

Luis Felipe Mayorga explica que o pinguim nunca deve ser colocado no gelo quando é encontrado
Luis Felipe Mayorga explica que o pinguim nunca deve ser colocado no gelo quando é encontrado
Foto: Kaique Dias/Reprodução

E os pinguins vêm praticamente de todo o Espírito Santo e de outros estados. Eventualmente alguns chegam fora de época, em dezembro e janeiro. Mas o ápice mesmo é entre junho e meados de agosto, quando o Iema recebe dezenas de animais.

Depois do tratamento os pinguins são soltos a 20 km da costa. Eles são levados até a região de Iriri, em Anchieta, onde descansam antes de voltarem para a água. “Sempre que a gente transporta um animal deixamos ele estressado, então deixamos eles descansarem, damos um banho de mangueira, alimento e depois vamos ao mar para soltá-los. Poderíamos deixar eles irem embora pela praia, mas a atividade humana poderia fazer eles sofrerem algum acidente”, completa Luis Felipe.

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