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Michel Temer se cala sobre a crise na segurança do Espírito Santo

Após seis dias de caos, Temer não se pronuncia sobre a situação

O presidente Michel Temer e o ministro interino da Justiça, José Levi, não fizeram comentários sobre a crise na segurança do Espírito Santo
O presidente Michel Temer e o ministro interino da Justiça, José Levi, não fizeram comentários sobre a crise na segurança do Espírito Santo
Foto: José Cruz/ABR

A convulsão no Espírito Santo estremece as paredes das autoridades e expõe o país internacionalmente, mas o Palácio do Planalto, por enquanto, prefere o silêncio. Seis dias após o início do caos na segurança pública capixaba, o presidente Michel Temer (PMDB) e o ministro interino da Justiça, José Levi, permanecem calados. E mais: não pretendem se pronunciar.

Procurados por A GAZETA nesta quinta-feira (9), ambos não deram entrevista, tampouco se manifestaram por meio de nota. Até agora, Temer nem sequer fez uma declaração pública sobre a gravidade do quadro capixaba, mesmo que seus auxiliares reconheçam o risco de o movimento se espraiar e paralisar a polícia de outros Estados já conflagrados, como o Rio de Janeiro.

Embora tenha recebido apelos de parlamentares capixabas, o presidente mantém distância dos microfones em relação à rebelião que beira o descontrole e abriu caminho para mais de 100 assassinatos. Politicamente, na verdade, Temer repete o padrão de presidentes da República pouco próximos do Espírito Santo.

Apesar de as forças federais estarem no Estado, a impressão é de um certo distanciamento do governo. Na segunda-feira, quando representantes do Espírito Santo pediam reforço de tropas nacionais no Ministério da Justiça, o titular da pasta, Alexandre de Moraes, estava no Planalto, já licenciando-se do posto porque foi indicado por Temer para vaga no Supremo Tribunal Federal. Levi é que atendeu a bancada. Na quarta-feira, enquanto o governador Paulo Hartung (PMDB) falava emocionado aos jornalistas, Moraes tomava café com senadores articulando votos para virar ministro na Suprema Corte.

Levi não quer dar entrevistas. Segundo auxiliares, prefere manter uma “interinidade discreta”. Ficará pouco tempo no posto. Há uma briga de caciques governistas pelo comando da Justiça e Segurança Pública (a pasta ganhou novo nome um dia antes de o Estado ferver sob tiros e assaltos), sendo que uma leva dessa base aliada é investigada na Operação Lava Jato. Temer escolherá o novo titular de Justiça após a sabatina de Moraes no Senado.

Defesa

Perguntado por A GAZETA, o Ministério da Justiça não detalhou a biografia de Levi. A tarefa de defender o interino coube ao líder do governo do Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP) – cotado para a Justiça, mas interessado em terminar seu mandato até 2018. “Levi é um jurista renomado e de larga experiência na pasta. Trabalhou inclusive no governo Dilma Rousseff (PT)”. Nunes ainda disse que o governo federal é solidário, presente e atuante no Espírito Santo na crise.

Mas não é só a pasta da Justiça, responsável pelo socorro ao Estado, que está sem o comando do titular. O ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), está em missão em Portugal desde terça-feira. Volta hoje ao Brasil. O general de brigada Adilson Katibe é que comanda a Força-Tarefa Conjunta em ação no Espírito Santo.

Aliás, mesmo que tenha ido a Vitória e liberado os homens das Forças Armadas para atuar em território capixaba, Jungmann se mostrou ainda mais ágil para atender sua terra, Pernambuco. Em dezembro passado, mesmo sem greve concreta da Polícia Militar, nada menos que 3,5 mil militares das Forças Armadas circulavam pela região metropolitana do Recife. Havia ameaça de greve, e o efetivo foi solicitado pelo governador Paulo Câmara (PSB) por “precaução”.

Temer, da última vez em que falou sobre segurança, em janeiro, se embananou. Só se manifestou cinco dias após o início da crise do sistema penitenciário em Manaus, chamando a chacina de “acidente pavoroso”, como se acidente tivesse sido. A Força Nacional de Segurança tem tido trabalho: começou 2017 socorrendo Estados com crise prisional, como Amazonas e Roraima.

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