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Polícia investiga denúncia de maus-tratos em canil clandestino de Vila Velha

O Conselho Regional de Medicina Veterinária formalizou a denúncia na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Cultural

Foto: Reprodução Facebook

No início da noite desta segunda-feira (20), a Polícia Civil informou que o Conselho Regional de Medicina Veterinária formalizou denúncia na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Cultural contra duas mulheres acusadas de maus-tratos a animais e prática ilegal da profissão de veterinária em um canil clandestino de Vila Velha. Por meio de nota, a polícia garantiu que já iniciou as investigações sobre o caso.

As mulheres são criadoras de cães da raça Spitz Alemão no canil Blue Point, em Vila Velha. Vídeos e fotos que mostram cirurgias nos animais chocaram as redes sociais neste fim de semana. As imagens mostram uma espécie de centro cirúrgico improvisado no canil, onde as mulheres operam os cães, mesmo com os animais ainda se mexendo e latindo.

Uma petição pública online, que pede a prisão das duas mulheres, já reuniu mais de nove mil assinaturas, até o início da noite desta segunda-feira (20). No texto, elas são acusadas de charlatanismo por não serem médicas veterinárias e também por maus-tratos, já que nos vídeos é possível ver o sofrimento dos animais.

Acionado pela reportagem do Gazeta Online, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Espírito Santo (CRMV-ES) confirmou que o canil é clandestino, que não tem registro junto ao órgão e que não há sequer um médico veterinário como responsável técnico para dar assistência aos animais.

O Conselho encaminhou a denúncia à Delegacia de Maus Tratos Animais e ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

"O CRMV-ES repudia veementemente esse tipo de prática e destaca que o exercício ilegal da Medicina Veterinária “charlatanismo” encontra-se tipificado na Lei de Contravenções Penais, sendo uma agressão gravíssima ao bem estar animal, à sociedade e à Medicina Veterinária.", afirmou por meio de nota.

VEJA NOTA NA ÍNTEGRA

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Espírito Santo – CRMV-ES, tomou conhecimento na última sexta-feira (17/03/2017), por meio de denúncias, onde constam fotos, vídeos e comentários e posteriormente por redes sociais, do exercício ilegal da Medicina Veterinária praticada por uma leiga que estaria realizando cirurgias em cães de forma cruel.

Insta destacar que, o canil citado é clandestino perante o CRMV-ES, não cumprindo a obrigação de todo estabelecimento desta natureza, de possuir registro junto ao conselho e um Médico Veterinário como Responsável Técnico para dar assistência aos animais.

O CRMV-ES repudia veementemente esse tipo de prática e destaca que o exercício ilegal da Medicina Veterinária “charlatanismo” encontra-se tipificado na Lei de Contravenções Penais, sendo uma agressão gravíssima ao bem estar animal, à sociedade e à Medicina Veterinária.

O Conselho, dentro de sua competência, está tomando todas as providências cabíveis no sentido de encaminhar à denúncia à Delegacia de Maus Tratos Animais e ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas inerentes à competência de cada órgão, bem como solicitar a participação conjunta com esses órgãos nas ações a serem realizadas pela fiscalização do CRMV-ES.

Caso seja identificada a participação ou envolvimento de algum Médico Veterinário no caso, serão adotadas as medidas cabíveis por parte do conselho, como a instauração de Processo Ético Profissional, que, em caso de condenação poderá chegar à cassação do exercício profissional.

Qualquer informação sobre este caso ou outro qualquer dessa natureza deverá ser enviado ao CRMV-ES por meio do e-mail: [email protected], pelo telefone: 27 3324-3877 ou entregue na sede, na Rua Cyro Lima, nº 125, Enseada do Suá, Vitória.

Procurada pela reportagem, a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Cultural afirmou que aguarda a formalização da denúncia pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária para dar início às investigações.

OUTRO LADO

Uma mulher que se identifica como proprietária do canil entrou em contato com a reportagem do Gazeta Online após a publicação da matéria e confirmou que não possui formação acadêmica para realizar os procedimentos médicos nos cães. Ela aparece nos vídeos fazendo operações em animais e afirma que só vai responder às acusações de prática ilegal da medicina veterinária em juízo.

No entanto, a mulher rebate as acusações de maus-tratos e diz que não há animais em sofrimento no canil que ela gerencia há 30 anos. "Não há maus-tratos no meu canil. Se houve alguma irregularidade que aconteceu aqui isso será esclarecido em juízo. Ele está aberto para receber qualquer pessoa que queira ver como os animais estão", afirmou.

A proprietária relata ainda que é expositora de cães e que possui troféus de competições em diversos lugares do mundo. No entanto, ela confirma que o canil não tem registro no CRMV-ES.

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