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Áudios mostram articulação de nova paralisação da PM no Espírito Santo

Em conversas telefônicas, três dos quatro presos na operação conversam sobre os desdobramentos do fim da greve da PM e articulam novos atos

Gravações feitas com autorização da Justiça mostram três dos quatro presos na operação "Protocolo Fantasma" conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual, organizando uma possível nova paralisação da Polícia Militar

Quatro pessoas, tidas como principais articuladoras do movimento, tiveram a prisão preventiva decretada. São eles: o ex-soldado da PM Walter Matias Lopes, a mãe do soldado Bispo, Cláudia Bispo, a esposa do PM Wellington, Ângela Souza, e o soldado do 1º Batalhão, Leonardo Fernandes Nascimento. Outras 17 pessoas foram convocadas para prestar depoimento.

> PMs e familiares na mira da "Operação Fantasma"

Ao justificar sua decisão da prisão, a juíza destacou “as consequências nefastas do movimento paredista da Polícia Militar em nosso Estado, culminando com duas centenas de mortes, uma onda de saques e furtos a estabelecimentos comerciais, suspensão de aulas, da atividade comercial, do transporte público e até das atividades do próprio Poder Judiciário”.

O processo tramitou em segredo de Justiça e nesta segunda-feira (20), quando teve início a ”Operação Protocolo Fantasma”, a juíza quebrou o sigilo.

Nos áudios, Ângela, Matias e Cláudia conversam sobre os desdobramentos do fim da greve e principalmente sobre como fariam uma nova movimentação para interromper novamente a entrada dos batalhões.

OUÇA AS GRAVAÇÕES

02/03/2017 - Conversa entre Matias e Ângela - Trecho 1

 

ÂNGELA: VOCÊ VIU O QUE O GAZETA ONLINE COLOCOU SOBRE VOCÊ E ISABELA?

MATIAS: DE NOVO? HOJE?

ÂNGELA: MONA, VOCÊ JÁ DEVIA TER ENTRADO NA JUSTIÇA HÁ MUITO TEMPO CONTRA ESSA GAZETA, HEIN.

MATIAS: NÃO, VOU ENTRAR. TÁ TODO DIA. PÔ, COLOCARAM MEU NOME E O DELA NA...

ÂNGELA: FOI ONTEM SABE PORQUE? ELES ESTÃO SUJANDO SUA IMAGEM. MATIAS, "...", DEIXA EU TE FALAR, PIOR QUE A GENTE NÃO PODE FICAR FALANDO POR TELEFONE ESSAS COISAS.

MATIAS: NA VERDADE...

ÂNGELA:  VOU FALAR POR CÓDIGO. A MAIORIA DAS PESSOAS ESTÃO QUERENDO, ESTÃO QUERENDO FAZER UM ACORDO, ENTENDEU? (RISOS)

MATIAS: ACORDO?

ANGELA: SE ASSOCIAR.

MATIAS: AH TÁ. HEIN, VOCÊ TÁ AONDE?

ÂNGELA:  OH, MUITA GENTE TÁ QUERENDO. TO EM CASA, CHEGUEI ONTEM, CHEGUEI AGORA DE MANHÃ E TEM MUITA GENTE QUERENDO, INCLUSIVE O DAQUI DE CASA TÁ QUERENDO SAIR DE LÁ E PASSAR PRA SUA.

MATIAS: É MESMO?

ÂNGELA:  É SÉRIO. NÃO É MENTIRA NÃO. UM MONTE DE GENTE, MATIAS. NÓS TEMOS QUE COMEÇAR A VER ISSO, MEU FILHO. É AGORA, NÃO É DEPOIS NÃO. A GENTE TEM QUE VER ENQUANTO A PANELA TÁ FERVENDO, TÁ TODO MUNDO COM RAIVA. EU SEI ARTICULAR MUITO BEM ISSO. ISSO AÍ EU SEI, ENTENDEU?

MATIAS: BELEZA.

ÂNGELA:  ENTÃO VOCÊ TEM QUE PUXAR A SARDINHA AGORA PRO SEU LADO MESMO. JÁ QUE ESTÃO FALANDO, ENTÃO VAMOS LÁ. É ISSO MESMO. "..."

MATIAS: O GOVERNADOR SÓ TÁ, NA VERDADE, O GOVERNADOR TÁ FAZENDO SÓ MEU "..." PORQUE TÁ TODO MUNDO MENDIGANDO, QUERENDO QUE EU VENHA CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL.

ÂNGELA: POIS É.

02/03/2017 - Conversa entre Matias e Ângela - Trecho 2

MATIAS: AI!AI!

ANGELA: A MEU FILHO MAIS AGORA O PIOR CÊ BENZER ESSE SEU NOME TÁ, O QUE ROLA, O QUE ROLA AGORA É SEU NOME. "..." SERÁ? A GENTE DEVIA SE ASSOCIAR COM MATIAS, FALEI: HUM! QUE BOM JÁ DEIXEI A PULGA ATRÁS DA ORELHA DESSE POVO.

MATIAS: SHOW DE BOLA!

ANGELA: MAS VEM...ENTÃO TÁ BELEZA, MATIAS.

MATIAS: OS MENINO ESTÃO QUERENDO ME LANÇAR DEPUTADO, CÊ VAI SER MINHA CHEFE DE GABINETE TRABALHAR LÁ COMIGO.

ANGELA: (RISOS) HEIN A GENTE TEM QUE COMEÇAR A VER ESSAS COSAIS, MATIAS É AGORA AQUELA "..." JÁ TÁ TRABALHANDO. AS MENINAS: NÃO, ÂNGELA CÊS NÃO PODEM FAZER ISSO AGORA NÃO QUE VÃO ACHAR QUE É POLITICAGEM. UÉ E NÓS ESTAMOS BRINCANDO NA PISTA? QUEM TE FALOU QUE NÓS ESTAMOS BRINCANDO NA PITA? NÓS ESTAMOS BRINCANDO NÃO, MINHA FILHA. MATIAS, QUALQUER PESSOA QUE TE LANÇA AGORA A FAVOR DESSES MILITARES, SE VOCÊ QUISER, MEU FILHO, SE TEM ALGUMA INTENÇÃO É AGORA TÁ, NÉ DEPOIS NÃO.

MATIAS: EU SEI DISSO.

NGELA: SE VOCÊ QUISER SE LANÇAR, O QUE VOCÊ LANÇAR AGORA CÊ GANHA, VEREADOR, SINDICO DE CONDOMÍNIO, TUDO GANHA.

MATIAS: (RISOS).

ANGELA: É SÉRIO! TÔ FALANDO SÉRIO CARA, TÔ FALANDO SÉRIO, SE VOCÊ QUISER LANÇAR PODE LANÇAR SE BOTA NO "..." DEPOIS.

MATIAS: ENTÃO TÁ, MAS ALGUNS FICAM FALANDO DO INTERIOR: NÃO, "..." VÃO ACHAR QUE É POLITICAGEM E TAL. EU FALEI: MAS NÃO SOU EU NÃO PORQUE O MENINO LÁ DO QCG FEZ UM BANNER DELE E COLOCOU MATIAS VEM AÍ, SOLDADO MATIAS.

ANGELA: ISSO AÍ TÁ ÓTIMO, TÁ BOM DEMAIS, A NOSSA INTENÇÃO É ESSA MESMO, SE NÃO TIVER... EU FALEI: GENTE SE NÃO TIVER UM POLÍTICO PRA PODER EMPURRAR ESSA SITUAÇÃO NÓS SÓ VAMOS TOMAR NO RABO, BEM QUE MATIAS FALAVA: GENTE! A GENTE TEM QUE CORRER ATRÁS DE ALGUÉM, A GENTE NÃO PODE FICAR PARADO NÃO. VAI TODO MUNDO SE FERRAR. ESSAS MENINAS SOZINHA NÃO VAI RESOLVER NADA.

MATIAS: "..."

ANGELA: EU FALEI: CÊS TÃO VENDO AÍ? TODO MUNDO TEVE QUE SE METER, A CUT TEVE QUE SE METER, AS OUTRAS ASSOCIAÇÕES TEVE QUE SE METER, ISSO QUE MATIAS VEM FALANDO NÃO É NOVIDADE NÃO, GENTE, QUE IA ACONTECER NÃO, JÁ ERA PRA TER ACONTECIDO ISSO HÁ MUITO TEMPO, AÍ TODO MUNDO: É MESMO! EU FALEI: "..."

MATIAS: EU NÃO VI NÃO.

ANGELA: NESSE PAÍS NOSSO HIPÓCRITA DE CORRUPTO "TRECHO ININTELIGÍVEL" PORTA DE BATALHÃO.

ANGELA: POR MATIAS A GENTE JÁ TINHA SAÍDO DE LÁ HÁ MUITO TEMPO, MINHA FILHA, E JÁ TINHA TACADO FOGO EM OUTRAS COISAS.

02/03/2017 - Conversa entre Matias e Ângela - Trecho 3

 

ANGELA: CÊ PODE SAIR NA RUA QUE CE NÃO VÊ UMA BARQUINHA NA RUA, SE VOCÊ VÊ PODE TER CERTEZA FORAM TOMAR CAFÉ, FORAM FAZER ALGUMA COISA, TÃO ENROLANDO PRA PODER CHEGAR NO QUARTEL.

MATIAS: QUEM SAIU PERDENDO NISSO TUDO AÍ FOI A POPULAÇÃO NÉ. PORQUE... A POLÍCIA TÁ NA RUA MAS NÃO TÁ TRABALHANDO.

ANGELA: É VERDADE.

MATIAS: QUAL MOTIVAÇÃO QUE ELES VÃO TER PRA... PRA FAZER ALGUMA COISA.

ANGELA: NENHUM, MENINO. A POLÍCIA TÁ NA RUA MAS NÃO TÁ TRABALHANDO NÃO, TÁ TODO MUNDO DE BRAÇO CRUZADO. TÁ TODO MUNDO COM RAIVA JÁ .

MATIAS: EU SEI.

NGELA: TÁ TUDO MUNDO ESPERANDO EU JÁ, PORQUE O POVO JÁ CONHECE MINHA CARA DE TANTO EU FALAR. O POLÍCIA ME CHAMOU, FALOU BEM ASSIM: VEM CÁ VOCÊ NUM É AQUELA MENINA QUE TAVA LÁ NA FRENTE DO BATALHÃO, EU FALEI: SOU, POIS É E ESSA REUNIÃO HOJE? MEU FILHO ESSA REUNIÃO DE HOJE ERA PRA IR OS FAMILIARES TUDO PRA PORTA DO MINISTÉRIO DO TRABALHO LÁ EM JARDIM CAMBURI, ELE FALOU: POIS É EU VOU VER SE EU MANDO MINHA MÃE E MINHAS IRMÃS PRA PODER IR, EU FALEI: ÓTIMO! QUANTO MAIS GENTE HOJE PRA AQUELA REUNIÃO A GENTE PUDER JUNTAR VAI SER MELHOR AINDA, ENTENDEU?

MATIAS: UHUM!

ANGELA: VAI SER MELHOR AINDA PRO NEGÓCIO NÃO ESFRIAR, SÓ QUE NEGÓCIO NÃO ESFRIOU NÃO, OS POLÍCIA AGORA QUE NÃO QUER TRABALHAR.

MATIAS: É MESMO!

ANGELA: "..." EU NÃO SEI O QUE É PIOR, MATIAS, ESSE POVO PRESO DO JEITO QUE TAVA OU AGORA TUDO SOLTO NA RUA SEM FAZER NADA.

MATIAS: É, NÃO SEI QUAL É O PIOR, SÉRIO MESMO.

16/03/2017 - Conversa entre Cláudia e Ângela

 

ÂNGELA: É... AQUELA COISINHA PASSOU LÁ DIZ QUE O POVO TÁ VIRADO NOS DEMÔNIO LÁ NO QUARTO. MANDOU UMA MENSAGEM, MANDOU MENSAGEM AQUI PRA MIM, CLAYDE FALOU: “ NGELA, VAI TER QUE DAR UM JEITO NESSA REUNIÃO. NÓS TEM QUE FECHAR UM BATALHÃO PORQUE ESSE GOVERNADOR VAI BOTAR NO NOSSO RABO COM GOSTO DE GÁS”. FAZER IGUAL "..." FALOU: NGELA, AQUELA BARRICADA LÁ ME O PÉ PRA CIMA JOGA PRA CIMA TEM NADA A VER AQUILO NÃO, MENINA, O... MENINO DAQUI FALOU A MESMA COISA QUE AQUILO LÁ É PRA BOI AQUI ALI, AQUELA VIATURA TÁ PARADA ELA NÃO ANDA NÃO, BOTARAM QUE EMPURRARAM E BOTARAM ALI DE FOTOGRAFIA PRA A GENTE.

CLAUDIA: MAS AÍ MONA TEM QUE SER MAIS MULHERES. VINTE MULHERES ALI É MUITO POUCO.

ANGELA: ISSO, MAS OLHA SÓ, NÓS PRECISAMOS EM PRIMEIRO LUGAR DO INTERIOR, DE ALEGRE...

CLAUDIA: ALEGRE, ALEGRE É QUE EU REPRESENTO. TO FALANDO COM ELA AGORA.

ANGELA: ALEGRE SÓ TÁ ESPERANDO, POIS É, ALEGRE SÓ TÁ ESPERANDO...

CLAUDIA: NÃO, ALEGRE TÁ QUERENDO FECHAR LÁ. JÁ FALARAM COMIGO, JÁ TÃO QUERENDO FECHAR LÁ

ANGELA: ISSO, ISSO "..."

CLAUDIA: MAS NUM É FECHAR BATALHÃO NÃO. ELAS TÃO QUERENDO FECHAR RUA.

NGELA: UM SÓ, UM SÓ TEM QUE FECHAR, UM BATALHÃO SÓ. VINTE E QUATRO HORAS EM UM SÓ PRA DAR UM SUSTO, QUE AÍ TODO MUNDO VAI ADERIR DE NOVO, OH! AS BARATINHA LÁ DO PRIMEIRO, PRINCIPALMENTE DO PRIMEIRO, DIZ QUE AS BARATINHAS ENTRA OITO HORAS DA MANHÃ E SAI SETE HORAS NÉ.

CLAUDIA: EU SOU A FAVOR DE FECHAR O PRIMEIRO QUE É MENOS VIOLENTO.

ANGELA: ISSO.

EM SOM AMBIENTE: VINTE HORA E SETE HORAS.

NGELA: VINTE HORA E SETE HORAS TÁ VENDO, VINTE HORA E SETE HORAS.

CLAUDIA: AHAM!

ANGELA: TEM QUE SER ISSO MESMO, MONA, SE AS BARATINHA NUM TIVER NA RUA, NADA FEITO, A GENTE ATRAPALHA QUEM VAI ENTRAR E ATRAPALHA QUEM VAI SAIR, PRONTO ACABOU.

CLAUDIA: É MAIS CADÊ... QUANDO ISSO?

ANGELA: TEM QUE SER PRA ONTEM. POR ISSO QUE ESSA ASSEMBLEIA LÁ EM CASA AS MENINAS FALOU QUE A GENTE TEM QUE FAZER FECHADO TUDO COMBINADO PRA NINGÚEM SABER FALAR PRA ALGUNS PESSOAL ALGUNS DO BPM QUE SÃO AS CINCO CIA QUE TEM DE LÁ DE ILHA DE MONTE BELO, PRAIA DO CANTO, JARDIM CAMBURI E ESSA DAQUI DE SANTO ANTONIO. FECHOU, ACABOU, "BIU". É ISSO AÍ QUE ELE VAI FICAR COM MEDO. NÓS TEM QUE DAR UM SUSTO NELE, MONA.

CLAUDIA: É, DEUS ABENÇOE, É MONA, MAS AÍ NÃO ADIANTA IR VINTE MULHERES NÃO. POXA A GENTE TAVA VENDO A FILMAGEM AQUI FOI MUITO POUQUINHO TÁ, MONA.

ANGELA: AQUELAS QUE TINHA HOJE LÁ DAVA PRA FECHAR O PRIMEIRO PORQUE FECHOU O PRIMEIRO O RESTANTE VEM TUDO DOIDO QUE NEM CASA DE MARIMBONDO, OS HOMEM VEM QUE NEM CASA DE MARIMBONDO. FECHOU O PRIMEIRO BATALHÃO...

CLAUDIA: ENTÃO ARTICULA AÍ, ARTICULA AÍ ENTÃO, MONA.

ANGELA: POIS É. ENTÃO NÓS VAMOS COMEÇAR A FAZER ISSO EM GRUPO. VOCÊ TRATA DE FALAR ISSO COM O INTERIOR.

CLAUDIA: EU VOU FALAR COM O INTERIOR AGORA

ANGELA: ISSO, PODE FALAR COM O INTERIOR, AGORA NÃO TEM CONVERSA CLAUDIA.

 

A OPERAÇÃO

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com o apoio da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), por meio de sua Corregedoria, e da Força de Segurança Nacional, realizou na segunda-feira (20/03), a operação "Protocolo Fantasma", voltada ao cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva (que não tem prazo e pode ser mantida enquanto houver motivo para a manutenção), 23 mandados de busca e apreensão e 17 notificações para depoimento, expedidos pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Vitória e tendo como alvos policiais militares, familiares de policiais e representantes de associações classistas.

Durante operação, foram presos Ângela Souza Santos, Walter Matias Lopes, Leonardo Fernandes Nascimento e Cláudia Gonçalves Bispo. Eles prestaram depoimento na sede do Gaeco e depois foram encaminhados para o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar (QCG), em Maruípe, Vitória. Todos são investigados pela prática, em tese, dos delitos de associação criminosa (art. 288 do CPB), atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública (art. 265 do CPB), apologia de fato criminoso (art. 287, CPB e 156, do CPM), motim/revolta (art. 149 do CPM), ameaças a autoridades (art. 147), dentre outros.

Os integrantes do Gaeco já iniciaram a análise da documentação e equipamentos apreendidos e continuarão a realizar a oitiva de testemunhas e investigados. A deflagração da operação não obsta a conciliação e as negociações em prol de melhorias reivindicadas pela classe policial, já iniciadas por comissão mista formada perante a 3ª Vara de Fazenda Pública de Vitória, até porque as condutas criminosas sob apuração são contrárias aos interesses da categoria e atentatórias à sociedade capixaba.

O nome da operação, "Protocolo Fantasma", foi sugerido pela Corregedoria da PM, e faz referência a um dos filmes da série “Missão Impossível”, em que uma equipe investiga para tentar limpar o nome da instituição em que trabalha.

A juíza da 4ª Vara Criminal de Vitória, Gisele Souza de Oliveira, deferiu um pedido feito pelo MPES, e autorizou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio da operação “Protocolo Fantasma”, realizasse o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão em vários municípios da Grande Vitória.

A ação, de acordo com o pedido do MPES, teve como principal objetivo a produção de provas para o processo criminal que visa identificar e punir os responsáveis pela fomentação dos movimentos que têm impedido a PMES de atuar no Estado de forma regular. Para o MPES, os relatórios de transcrição das conversas, juntados à petição protocolada na 4ª Vara Criminal, são a chave para descobrir de que maneira a suposta organização funciona.

Em um trecho das conversas interceptadas e lançadas à petição, uma das pessoas investigadas, em uma ligação datada da quinta-feira (16/03), sustenta já ter passado nos batalhões, alegando, ainda, que os policiais estariam de acordo em fechar as unidades. Segundo os autos, a pessoa que dizia já ter acertado tudo com a polícia seria uma das líderes do movimento paredista.

Além de afirmar já ter articulado com os batalhões para o inicio das possíveis paralisações, a pessoa suspeita de liderar o movimento também alegou que precisaria de mais mulheres nas ações de obstrução das unidades policiais. Ainda de acordo com o processo, uma reunião aconteceria na casa da investigada, para acertos acerca da atuação do grupo.

Já em outra parte da conversa, a líder do movimento assumiu que, durante protesto realizado na quinta-feira (16/03), a atuação do grupo teria atrapalhado o trânsito no entorno da Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória.

Ao fundamentar a decisão, a juíza destacou que “as consequências nefastas do movimento paredista da Polícia Militar em nosso Estado, culminaram com duas centenas de mortes, uma onda de saques e furtos a estabelecimentos comerciais, suspensão de aulas, da atividade comercial, do transporte público e até das atividades do próprio Poder Judiciário”, concluiu.

A juíza Gisele Souza de Oliveira relatou ainda em sua decisão: “Nesse período, a sociedade capixaba ficou abandonada à própria sorte, com seus cidadãos trancafiados em suas residências, impedidos, pela onda de violência, de exercer o direito constitucional de ir e vir. Tratou-se de situação até então nunca experimentada, naquela dimensão, pela sociedade capixaba”.

Disse ainda: “Aliás, creio não existir na literatura jurídica e nem na jurisprudência produzida pelos nossos tribunais, outro exemplo de situação que melhor encarne a justificativa de garantia da ordem pública, considerando essa como a necessidade de preservação da boa convivência social” .

O processo tramitou em segredo de Justiça, mas a partir do início da "Operação Protocolo Fantasma", a juíza quebrou o sigilo.