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Com garis em greve, ruas da Grande Vitória amanhecem tomadas por lixo

Categoria anunciou início da greve na madrugada de quinta-feira (20). Trabalhadores pedem reajuste salarial de 20% e tíquete alimentação de R$ 600

Ruas da Grande Vitória amanheceram com lixo nas ruas
Ruas da Grande Vitória amanheceram com lixo nas ruas
Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Os trabalhadores terceirizados em limpeza pública da Grande Vitória anunciaram greve da categoria, na madrugada desta quinta-feira (20), por tempo indeterminado. Na manhã desta sexta-feira (21), moradores já registraram o acúmulo de lixo nas ruas.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza (Sindilimpe), a categoria reivindica reajuste salarial de 20% e tíquete alimentação de R$ 600. O sindicato patronal culpou a crise econômica.

Segundo o Sindilimpe, foram quatro meses de negociação, mas o reajuste oferecido pelos patrões foi de 3,19%, tanto nos salários quanto no tíquete alimentação. A presidente do sindicato, Evani dos Santos, disse que o valor não cobre nem a metade da inflação acumulada de 2016.

“É importante lembrar a todos que a nossa categoria utiliza o salário e os benefícios para comprar comida, pagar aluguel, pagar energia, água, para sobreviver. Não é para comprar carros, imóveis. Assim, não cobrir nem a inflação e não dar ganho real, é deixar milhares de pessoas e suas famílias cada vez mais pobres, comendo menos”, apontou a presidente do Sindilimpe, Evani dos Santos Reis.

O diretor de Comunicação do Sindilimpe, Eduardo Florindo de Amorim disse que a crise econômica não justifica o posicionamento dos patrões, e lembrou que nos últimos anos, centenas de trabalhadores que atuavam na limpeza pública foram demitidos.

“A própria imprensa divulgou as demissões em massa muitas vezes. Isso impõem a gente uma carga de trabalho muito maior. É o pior dos mundos: muito mais trabalho, mais adoecimentos, mais acidentes de trabalho e ainda querem nos dar salários que compram menos”, denunciou.

Outro lado

O presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana do Estado (Seluris), Marco Antônio Valente, disse que as negociações começaram em janeiro e que o sindicato patronal ofereceu reajuste abaixo da inflação porque há seis anos a categoria estava recebendo reajustes bem acima da inflação, com grandes ganhos reais.

Esse ano, por causa da crise, o sindicato está oferecendo metade da inflação porque as prefeituras estão em situação muito complicada. Segundo ele, há prefeituras que devem até três anos de reajuste às empresas.

A maior preocupação no momento é manter os empregos. Marco Antônio disse ainda que não entendeu o motivo da paralisação porque as negociações ainda poderiam continuar. O Sindilimpe não chegou a recorrer à justiça trabalhista. Quem recorreu à justiça foi o Seluris, que entrou com pedido de liminar onde a justiça determinou continuidade de 70% dos serviços de coleta de lixo e varrição das ruas, sendo que a coleta hospitalar tem que ser mantida em 100%. Com multa de 50 mil reais por dia para o Sindilimpe.