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Há 70 anos no mercado, Oswaldo Moscon relembra trajetória

Tradição e modernidade que andam em compasso

"Já mexi no relógio da Praça Oito, do ano de 1962 aos anos 1990. Meu pai também mexeu nele. Hoje em dia o relógio está até parado. Se não tem peça, que se faça a peça então"
"Já mexi no relógio da Praça Oito, do ano de 1962 aos anos 1990. Meu pai também mexeu nele. Hoje em dia o relógio está até parado. Se não tem peça, que se faça a peça então"
Foto: Fernando Madeira

Conhecida, em parte, pelos relógios de rua, a Áustria é onde está localizado um dos mais tradicionais marcadores de hora do mundo, o Ankeruhr (relógio Âncora). Neto de austríacos, Oswaldo Moscon, 86, não negou sua descendência e com 70 anos de ofício, é o mais famoso relojoeiro do Estado. Por décadas, comercializou e consertou relógios dos capixabas e de quase todos governadores que passaram pelo Palácio Anchieta nos tempos recentes. O emblemático relógio da Praça Oito (hoje parado) também já contou com seus cuidados no passado.

"Meu nome é Oswaldo Antônio Moscon. Nasci em Santa Teresa, mas fui criado em Afonso Claudio. De lá saí e vim para Vitória em 1948, com uns 16 anos. Meu pai já trabalhava na Avenida Jerônimo Monteiro (Centro de Vitória) com oficina de conserto de relógios. De lá fomos para rua do Rosário (também no Centro).

De 1970 para 1980, tive quatro lojas na Rua do Rosário, três em frente à esquina com a Jerônimo Monteiro. Durante esse tempo muita coisa aconteceu. Meu pai havia falecido em 1983, quando eu estava com 65 anos de idade, e, no mesmo ano, minha loja foi roubada. Levaram quase tudo, foi muito feio o roubo. Graças a Deus ficou tudo normal depois, era um bom movimento naquela época no Centro de Vitória. Depois foi caindo, ficou muito ruim e, por isso, fechei a loja em 1996.

Aqui no Estado, eu mexi em relógios de governadores, deputados... Todos os políticos praticamente foram meus clientes. Desde 1954, do Jones dos Santos Neves para cá, todos os governadores foram meus amigos e clientes. Até hoje é assim com o Paulo Hartung. Eles gostam de usar Rolex, outros, Omega...

Hoje, porém, mudou muito a tecnologia dos relógios. Os primeiros eram todos mecânicos e automáticos. De 1980 para cá entraram os relógios quartz (a passagem do tempo é medida pelas vibrações de um minúsculo cristal de quartzo), que são, na atualidade, a maior parte. Os mecânicos de boas marcas ainda existem, mas até as melhores marcas estão bem avançadas, com modelos diferentes.

Oswaldo Moscon está há  70 anos na ativa e se orgulha de ter atendido a diversos governadores
Oswaldo Moscon está há 70 anos na ativa e se orgulha de ter atendido a diversos governadores
Foto: Arquivo Pessoal

Eu só mexo com relógio. Meu filho (Oswaldo Moscon Jr.) mexe com joias. Ele começou comigo lá no Centro, depois colocou oficina por conta própria e, até hoje, trabalha por conta própria. Ele fabrica, conserta, faz tudo. Fez a primeira coroa da imagem de Nossa Senhora da Penha. Com três meses e pouco de feita, ela foi roubada. Depois ele fez a segunda em ouro 18 quilates. A do menino Jesus também é obra dele. Desde nascença esse ramo (de relojoaria, joalheria) entrou na vida da minha família.

Acredito que cada um já nasce com um destino de profissão. Meu pai já mexia com relógio desde quando morava no interior. Eu comecei com ele e não larguei mais. Estou completando 70 anos de profissão e trabalho ainda hoje com prazer (em um espaço dentro da loja do filho).

PRAÇA OITO

Mexi no relógio da Praça Oito, do ano de 1962 aos anos 1990. Meu pai também mexeu nele e no relógio do Convento da Penha. Hoje o relógio da Praça Oito está até parado. Correu o boato que tinham até trocado a máquina dele, mas não trocaram. A máquina sempre vai dar conserto, lógico que vai dar trabalho, pois vai passando o tempo, vai deteriorando... Se der para continuar dando manutenção, é melhor.

Existem coisas modernas, eletrônicos, que talvez dariam menos trabalho, mas o ideal seria continuar o mesmo mecanismo. Na Europa, a tradição é usar a mecânica. Você vê o Big Ben (Inglaterra), todas as torres da Suíça são mecânicas. Só o relógio daqui não funciona? Se não tem peça, não tem a roda, que possivelmente não existam mais por ser um relógio com mais de 100 anos, que se faça, então. Não é fabricado mais? Tem que fazer.”

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