Notícia

Criança é atingida por bala perdida na Serra

Um morador, de 21 anos, que passava na rua onde aconteceu os tiros também foi baleado e está internado no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra

Fachada do Hospital Jayme dos Santos Neves, onde um jovem está internado após também ser atingido por bala perdida
Fachada do Hospital Jayme dos Santos Neves, onde um jovem está internado após também ser atingido por bala perdida
Foto: Ricardo Vervloet

O dia era pra ser de festa para uma menina, que junto à família comemorava os 7 anos, neste sábado (15), no bairro Residencial Mestre Álvares, na Serra. Mas o dia dela terminou na urgência de um hospital após ser atingida por uma bala perdida, dentro do carro, quando voltava para casa. O veículo foi baleado durante uma suposta troca de tiros entre assaltantes em fuga e justiceiros do bairro.

Um morador, de 21 anos, que passava na rua onde aconteceu os tiros também foi baleado e está internado no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra.

Segundo informações da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a criança estava no banco traseiro de um Corolla, dirigido pelo padrasto dela. No veículo ainda estavam a avó da menina, de uma tia e do irmãozinho, um bebê de apenas três meses. A família havia saído da casa de parentes, onde comemoraram o aniversário da criança, por volta das 19 horas.

O Corolla passava pela Avenida Salvador, no sentido BR 101, quando um tiro atingiu a traseira do veículo. O disparo atingiu as costas da criança, próximo à coluna. Ela foi socorrida para o Hospital Infantil de Vitória, onde continuava internada até este domingo. 

A polícia não soube informar de onde partiu o tiro que atingiu o Corolla. No entanto, atrás do carro da família seguiam dois veículos, na mesma direção. Um deles, logo atrás do Corolla, era um veículo de cor branca onde estavam quatro criminosos que fugiam após cometerem um arrastão no bairro. Um outro carro, de cor escura, com pelo menos dois ocupantes, perseguia os assaltantes na tentativa de detê-los.

Segundo a DHPP, a suspeita é de que seriam moradores do bairro que tentavam deter os assaltantes, mas que também estavam armados.

Os tiros aconteceram durante a fuga dos assaltantes, mas a polícia ainda não sabe precisar de onde partiram os tiros que atingiram a menina e o rapaz.

O jovem baleado é um assistente de logística, de 21 anos, que seguia a pé na rua acompanhado do irmão e de um amigo. Ao começarem os tiros, os três correram para se proteger. Um deles chegou a entrar em uma sorveteria para se abrigar.

CRIMINALIDADE NO BAIRRO

Minutos antes do tiroteio que deixou duas pessoas baleadas, moradores contaram que os quatro assaltantes haviam praticado um arrastão no bairro. “Roubaram uma barraquinha de cachorro-quente e também saquearam as pessoas que estavam jogando dominó na praça. O mesmo bando foi o que entrou no supermercado para assaltar”, contou um morador, que devido ao medo, não quis se identificar.

O assalto ao supermercado teria sido o último ponto da gangue. Lá, os bandidos apontaram armas para clientes e funcionários. Três homens, usando bonés e cobrindo o rosto com uma camisa, entraram no estabelecimento após renderem três clientes que estavam na calçada. Um terceiro criminoso dava cobertura do lado de fora.

No interior do estabelecimento, os ladrões percorreram os quatro caixas e pegaram o dinheiro. Uma das caixas registradoras chegou a ser quebrada pelos assaltantes. Os valores foram colocados em uma mochila e também foram levados celulares de vários clientes e funcionários.

“Disseram que queriam dinheiro e que não fariam nada com as pessoas ali dentro. Eu estava nos fundos do supermercado e ouvi um tumulto, quando fui em direção dos caixas, eles já tinham ido embora. As pessoas estavam em desespero devido a situação”, detalhou um funcionário, de 52 anos.

Os funcionários do supermercado foram avisados sobre o arrastão que vinha fazendo vítimas no bairro, no início da noite de sábado. “As pessoas entraram avisando, por isso mandados tirar a maior parte do dinheiro que tinha nos caixas antes do horário de rotina. Mas só foi isso que pudemos fazer, em minutos eles estavam dentro do supermercado com armas”, contou um funcionário, de 52 anos.

A insegurança é algo que tem assustado os moradores do bairro Residencial Mestre Álvaro. “Desde a crise da segurança, em fevereiro, não temos mais paz. Três filhos meus já foram assaltados. São roubos em ponto de ônibus ou onde estiver. Assalto a loja e a padaria, não temos mais sossego”, contou uma comerciante, de 53 anos, moradora há 30 anos do bairro.

Segundo os moradores, o policiamento na região é precário. “Não vemos polícia na rua. A gente se sente um nada em ter que passar por uma situação dessas. Os bandidos podem ir e vir, a gente tem que ficar trancado em casa. Os bandidos tem armas, e a gente não. Não há o que fazer”, desabafou a moradora.