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"Esses foram os quatro piores dias da minha vida", diz professor

Foram 100 horas sozinho na mata, convivendo com a fome e o frio

O professor Antônio Teodoro deve ser liberado hoje para voltar à sua cidade
O professor Antônio Teodoro deve ser liberado hoje para voltar à sua cidade
Foto: Monica Camolesi

Frio, fome e com a roupa úmida para dormir. Esse foi o resumo das mais de 100 horas que o professor universitário Antônio Teodoro Dutra Júnior, de 43 anos, ficou desaparecido após se perder na subida do Parque Nacional do Caparaó, na madrugada de domingo (9). Ele permanece internado e deve receber alta hoje para voltar a Manhuaçu, Minas Gerais.

O professor universitário encontrado na tarde de quinta-feira em Ibitirama, no Caparaó, com escoriações, mas lúcido. Sobrevivente a condições difíceis, ele tentar retomar a trilha por várias vezes e revelou que após se perder do grupo com a forte neblina, decidiu seguir o curso do Rio Calçado.

O irmão do professor, Alisson Teodoro, conta que a recuperação é boa e hoje receberá alta. “Ele esta bem, se alimentando e ainda em observação por que o pé ainda está inchado”, conta.

Além das temperaturas muito baixas, ele passava as noites com a roupa molhada em meio à mata até o dia amanhecer. Para ele, as meias esquecidas no caminho e a embalagem da barra de chocolate, único alimento em cinco dias, foram peças chaves para seu encontro. Confira a entrevista com o professor:

Como se perdeu?

Foi no platô, baixou uma neblina. Fui andando e cheguei num lugar que não tinha mais trilha. Tentei voltar, mas conseguia mais achar. Nesta hora, eu tomei uma decisão, que foi errada. Me desesperei e disse: tenho que descer. Fui fazendo a minha trilha, mas chegava em uma ribanceira não tinha como descer. Pensei: a água desce e eu vou descer com ela. Fui pra o rio e logo que entrei no leito chiei pelas pedras e vi a enrascada que entrei.

Como foram as noites na mata?

Andava até às 16h e arrumava lugar para passar a noite, dormir não tinha jeito. Tirava a roupa molhada, espremia e deitava no chão, no outro dia levantava e a mesma história. Estava com dois pares de meias. Minha bota estava estourando, pensei que se ficasse sem a bota estaria mais perdido ainda. Tirei um par de meias e esqueci onde passei a noite. A cachorra achou o par de meias e o papel da barra de chocolate meio amargo que acabou. O mateiro foi na minha trilha e eles resolveram descer pelo leito.

Em que momento foi encontrado?

Parei em uma pedra para descansar, o corpo deu uma esfriada. Coloquei a mochila e, quando me virei para trás, vi três anjos da guarda que me tiraram de lugar nenhum.

Como se sente depois de tudo isso?

Esses quatro dias foram os piores da minha vida. Hoje vendo meu pai e meu irmão é o melhor dia da minha vida, se estou aqui é por que me apoiei neles. Zerei uma vida. Fiz algumas promessas e vou cumpri-las, procurar ser uma pessoa melhor. Senti que tinha pessoas esperando por mim. Foi superação querer voltar, voltei para ver minha família e amigos.

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