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Tal pai, tal filho até na carreira

Confira histórias de pais que inspiraram os filhos na profissão

Eles têm o mesmo DNA, o mesmo sobrenome e... a mesma carreira. Em muitas famílias, o patriarca deixa, como herança, o amor pela profissão. Neste Dia dos Pais, fomos atrás de histórias de filhos que se inspiraram na trajetória de seus pais e seguiram os mesmos passos deles.

“Nunca as estimulei a seguir minha carreira. Elas foram se envolvendo. Hoje tenho o prazer de conviver com minhas filhas diariamente no trabalho”, diz o dentista Gerson Machado
“Nunca as estimulei a seguir minha carreira. Elas foram se envolvendo. Hoje tenho o prazer de conviver com minhas filhas diariamente no trabalho”, diz o dentista Gerson Machado
Foto: Marcelo Prest

Foi assim na casa do dentista Gerson Machado. Sem fazer força para isso, ele influenciou as três filhas a seguirem a mesma profissão. Hoje, Patrícia, Beatriz e Mariana trabalham com ele.

“Nunca as estimulei a escolherem essa carreira. Não pintava a profissão de cor de rosa. Sempre mostrei as dificuldades da área. Mas elas foram se envolvendo. E hoje tenho esse prazer de conviver com minhas filhas diariamente no trabalho”, conta o dentista, que ampliou a clínica para que todas pudessem trabalhar por perto.

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Mariana, a caçula, conta que ver o pai feliz e bem-sucedido na profissão foi um grande incentivo para que ela escolhesse o mesmo caminho. “Ele sempre foi muito empolgado com o trabalho. Desde pequena eu sabia que ele era um ótimo dentista. Até porque várias colegas da minha escola eram pacientes dele. Isso teve um peso importante na minha escolha”, conta ela, que tem 35 anos.

Aprendizado

Fabíola Saquetto
Fabíola Saquetto
Foto: Carlos Alberto Silva

Mas a maior influência do pai veio mesmo quando ela começou a trabalhar. “Aprendi mais com ele depois de formada. Meu pai é meu maior professor. Me orientou quando eu defini minha especialização, sugeriu cursos. E sempre tiro dúvidas com ele sobre os casos que atendo”, diz Mariana.

O pai, claro, também sai ganhando com a presença das filhas ali, no consultório ao lado. “Ele é muito receptivo às nossas sugestões, como quando queríamos melhorar o atendimento, modernizar o site”, destaca a dentista.

Pais que amam o que fazem acabam virando um exemplo dentro de casa, uma inspiração, como destaca a coach e consultora de comportamento humano Fabíola Saquetto. “O exemplo sempre falará mais alto. Se o pai sempre reclama do trabalho, do cansaço, da falta de tempo, o filho estará observando isto. Mas quando esse filho vivencia a realização que o pai tem na profissão, o estímulo será inspirador”, aponta ela.

Para Fabíola, a família deve estimular desde cedo diálogos sobre profissões: “A infância revela muitos sinais da vocação do indivíduo. O pai pode compartilhar a realidade da sua profissão, mostrar os prós e contras, citar experiências reais. Porém, deixando claro o direito que o filho tem de seguir a carreira que ele quiser”.

Vocação

“Existem lindas histórias de filhos que seguiram a mesma profissão dos pais por compartilharem verdadeiramente a mesma vocação. Existem outras histórias lindas em que o filho escolhe uma carreira diferente, mas atua com a mesma garra, ética e profissionalismo do pai. Este é o maior legado: transmitir uma postura profissional e pessoal que inspire os filhos a viverem no caminho da integridade e da paixão em concretizar seus sonhos. Cabe aos pais orientá-los e apoiá-los para que tenham realização pessoal e possam dar sua contribuição, através de um trabalho digno”, destaca a coach.

Dele, ela herdou o amor pela medicina

Ana Carolina passou a infância entre corredores de hospitais e salas de cirurgia. De pequena, já acompanhava o pai no trabalho, onde ele fazia partos, visitava pacientes, examinava os bebês que ele ajudara a trazer ao mundo.

A escolha da profissão foi natural. “Sempre fui curiosa. Meu pai sempre ganhava remédios de amostra grátis, e eu ficava lendo as bulas. Quando meus coleguinhas de infância adoeciam, eu ligava para ele para saber o que podiam fazer”, conta a médica Ana Carolina Cavalieri Milanez, 24 anos.

"Ela me surpreendeu. Achei que fosse estudar Direito. Mas ela escolheu a Medicina, e dei apoio. Disse que o bom profissional é aquele que acorda feliz para trabalhar", diz o ginecologista e obstetra Remegildo Gava
"Ela me surpreendeu. Achei que fosse estudar Direito. Mas ela escolheu a Medicina, e dei apoio. Disse que o bom profissional é aquele que acorda feliz para trabalhar", diz o ginecologista e obstetra Remegildo Gava
Foto: Fernando Madeira

Sem pressão

Ela faz questão de dizer que a decisão pela carreira não teve pressão do pai, o ginecologista e obstetra Remegildo Gava Milanez. “Ele sempre falou para eu fazer o que quisesse, que não escolhesse uma profissão pensando em ganhar dinheiro, mas que eu seguisse o coração”.

Foi a paixão contagiante do pai pela profissão que a motivou a seguir a mesma estrada. “Ele sempre foi apaixonado pelo que faz. Eu via como ele se dedicava, às vezes nem cobrava de pacientes que não podiam pagar pelo parto. Ele fazia muito trabalho voluntário”, conta a jovem.

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Ana Carolina só não quis se especializar na mesma área do pai, que também é a mesma da mãe, Shirley. “Via como meus pais trabalhavam, nunca parando em casa, saindo de madrugada para fazer parto... Cresci pensando que não queria isso para mim, que queria mais qualidade de vida. Na faculdade, gostei da área de saúde mental e escolhi a psiquiatria”.

Apoio

Claro que ver uma filha com o mesmo dom para a Medicina deixa qualquer pai orgulhoso. “Ela acabou me surpreendendo. No início, achei que ela fosse fazer Direito, por ser uma pessoa que está sempre indignada com as coisas erradas. Mas ela escolheu a Medicina, e dei apoio”, afirma o doutor Remegildo, 55 anos.

Para a filha recém-formada, ele só tem um conselho: “Sempre disse a ela que o bom profissional é aquele que acorda feliz para trabalhar. Medicina é uma profissão que não permite erro, pois isso tem um impacto na vida de outra pessoa. E quando a gente faz o que ama, tem menos chance de errar”, diz o médico, que tem um filho veterinário e acabou por influenciar agora a caçula, recém-aprovada no vestibular de Medicina.

“Eles são advogados melhores do que eu”

Lá na década de 1970, em Colatina, na região Noroeste do Estado, José Arciso Fiorot atuava como contador e também tinha formação em Direito. Quando os filhos cresceram e contaram que queriam ser advogados, ele não pensou duas vezes: “Montei escritório de advocacia na cidade já pensando em criar um ambiente de trabalho para eles, no futuro”, contou o patriarca dos Fiorot.

Dr. Fiorot virou um nome forte, fez o negócio crescer e abriu o caminho para a prole, com quem hoje divide um escritório, em Bento Ferreira, Vitória. José Arciso Júnior, Alexandre e Karla integram uma equipe de 16 advogados.

“A gente ouvia ele comentando os casos e criamos afeição pela área. Quando decidimos estudar Direito, ele nos apoiou. E, como era contador, enveredou para esse lado para ir preparando tudo para a gente”, conta Júnior Fiorot, 43 anos, o mais velho dos três irmãos.

Dr. Fiorot com os filhos Junior, Alexandre e Karla
Dr. Fiorot com os filhos Junior, Alexandre e Karla
Foto: Guilherme Ferrari

Orgulho

Aos 72 anos, Fiorot já não advoga mais. Mas continua indo trabalhar todos os dias. “Estou mais devagar. Não me preocupo mais. Só dou apoio. Eles são melhores advogados do que eu”, orgulha-se ele.

Uma experiência que os filhos valorizam: “Meu pai é consultor no escritório. Está ativo, nunca deixou de trabalhar. É como um coaching da gente, sempre ajudando nos casos que atendemos”, conta Júnior.

E a influência do doutor Fiorot agora chegou em outra geração: uma das netas também escolheu a carreira jurídica. “Foi uma surpresa. Só soube quando ela havia passado no vestibular para Direito”, comentou.

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