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Vigilantes viram 'justiceiros' para combater violência e acabam presos

Passando-se por policiais, eles revistavam suspeitos na manhã deste domingo (13) quando foram abordados pela Polícia Militar

Com a violência no bairro, vigilantes decidiram atuar como justiceiros
Com a violência no bairro, vigilantes decidiram atuar como justiceiros
Foto: Ricardo Medeiros

Revoltados com a quantidade de assaltos no bairro Marcílio de Noronha, em Viana, dois vigilantes resolveram atuar como “justiceiros” e enfrentar criminosos que estariam agindo no local. Passando-se por policiais, com algemas e até uma arma falsa, eles revistavam suspeitos na manhã deste domingo (13) quando foram abordados pela Polícia Militar. Os dois foram encaminhados à delegacia para prestar esclarecimentos.

Os nomes dos envolvidos não serão divulgados porque a ocorrência ainda está em andamento e há a possibilidade que eles respondam pelo crime em liberdade.

De acordo com um dos vigilantes, de 37 anos, há muitos assaltos em Marcílio de Noronha e falta segurança. Ele contou que ele e o amigo, também vigilante, de 34 anos, moram no mesmo bairro há mais de 30 anos.

“Nós dois já fomos assaltados e vimos outros moradores passando pelo mesmo. Depois da greve da PM a situação no bairro ficou ainda pior. Tivemos a ideia sábado e hoje acordamos cedo visando dar um apoio aos feirantes que trabalham na região, pois os assaltos costumam acontecer de manhã, quando a feira inicia”, disse.

O morador de 37 anos já atuou como inspetor penitenciário por designação temporária. Ele possui uma arma falsa, comprada em uma loja de paintball, atividade que ele afirma praticar. Já o morador de 34 anos, possui um cinto tático e algemas. Segundo ele, os materiais eram usados em trabalhos de vigilância. Com esses materiais, os dois foram para a rua por volta das 6 horas e abordaram pelo menos duas pessoas.

“Vimos dois suspeitos que pareciam estar traficando drogas. Nos identificamos como policiais e fizemos a abordagem. Como nada de ilícito foi encontrado, nós liberamos eles”, completou o conduzido, de 37 anos.

Mas a ação como “justiceiros” não durou muito tempo. Desconfiados, moradores da região entraram em contato com a PM, informando que havia dois homens armados se passando por policiais. Uma viatura foi ao local e os vigilantes foram abordados. Eles contaram o que estavam fazendo, mas foram encaminhados à 4ª Delegacia Regional de Cariacica para prestar esclarecimentos.

Algemados enquanto aguardavam para prestar depoimento, eles disseram que estão arrependidos.

“Essa foi a primeira e a última vez que fizemos isso. Nunca imaginei ser preso. Eu só queria ajudar”, disse o homem de 34 anos.

Para os policiais militares da 11ª Companhia Independente de Viana, que atenderam a ocorrência, por mais que a intenção dos moradores fosse boa, a pratica é criminosa.

"Eles não possuem habilidade ou autonomia para agir como policiais. O desfecho poderia ser muito pior. E se eles abordassem um bandido armado ou apontasse a arma para um policial? Fazer 'justiça' por conta própria, dessa forma, é uma prática criminosa e reprovada", afirmou o cabo Wanilson.

Os dois ainda aguardam para prestar depoimento na delegacia. Mas segundo o delegado de plantão, eles devem ser autuados por usurpação de função, assinar um Termo Circunstanciado, sendo liberados. Mas mesmo após a liberação, as investigações continuam. O delegado explicou ainda que nas próximas horas irá checar se os conduzidos recebiam algum tipo de vantagem para a ação. Se sim, a pena pode aumentar.

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